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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Você conhece a Bíblia? - Habacuque


Habacuque é o 35º Livro da Bíblia, sendo o 13º Livro Profético e o 8º Profeta Menor. Habacuque significa abraço.
Contém 3 capítulos e 56 versículos.

As respostas de Deus às perguntas de Habacuque são basicamente proféticas, envolvendo 23 versículos, ou 41% do livro.



Autor e Data

Habacuque significa abraço. Pode nos fazer pensar que ele foi abraçado por Deus, sendo foi fortalecido pelo Senhor para seu ministério, ou abraçando outros, em que encoraja seus irmãos em meio à crise nacional.
Em 3.19 encontra-se uma notação musical, o que pode sugerir que Habacuque era membro da família levítica. É possível que ele tenha sido membro de um grupo profissional de profetas, associados à música no Templo de Salomão (1Cr 25.1).
Ele é o único dos profetas canônicos que a si mesmo chama de profeta (1.1), e julga-se que isso indica posição profissional.

Não sabemos nada sobre Habacuque além das informações do livro, onde, mesmo assim, ele não fornece sua genealogia nem diz quando profetizou.
Habacuque provavelmente escreveu entre o intervalo da queda de Nínive (612 a.C.) e a queda de Jerusalém (586 a.C.).
Também é provável que tenha sido contemporâneo de Sofonias e Jeremias, que viveram durante o tempo do rei Josias, mas viram o fogo do reavivamento extinguir-se com a sua morte.

Um profeta Habacuque aparece na história apócrifa de Bel e o Dragão (textos apócrifos não são reconhecidos como sagrados pelos judeus e protestantes), como aquele que livrou Daniel da cova dos leões pela segunda vez; porém, tudo isso não passa de uma lenda judaica.

Algo de Habacuque

O Livro de Habacuque relata a jornada espiritual do profeta, contando a trajetória de um homem da dúvida à adoração. A diferença entre o início do livro (1.1-4) e o final do livro (3.17-19) é impressionante.

Nos primeiros quatro versículos, Habacuque é oprimido pelas circunstâncias ao seu redor. Pensa na iniquidade e na violência que vê presente entre o povo. Ele se dirige a Deus, mas acredita que Deus se retirou do cenário da terra: as palavras de Deus foram esquecidas; Suas mãos não se manifestam; Deus não pode ser encontrado em lugar nenhum. Os homens agem como seria esperado que pessoas sem Deus agissem.
A cena nos três versículos finais é muito diferente... tudo mudou! O profeta não está mais ansioso, preocupado com as circunstâncias, sua visão foi elevada. Ele deixou de se preocupar com as coisas que são aqui da terra, seus pensamentos estão nas coisas lá do alto, como diria Paulo. Habacuque fixou sua esperança em Deus, Ele é a fonte de alegria e força do profeta. Habacuque foi da queixa à confiança, do homem a Deus, dos vales aos altos montes.

Hc 1.6 informa que Deus estava levantando os caldeus como um instrumento de castigo. Sem dúvida isso se refere ao Império Babilônico que derrubou o Império Assírio. Nínive foi destruída em 612 a.C. e Nabucodonosor, rei da Babilônia, derrotou Faraó Neco, do Egito, em Carquemis, em 605 a.C. Os caldeus, que já estavam destruindo as nações vizinhas de Judá, haveriam de voltar-se contra Judá e seriam, nas mãos de Deus, um instrumento de castigo. Essa é a obra de que Deus diz: vós não crereis (5), tão incrível pareceria ela.

Habacuque luta com a seguinte questão: Por que Deus aparentemente permitiria que o mal ficasse impune entre as nações pagãs vizinhas e ao mesmo tempo traria a calamidade e o juízo sobre o Seu próprio povo por meio de tais nações?

Apesar da perversidade de Judá, o profeta parece perplexo. Por que Judá, diante das condições críticas, permaneceria em pecado gritante? Por que Deus mandaria um povo ainda mais perverso para conquistar uma nação que tinha ao menos um remanescente de crentes fiéis?

A queixa de Habacuque, em Hc 1.12-2.1 não é que Deus estava usando uma nação pagã para castigar outra, mas antes, que o Senhor estava usando uma nação pagã para punir Judá. A despeito da lei haver sido redescoberta no templo, em 621 A. C. (2Rs 22.8; Hc 1.4), o povo de Judá se desviava para a violência e para a injustiça.
Como resposta a estas e outras questões, Deus e o profeta têm um diálogo sobre a injustiça. Os caldeus igualmente enfrentarão a ira divina, o que é afirmado em cinco ais sobre os invasores por seus pecados, e, em alguns anos, a poderosa, rica, violenta e imoral Babilônia também cairia sob juízo.
Os cinco ais são: ai contra a agressão (Hc 2.6-8) ; ai contra a altivez (Hc 2.9-11); ai contra a violência (Hc 2.12-14) ; ai contra a desumanidade (Hc 2.15-17) ; ai contra a idolatria (Hc 2.18-20).
Habacuque, com oração e louvor, expressa sua fé persistente na gloriosa magnificência de Deus e em Seu poder para conquistar, decidindo regozijar-se Nele em qualquer circunstância (cap. 3).

Se o centro do Evangelho é a mudança e a transformação, o Livro de Habacuque demonstra essa renovação. No centro a mudança e no centro do livro, está o credo da fé: “O justo, pela sua fé, viverá” (2.4).

Esse versículo tem duas aplicações:
- Para o profeta, a promessa é de proteção física em tempos como aqueles. Quando a invasão, que foi profetizada, pelas forças estrangeiras se tornar realidade, aquele remanescente justo, cujo Deus é o SENHOR, cuja confiança e dependência estão Nele, será liberto, e eles viverão.
- Para os escritores do NT, como Paulo (Rm 1.17; Gl 3.11) e o autor de Hebreus (Hb 10.38), essa afirmação de fé confiante se torna uma demonstração do poder do Evangelho para dar a segurança da salvação eterna. A fé na salvação através de Jesus Cristo é a nossa garantia de vida. Para Martinho Lutero, o tema de Habacuque se torna o lema da Reforma.

Habacuque nos lembra que a pergunta “Por quê? ” pode e deve ser feita. Ele indaga a Deus sobre o aparente reinado da injustiça que ele vê ao seu redor. Por crer em Deus, ele crê que Deus tem uma resposta ao seu problema. Suas perguntas não mostram falta de fé, ateísmo. Ao contrário, mostram sua fé em Deus. Para um ateu, a pergunta “Por quê?” não tem sentido, mas para um crente, a pergunta “Por quê?” encontra a sua resposta definitiva em Deus.

O apóstolo Paulo toma a afirmação de Hc 2.4 e faz dela o centro do Evangelho. A justiça de Deus é somente atingida através da fé, para que a maneira correta de viver seja crer. Habacuque convoca todos os crentes, em todos os tempos, para crerem em Deus, para serem fiéis a Ele e, assim, encontrarem a vida do modo que Deus a fez para ser vivida.

Os versículos finais desta profecia ensinam que é possível se levantar acima das circunstâncias e até mesmo se alegrar nelas, através da visão direcionada para Deus, que está sobre todas as coisas. Habacuque não nega seus problemas, nem os trata delicadamente, ao invés disso, ele acha Deus capaz no meio dos seus problemas. Não precisamos compreender tudo que Deus faz, mas precisamos saber que é Deus que faz!¹

Em Gálatas, Paulo liga 2.4 com a recepção do Espírito Santo prometido através da fé (Gl 3.11-14). A pessoa justa vive pela sua fé em todos os aspectos da sua vida, incluindo a entrada dentro da vida do Espírito.

Na Bíblia de Estudo Plenitude, na nota sobre Hc 2.4 está escrito:
“O Talmude judaico diz: Moisés entregou 613 mandamentos. Davi reduziu-os a 10; Isaías, a 2; mas Habacuque, a um: O justo, pela sua fé, viverá.”

Habacuque contém 4 profecias distintas que foram, em sua maioria, cumpridas nos anos sucessivos de Judá ou no século VI a.C., quando Babilônia foi derrotada e absorvida no Império Medo-Persa. A descrição de Deus vindo em glória e poder (3.3-15) remonta às antigas vitórias de Israel em Canaã, mas pode sugerir algo do esplendor do retorno de Cristo.

Parece que a intenção da profecia era de ser lida e não de ser ouvida (Hc 2.2). Tem mais a natureza de um poema especulatório e meditativo do que um sermão ou discurso público. O salmo, no capítulo 3, evidentemente tinha o propósito de encorajar o povo de Deus em período de adversidade.
Alguns versículos de Habacuque
2
1 Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido.
2 Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo.
3 Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.
4 Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.
14 Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar .
18 Que aproveita a imagem de escultura, depois que a esculpiu o seu artífice? Ela é máscara e ensina mentira, para que quem a formou confie na sua obra, fazendo ídolos mudos?
19 Ai daquele que diz ao pau: Acorda! e à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberta de ouro e de prata, mas dentro dela não há espírito algum.
20 Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

3
2 Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia.
17 Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;
18 Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação.
19 O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda).


Fonte:
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude.