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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Você conhece a Bíblia? - Jonas


Jonas é o 32º Livro das Escrituras Sagradas, e o 10º Livro dos Profetas (o 5º Profeta Menor).
Contém 4 capítulos e 48 versículos.


Quatro declarações proféticas aparecem em Jonas, que equivalem a cinco versículos (cerca de 10%).

Autor e Data

Jonas é citado em II Reis 14.23-29, como sendo de Gate-Hefer.

Seu nome significa Pomba. Era filho de Amitai, e viveu durante o reinado de Jeroboão II no século VIII (783-753 a.C.), anterior ao profeta Amós. Era um forte nacionalista, que sabendo da crueldade e da destruição causada pelos assírios em Israel, não aceitou que Deus tivesse misericórdia da capital inimiga, sendo que mereciam um julgamento severo do Deus de Justiça.

Jonas foi o único profeta enviado para pregar aos gentios. Elias morou em Sarepta por algum tempo (I Rs 17.8-10), e Eliseu viajou a Damasco (II Rs 8.7), mas somente ele levou uma mensagem de arrependimento e misericórdia diretamente para uma cidade gentia.

Alguns relacionam o livro ao tempo do próprio Jonas. Aqueles que creem em outro autor, datam-no alguns anos depois, no fim do século ou começo do VII a.C. Alguns datam após o exílio, depois da destruição de Nínive, baseando-se em 3.3.
A história logo se tornou conhecida em Israel e presumi-se que os marinheiros contribuíram para propagar o relato. O cap. 1 tem certo número de sinais de que o relato se derivou de outra fonte que não o próprio Jonas. A embarcação possivelmente regressou ao porto quando a tempestade acalmou, pois ainda não se haviam afastado muito da terra (1.13) e, principalmente, porque a carga havia sido atirada fora (1.5). Se Jonas retornou a Jope, talvez foi pela informação dos marinheiros que ele foi capaz de calcular por quanto tempo estivera debaixo da água.

A cidade de Jonas, Gate-Hefer, ficava a alguns poucos quilômetros ao norte de Nazaré, a cidade de Jesus; menos de uma hora a pé. Jesus deve ter ido lá frequentemente.
Os fariseus aparentemente se esqueceram de Jonas quando atacaram Nicodemos dizendo-lhe que "da Galileia nenhum profeta surgiu" (Jo 7.52). Se tivessem pesquisado as Escrituras com mais cuidado, não teriam errado tanto, ao deixar também de perceber que "está aqui quem é mais do que Jonas" (Mt 12.41).

Algo a mais de Jonas

O Livro de Jonas tem um grande significado, porque mostra que Deus quer usar de misericórdia com todos (inclusive povos gentios) que O buscarem com humildade e sinceridade. Deus ama todas as pessoas e quer mostrar Sua misericórdia, a quem se arrepender.
Se você prestar bastante atenção, pode encontrar em Jonas a semente do farisaísmo do NT.

As experiências de Jonas provaram ser bastante interessantes e introspectivas. Deus ordenou que Jonas profetizasse contra Nínive, a capital do Império da Assíria, no tempo em que o poder do império assírio assustava Israel. Por esta razão, Jonas não estava disposto a viajar até Nínive para falar do juízo de Deus sobre ela. Lembrando que os assírios são lembrados até hoje como cruéis (vai dizer que esqueceu das aulas de História, que contam os castigos que eles davam aos seus cativos?).

Mesmo sabendo que o SENHOR é o Criador e Senhor dos céus e da terra, Jonas tenta fugir do Espírito da profecia. Em vez de seguir os 1.300 km em direção a Nínive, ele vai na direção contrária: quer ir pra Társis, que possivelmente seria Tartessus, na Espanha. Ele logo entende que a presença e a influência de Deus ia além de Canaã (parece que ele via Deus como um dos milhares de deuses tribais que eram deuses apenas em suas terras; lembra que os siros acharam que Ele era Deus apenas dos montes e não dos vales em I Rs 20.23?). Pensou que Deus não ia te pegar?

Deus manda uma tempestade e provoca as circunstâncias para que o profeta fujão e os marinheiros entendam que é Ele quem está fazendo isso. Mesmo sem querer, os marinheiros pagãos o jogam ao mar. Eles e Jonas acharam que o profeta ia morrer nas profundezas do mar, mas o Rei da Criação preparou um ser marinho para engoli-lo, que o joga na terra firme três dias e três noites depois. Por favor, não me venha com história de baleia. Sim, pode ter sido uma baleia, mas você não tem certeza disso tem? Já vi até em hinos cantados nas igrejas a afirmação: Jonas na barriga da baleia. Diga um grande peixe que você tá mais certo. [UPDATE: Apesar que as versões de Mt 12:40 dizem baleia.]

Os marinheiros pagãos se comportaram de maneira diferente do profeta hebreu. Eles tinham um forte senso religioso e se admiraram de Jonas, fugir da presença de seu Deus (10). Tiveram receios de lançá-lo ao mar, mesmo parecendo o melhor a fazer; e quando o mar finalmente se acalmou, demonstraram temor apropriado para com o Deus de Israel (16). Mas, Jonas não era um covarde. Ele se mostrou calmo e equilibrado. Afirmou sua fé e sua culpa, e ia afogar-se para que outros não viessem a morrer por sua causa. É óbvio que ele considerava sua morte iminente como castigo de Yavé. Talvez valha a pena comparar o comportamento do Jonas com os dos personagens do naufrágio de At 27 e com os discípulos em Mc 4.35-41 (e paralelos).

Mesmo que Jonas estivesse agora pronto para cumprir o mandado de Deus, não havia nele compaixão pelos ninivitas. Sua experiência quanto à misericórdia de Deus apenas o confirmou em sua crença que aqueles que adoram outros deuses, deixam a sua própria misericórdia (separam-se de Yavé, a única verdadeira fonte de socorro para eles). O exclusivismo de Jonas, mesmo vendo as misericórdias do seu Deus, fornece um ponto a mais para a repreensão do Senhor em Jn 4.

Quando finalmente obedece sua missão, Jonas anuncia aos ninivitas: "Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida" (3.4). Para sua surpresa (e espanto), o rei e toda a população da grande cidade se arrependeram de seus pecados, iniciando um grande avivamento, o que levou Deus a poupar a cidade. Do rei ao mais humilde, todos se vestiram de panos, assentando-se sobre cinza em jejum. Até os animais foram "obrigados" a participar...
... Mas, o castigo foi suspenso por pouco tempo. Os ninivitas voltaram ao seu estilo de vida decadente, e sua cidade foi saqueada pelo Império Medo-Persa em 612 a.C.

O profeta não entende a vontade de Deus e não gosta. Ele reage com ira. Por que Deus teria misericórdia de pessoas que abusaram cruelmente do povo escolhido? Talvez Jonas achasse que o arrependimento não fosse verdadeiro, ou que Deus escolhesse outra estratégia, e por isso constrói um abrigo numa colina, com vista para a cidade do lado do oriente. Lá, ele aguarda o dia anunciado para o julgamento.

Na depressão de Jonas, Deus tratou do profeta: aliviou a tristeza de Jonas, criando uma aboboreira para lhe prover abrigo e sombra. No dia seguinte o Senhor permite a destruição da aboboreira e envia um calmo vento oriental. Jonas ficou indignado por perder a aboboreira. Aquela não era "sua" aboboreira e sabia que era de curta duração, ainda assim Jonas a teria poupado, pois produzia-lhe conforto. Deus responde mostrando a diferença de seu amor pela aboboreira e do Dele por milhares de pessoas.

Deus deseja mostrar e oferecer Seu perdão a todos os povos da Terra. Foi dado à Igreja de Cristo o ministério da reconciliação (II Co 5.18-19). Israel estava encarregado de revelar Deus ao mundo (Gn 12.3), e a Igreja foi encarregada de ir ao mundo e pregar o Evangelho (Mt 28.18-20). Quando a Igreja se torna exclusivista (como Jonas e Israel) ela falha em sua missão. Mas, quando cumprimos o mandamento de Deus, levantando e indo ao mundo, as pessoas que ouvirem a Palavra e atenderem com fé, serão alcançados pela misericórdia e perdão do Deus Vivo, sendo por Ele transformados.

Jonas é o único profeta do Antigo Testamento com o qual Jesus se comparou diretamente; obviamente Jesus considerava a experiência e a missão de Jonas como de grande significado. É extremamente interessante, portanto, relembrar que tanto Jesus como Jonas foram "profetas da Galileia".

Muitos críticos descartam o relato milagroso de Jonas e o grande peixe, considerando-o como um mito ou uma fábula, porque infelizmente rejeitam a natureza sobrenatural do Deus da Bíblia. Jesus, no entanto, trata a narrativa como verdadeira, comparando o tempo de Jonas no ventre do peixe ao Seu próprio tempo no túmulo (Mt 12.40). Portanto, Jonas prenuncia Cristo como o Enviado que sofreu a morte, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, levando, então, a salvação aos gentios (Mt 12.39,40; Lc 11.19-32).

Jope, que é a moderna cidade de Jafa, é um porto considerável na costa da Palestina. Jope também desempenha importante papel, na história do Novo Testamento sobre Pedro e os gentios, em At 10.1-11.18.

Fonte:
- F. Davidson - O Novo Comentário da Bíblia, Ed. Vida Nova;
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude.