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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Você conhece a Bíblia? - Daniel

Daniel é o último dos Profetas Maiores, e o 27º Livro da Bíblia Sagrada. Possui 12 capítulos e 357 versículos. Daniel significa Deus é meu Juiz.

Na Bíblia Hebraica Daniel não faz parte dos Profetas (que são divididos em Anteriores, como Josué e Reis, e Posteriores, como Isaías e Ageu), mas sim dos Escritos (Ketubim), junto com livros como Salmos, Lamentações e Neemias. A Septuaginta o colocou entre os Profetas Maiores, depois de Ezequiel.

Quarenta e oito profecias distintas aparecem no livro, envolvendo 162 versículos, ou 45%.

Os escritos de Daniel cobrem o governo de dois reinos, Babilônia e Medo-Persa, e quatro reis: Nabucodonosor (2.11-4.37); Belsazar (5.1-31); Dario (6.1-28) e Ciro (1.1-11.1).



Autor

Daniel foi deportado, enquanto adolescente, no ano 605 a.C., para a Babilônia, onde viveu mais de sessenta anos. Era de uma família de classe alta de Jerusalém (1.3). Isaías e Ezequias (Is 39.7) haviam profetizado a deportação para a Babilônia dos descendentes da família real. Inicialmente, Daniel serviu como estagiário na corte do rei Nabucodonosor. Mais tarde, tornou-se conselheiro de reis estrangeiros.

A importância de Daniel como profeta foi confirmada por Jesus em Mateus 24.

A sabedoria do profeta foi maior do que a dos adivinhos e falsos profetas da Babilônia - o berço da idolatria mundial. Os falsos sábios não interpretaram o sonho do rei, mas Daniel, o servo de Deus, revelou o significado do sonho em uma das mais fascinantes profecias do Antigo Testamento.

Por causa de sua sabedoria, conhecimento e boa aparência, quatro jovens hebreus foram selecionados para trabalhar para o governo. Devido ao caráter excepcional de Daniel (Beltessazar), Hananias (Sadraque), Mizael (Mesaque) e Azarias (Abede-Nego), receberam funções relevantes no palácio do rei. Daniel sobrepujou a todos os homens sábios daquele vasto império, que era conhecido pela sabedoria de seus caldeus, magos, adivinhos, astrólogos e encantadores (6.1-3).

O nome caldeu de Daniel era Beltessazar, que significa Bel proteja a sua vida. Bel era o deus principal dos babilônios.

O profeta não é mencionado no episódio da fornalha ardente, provavelmente por que não estava na Babilônia na data. Mas, passou pela prova na cova dos leões. Assim como os três jovens na fornalha, a causa do seu juízo foi por ser fiel ao Deus de Israel e não aos falsos deuses.

Data

O cerco e a deportação de cativos para a Babilônia duraram muitos anos, mas os homens fortes, corajosos, habilitados e os instruídos foram retirados de Jerusalém logo no início da guerra (II Rs 24.14). A data do cativeiro de Daniel é aceita como sendo 605 a.C. Sua profecia abrange o espaço de tempo de sua vida.

Algo de Daniel

O propósito do Livro é mostrar que o Deus de Israel, o único Deus, mantém sob seu controle o destino de todas as nações.

A interpretação do sonho de Nabucodonosor predisse as ações de Deus em relação aos filhos de Israel durante o Tempo dos Gentios (Lc 21.24).

Entendermos Daniel ajuda na interpretação do livro de Apocalipse, pois muitos dos mesmos símbolos e profecias paralelas são usados em ambos os livros.

Eu não conseguiria explicar todas as profecias do livro, pois são muitas e complicadas para a maioria dos crentes. Pretendo colocar apenas algumas das surpreendentes profecias do profeta Daniel, que viu tanto o que agora nós chamamos de passado (como Alexandre e Antíoco Epífanes) como o nosso futuro iminente (como o Anticristo e a Tribulação).
Como não tenho muito tempo pra preparar as postagens, o Livro de Daniel será ensinado em algumas partes apenas. Se você tiver dúvidas a respeito de alguma parte do livro, pergunte nos comentários e tentarei responder.

A visão da imagem que Deus deu ao rei Nabucodonosor é provavelmente a profecia fundamental sobre os tempos dos gentios. Essa profecia detalha eventos mundiais desde os dias de Daniel (605 a.C.) até a dissolução do reinado do Anticristo quando da Segunda Vinda de Cristo.

A estátua representaria quatro reinos: Babilônia (ouro), Medo-Pérsia (prata), Grécia (bronze) e Roma (ferro). A pedra cortada representa o poder soberano de Deus sobre os governos humanos.

Uma das características marcantes do livro são as perspectivas diversas sobre o governo humano apresentadas por Deus e pelo homem. O reino da Babilônia (cap. 2) é retratado por muitas pessoas como a representação do melhor que o governo humano pode oferecer – uma imagem de estabilidade, lei e ordem. Contudo, a perspectiva divina sobre o governo humano, retratada por Daniel (7-12), revela a história e os impérios humanos como uma série de animais ferozes e vorazes. Historicamente, a perspectiva divina se mostrou mais precisa, pois a história revela que nada tem sido mais destrutivo para a humanidade do que o próprio governo humano.

Qual era a estátua que os três jovens não queriam adorar? Provavelmente era uma estátua do próprio Nabucodonosor ou de Bel, seu ídolo principal ou deus-demônio. A estátua mediria uns 30 metros de altura por cerca de 3 metros de largura. Seria desproporcional a uma imagem humana, mas o texto deixa claro que teria certa semelhança com a forma humana.

Belsazar foi o último rei da Babilônia? Belsazar (Bel proteja o rei), não foi o último rei. Mas sim Nabonido, filho de Nabucodonosor foi o último rei. Ele era filho de Nabonido, e assumiu as funções reais de seu pai durante a ausência de Nabonido da Babilônia. Ele era o príncipe regente, o segundo no reino. Por ser o segundo o maior cargo que ele poderia oferecer era o de terceiro maior no reino.

Daniel não menciona a Era da Igreja, mas faz alusão a uma semana (7 anos) ainda por vir, a Tribulação (9.27) ou o tempo da angústia para Jacó (Jr 30.7), que terminará com a Segunda Vinda de Cristo e a consumação deste mundo (Mt 13.40).

Jeremias profetizara que o cativeiro duraria 70 anos. Daniel e o povo devem ter se agarrado a essa promessa. Quando os 70 anos se cumpriram, Daniel estava estudando as profecias de Jeremias, orando fervorosamente ao Deus de Israel pelo perdão de Seu povo, pela restauração de Jerusalém e pela reconstrução do santuário do Senhor, Deus enviou Seu anjo para revelar novas verdades sobre as setenta semanas (Dn 9.24-27), expondo o cronograma futuro para Jerusalém e Israel e para a vinda do Messias.

A interpretação das 70 semanas difere entre muitos cristãos sinceros e devotos a Deus. A interpretação que darei é a mais aceita e a que eu defendo.
As setenta semanas de Daniel 9 revelam que cada semana compreende sete anos, ou 490 anos no total. Este período é dividido em três períodos: 7 semanas (49 anos), 62 semanas (434 anos) e 1 semana (7 anos). Os primeiros dois períodos, 483 anos, terminam antes da morte do Messias (Dn 9.26). A última semana é interpretada como sendo a Tribulação. Ou seja, existe uma lacuna de tempo entre a 69º e a 70º semana.

Interpretando as profecias, temos o seguinte:

As sete primeiras semanas começam com o decreto de restauração de Jerusalém, culminando com as sessenta e duas semanas que acabam com a entrada triunfal do Messias em Jerusalém e sua morte (Dn 9.25). Começa a Era da Igreja. Jerusalém é devastada pelos romanos em 70 d.C. (Dn 9.27 ainda indica que o Anticristo viria do povo que destruiria a cidade e o santuário). Após o Arrebatamento, começara a última semana e o príncipe que há de vir, o Anticristo, fará uma aliança de paz com os judeus, que reconstruirão seu templo sagrado. Passa a metade da semana (3 anos e meio) e o Anticristo quebra a aliança e profana o templo, começando a Grande Tribulação. Após o fim da semana, o Messias retornará e dará início ao Reino de Mil Anos.

A abominação da desolação profetizada por Daniel (9.27, 11.31 e 12.11) é citada na profecia de Jesus em Mateus 24.15 como parte do futuro ainda. Essa profecia tem três aplicações:
- O governador sírio Antíoco Epífanes, citado pelo autor do livro apócrifo de I Macabeus, que profanou o templo em 168 a.C, erguendo um altar sobre o altar de holocaustos e sacrificando uma porca a Zeus.
- A chegada do exército romano, que assediou Jerusalém e destruiu o templo em 70 d.C.
- Um cumprimento de maneira não especificada pelas Escrituras a se cumprir no futuro. A maioria dos estudiosos (eu também) entende que o Anticristo, na metade da Tribulação, quando romper o acordo com os judeus, entrará no Templo reconstruído e se assentará no Lugar Santo exigindo ser adorado (II Ts 2.4).

Conhecem-se três apêndices ou apócrifos ao livro de Daniel: A história de Susana condenada à morte e defendida pelo jovem Daniel; A oração de Azarias e o Cântico dos três santos mancebos lançados à fornalha ardente; e por fim Bel e o Dragão, duas narrativas separadas contando como Daniel desacreditou os sacerdotes de Bel e desmascarou o deus-dragão.

O Livro de Daniel dá ênfase à dedicação a Deus, tendo o próprio profeta como exemplo principal. Os quatro jovens hebreus, agora chamados de Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, revelaram espírito tão firme, que abriram oportunidades fantásticas para Deus mostrar o Seu poder em favor desses homens.

O corajoso comprometimento deles é um exemplo para todos os cristãos. Eles não temeram testemunharem do seu Deus perante todas as circunstâncias (mesmo diante da morte), exortando-nos também a testemunhar de Jesus Cristo em todos os momentos.

O Livro também mostra a soberana superioridade de Deus sobre todas as tentativas ocultas de revelar ou interpretar os mistérios espirituais. Todos os sábios, magos, astrólogos, adivinhadores e feiticeiros da corte do rei não conseguiram chegar à verdade. No sonho do rei e diante da escrita da parede, os falsos mestres e falsos profetas da Babilônia, nada puderam decifrar. Daniel, inspirado pelo Espírito, deu o significado. O mesmo aconteceu com José no Egito com os sonhos de Faraó. Lembro-me do que Jeremias profetizou: "Clama a mim, e responder-te-ei, e te mostrarei coisas grandes e ocultas que não sabes". Falsos profetas, falsários espirituais, nunca podem subsistir perante a sabedoria e poder do Espírito Santo (II Co 10.3-6).

A primeira vez que o Livro mostra Cristo é quando o Quarto Homem acompanha Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha. Como os três foram fiéis ao Senhor, Deus permanece fiel a eles no fogo do julgamento e livra-os até do cheiro de fogo.

Daniel ainda vê o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu, referindo-se à segunda vinda de Jesus Cristo (7.13).

A visão que o Profeta Daniel teve de Cristo em 10.5-6 é bastante semelhante à que o Apóstolo João teve em Ap 1.13-16.

A habilidade de Daniel e dos outros hebreus de interpretarem sonhos se devia ao poder do Espírito Santo. As profecias, tanto as que se aplicavam a local quanto ao futuro, indicam discernimento sobrenatural dado a Daniel pelo Espírito Santo.

Fonte:
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude.