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terça-feira, 5 de maio de 2009

Você conhece a Bíblia? - Jó



é o primeiro dos Livros Poéticos ou Sapienciais. Jó leva o nome de seu personagem principal (que significa perseguido).  
São 1070 versículos em 42 capítulos.

A maioria dos estudiosos concordam que Jó deve ter sido o primeiro livro a ser escrito.

Apenas 22 versículos são proféticos, ou 2% do livro. A maioria é de profecias de bênçãos por obediência (11.14-20), a transitoriedade da vida (14.12-15) ou a certeza do livramento.


A profecia mais forte de todo o livro é a afirmação de Jó de que veria, na carne ressurecta, seu Redentor vivo na terra (19.25-27).

Autor e Data

A autoria do livro é incerta. Eliú, Moisés, Salomão, Isaías, Ezequias, Jeremias, Baruque e até o próprio Jó já foram considerados como possíveis autores. Embora nenhuma evidência sólida apóie um dos autores em potencial, é amplamente aceito que Jó viveu durante o período patriarcal (tempo de Abraão, Isaque e Jacó).
As datas podem ser entre 2000 - 1800 a.C. Apesar dos estudiosos não concordarem quanto à época em que foi compilado, este texto é obviamente o registro de uma tradição oral muito antiga. Os que atribuem o livro a Moisés acham que a história surgiu lá pelo séc. XV a.C. Outros acham que surgiu lá pelo séc. II a.C. A maior parte dos conservadores atribuem Jó ao período salomônico, pela metade do séc. X a.C.

Algo de Jó

A própria Bíblia atesta que Jó foi uma pessoa real. Ele é citado em Ez 14.14 e Tg 5.11. Jó era um gentil. Acredita-se que era descendente de Naor, irmão de Abraão. Conhecia Deus pelo nome de "Shaddai" - O Todo-Poderoso. (Há 30 referências a Shaddai no livro de Jó). Jó era um homem rico e levava um estilo de vida seminômade.
A introdução (1, 2) é prosa; a parte central é poesia, geralmente parelhas de versos com idéias comparativas e contrastantes em cada sentença.

Sete personagens aparecem nesse relato de sofrimentos, questionamentos e livramneto de Jó: o SENHOR, Satanás, o próprio Jó, Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú.
Talvez o livro mais antigo da Bíblia, Jó não se refere à Lei, ao Templo ou algo relacionado à história antiga de Israel, porém as Escrituras citam-no ou referem-se a ele 57 vezes, e Tiago 5.10 menciona Jó especificamente. Ezequiel compara a piedade de Jó à de Nóe e Daniel.
Depois que Jó apresenta sua queixa inicial (cap.4), três debates introduzem Elifaz, Bildade e Zofar, todos insistindo que os sofrimentos de Jó são castigos, em oposição a Jó, que tenta se defender. Após os debates, o jovem Eliú incentiva Jó a não culpar Deus por seus infortúnios. Finalmente, a resposta do Senhor na revelação divina faz Jó se ajoelhar. Jó encontra paz ao confiar no Deus infinito e onipotente. O último capítulo mostra o objetivo supremo de Deus em abençoar Seu povo. "Ouvistes qual foi a paciência de Jó" - escreve o apóstolo Tiago (5.11), porque "o Senhor é muito misericordioso e piedoso".
Não se deve concluir que todas as objeções dos amigos de Jó representem tudo o que se pensava de Deus naquela época. Na medida em que a revelação da natureza de Deus foi se fazendo conhecida através da história e das Escrituras, descobrimos que algumas dessas opiniões eram incompletas. Evidentemente, isso não faz com que o texto seja menos inspirado, antes nos dá um relato inspirado pelo Espírito Santo dos incidentes como realmente aconteceram.

A resposta de Deus a Jó não é uma explicação dos sofrimentos dele, mas, através de uma série de perguntas, Deus procura tornar Jó mais humilde. Quando relemos a fala de Deus através do redemoinho, tiramos três conclusões a respeito do sofrimento de Jó: 1) não aparece a intenção de revelar a Jó a causa de seus sofrimentos. Deus não podia, provavelmente, explicar alguns aspectos do sofrimento humano, no momento em que acontece, sem o risco de destruir o próprio objetivo que esse sofrimento é destinado a cumprir. 2) Deus se envolve com a realidade do ser humano: Jó e o seu sofrimento são suficientes que Deus fale com ele. 3) O propósito de Deus também era o de levar Jó a abrir mão de sua justiça própria, da sua defesa própria e sabedoria auto-suficiente, de forma que pudesse buscar esses valores em Deus.

Deus é Soberano. Não conseguimos entender como Ele age somente por meio de nossa razão. É preciso que a fé repouse sobre o amor de Deus e sobre o que conhecemos Dele. Isso significa que Deus é onipotente, conhece tudo e está presente e todos os lugares, e a Sua decisão é a última palavra (Jr 10.10; Dn 4.17). Deus é o autor de todo o poder do universo.

Conseguimos compreender a nós mesmos e o propósito de nossa vida da mesma forma como compreendemos como Deus é e como Ele age. Quando entendemos que a vontade de Deus é boa para nós (Jo 10.10), que Deus cuida e transmite carinho aos Seus filhos - como fez com Jó - isso faz toda a diferença. A fé precisa de um lugar seguro para se apoiar. Quando um sofrimento profundo ameaça os fundamentos da fé, como aconteceu com Jó, um ataque à nossa fé pode nos destruir, a menos que estejamos finalmente enraizados nessas verdades.
Quando tragédias acontecem, enfrentamos a tentação de transformar Deus em nosso adversário em vez de transformá-lo em nosso Advogado. Com Jó, podemos insistir em afirmar a nossa inocência e questionar a justiça de Deus. Ou então podemos nos ajoelhar humildemente e esperar que Deus se revele e que nos mostre Seus propósitos para conosco.

Batalhas de fé são batalhas pessoais. Cada um de nós entra nas situações aflitivas da vida sozinhos; precisamos testar o caráter de nossa fé em Deus lutando contra forças incontroláveis e conquistando vitórias individualmente. Podem haver momentos em que nossa família e amigos serão arrancados de nós e precisaremos enfrentar a situação sozinhos.
O livro de Tiago dirige a atenção do leitor para a paciência e a resignação de Jó. Tiago declara que assim como a intenção de Deus com Jó era boa, assim também a intenção de nosso Senhor com cada um de nós é boa.
Eliú declara em 32.8 que o nível de compreensão de uma pessoa não está relacionado à sua idade ou etapa de vida, mas é antes o resultado da operação do Espírito de Deus. O Espírito é o autor da sabedoria, dando a cada um a capacidade de conhecer e tirar lições pessoais das coisas que acontecem na vida. O conhecimento e a sabedoria são bênçãos do Espírito aos homens.

O Espírito de Deus é também a fonte da vida (33.4). Se não fosse pela influência direta do Espírito, o homem como nós o conhecemos não teria chegado a existir. Eliú declara que a sua própria existência dá testemunho do poder criador do Espírito. O Espírito de Deus é o Espírito da vida.

Ele também é essencial à própria continuidade da raça humana. Se Deus tivesse que desviar a Sua atenção para outro lugar, se tivesse que retirar o Seu Espírito-que-dá-vida deste mundo, certamente a história humana chegaria ao seu fim (34.14-15). Eliú deixa claro que Deus não é caprichoso nem egoísta, pois cuida do ser humano, sustenta-o de forma constante pela abundante presença do Seu Espírito. Dessa forma, o Espírito no Livro de Jó é o criador e mantenedor da vida, conferindo-lhe significado e racionalidade.

Fontes:
- Bíblia de Estudo Plenitude;
- Bíblia de Estudo Profética.