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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Você conhece a Bíblia? - Números



Números é o 4º livro do Pentateuco e da Bíblia. Contém 36 capítulos e 1.288 versículos.

O título em português Números vem do latim Liber Numerorum (Livro dos Números), que foi tirado do grego arithmoi, na Septuaginta, seguido pela Vulgata (numeri). No texto hebraico, o nome do livro é Bemidbar (No Deserto), tirado da primeira linha.

458 versículos, ou 36% do livro, contém cinquenta predições, a maioria das quais tipológicas ou condicionadas à obediência.

Números descreve os dois recenseamentos dos israelitas durante seus quarenta anos no deserto. O primeiro, a multidão que saíra do Egito, o segundo, a nova geração que entraria em Canaã.


Autor e Data

A tradição refere-se à Moisés, personagem central, como autor do livro. Nm 33.2 refere-se especificamente a ele, registrando pontos sobre a viagem no deserto.

Dessa forma, provavelmente o livro tenha sido escrito por volta de 1400 a.C., pouco antes de sua morte. Os acontecimentos deste livro ocorrem durante cerca de 40 anos, começando logo após o Êxodo, em 1400 a.C..

Algo de Números

O Livro de Números continua o relato que se iniciou com Êxodo. Começa com Israel ainda no Sinai (desde Ex 19.1), deixando-o em Nm 10.11.
Número tem duas divisões principais: primeiro instruções ainda no Sinai, cobrindo muitos tópicos, mas principalmente o preparo da viagem (1.1-10.10); depois a viagem no deserto, do Sinai até as planícies de Moabe através do Jordão da Terra Prometida (10.11-36-13), que cobre tanto a destruição dos que foram libertos do Egito, motivada pelas queixas, rebeliões e desobediência, quanto a preparação da segunda geração para entrar na Terra Prometida.

É impressionante ver que da multidão que saíra do Egito, somente dois estavam vivos e entrariam na Terra Prometida, Josué e Calebe.
Isso remete a um dos principais assuntos do livro: murmurações. Israel murmurava constantemente do que o Senhor fazia. Por causa da sua murmuração, é que somente dois deles puderam entrar em Canaã. Sete murmurações são registradas:
- quanto ao trajeto (11. 1-3);
- quanto à comida (11. 4-6);
- quanto aos gigantes (13. 31-14.2);
- quanto aos líderes (16.3);
- quanto aos juízos divinos (16.41);
- quanto ao deserto (20. 2-5);
- quanto ao maná (21.5).

A liderança de Moisés e Arão sofreu contestações, sendo em ambas defendidos pelo Senhor que os escolheu. Em uma ocasião, Arão e Miriã se rebelam contra a autoridade de Moisés. Depois, a rebelião de Coré, Datã e Abirão. Em ambas, é claro que o próprio Deus defende os líderes que vivam o chamado que Ele deu. Ele não protege rebeldes, mas se põe ao lado dos que são fiéis. O que é mostrado também quando os próprios espias se mostram infiéis em sua maioria, mas dois são obedientes. Os doze também eram líderes, príncipes no meio do povo, mas também sujeitos à obediência e precisavam demonstrar também sua obediência ao Senhor.

Jesus Cristo é retratado como Aquele que provém. Paulo escreve que ele era a pedra espiritual que seguiu os israelitas pelo deserto e deu-lhes a bebida espiritual (1Co 10.4). A pedra que deu água aparece duas vezes na história do deserto (cap 20; Ex 17 ). Paulo enfatiza a provisão de Cristo às necessidades de seu povo, a quem libertou do cativeiro.

Um exemplo claro de Cristo está na serpente de bronze, que ele mesmo citou à Nicodemos, dizendo que assim como ela foi levantada no deserto, o Filho do Homem deveria ser levantado. Nm 21:8, 9 e Jo 3:14,15

A figura messiânica é profetizada por Balaão em 24.17, “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel”. A tradição judaica interpretava este verso messianicamente, conforme atestado pelos textos de Qumran.

No capítulo 11, o Espírito Santo unge a liderança e inspira a profecia. No v. 16, Moisés está pedindo ajuda ao Senhor em seus deveres de liderança. A resposta é que o Senhor tomará o Espírito que está sobre Moisés e o passará para os setenta líderes. Mesmo um líder como Moisés era incapaz de fazer tudo e precisava de uma liderança doada pelo Espírito para a realização de sua tarefa.

Quando o Espírito é dado aos setenta anciãos, ele causa a profecia (v. 25). Somente os setenta anciãos nomeados profetizam. Quando Josué se queixa que dois dos anciãos no acampamento também estão profetizando, Moisés expressa o desejo de que todo o povo de Deus também recebesse seu Espírito e profetizasse. Essa esperança de Moisés é retomada em Jl 2.28-32 e é definitivamente cumprida no Dia de Pentecostes (At 2.16-21), quando o Espírito foi derramado e tornou-se disponível a todos nós.

Fontes:
- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB;
- Bíblia de Estudo Profética de Tim La Haye, Hagnos;
- Bíblia de Estudo Almeida, SBB.