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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Você conhece a Bíblia? - Naum


Naum é o 34º Livro da Bíblia, sendo o 12º Livro Profético e o 7º Profeta Menor. Naum significa consolação ou conforto.
Contém 3 capítulos e 47 versículos.

35 versículos, ou 74%, são proféticos, com 33 deles dedicados à queda de Nínive e apenas dois relacionados a Israel. Todas as profecias sobre Nínive já foram cumpridas. Não há profecias messiânicas no livro, e apenas o versículo 1.15 contém uma profecia sobre eventos do fim dos tempos.


Autor e Data

Naum é desconhecido. A única informação sobre ele é que era elcosita. Mas ainda assim a localização de Elcos é incerta.
Cafarnaum, na Galiléia, tão proeminente no ministério de Jesus, significa Aldeia de Naum, o que leva alguns a especular, sem prova concreta, que seu nome deriva do profeta.

Como não há referências a reis contemporâneos, alguns estudiosos crêem que Naum profetizou durante o século VII a.C., pouco tempo antes de Nínive cair. Assim sendo, alguns acreditam que Naum profetizou a Judá durante os reinados de Manassés, Amom e Josias. Seus contemporâneos seriam Sofonias, Habacuque e Jeremias.

Em Na 3.8-10 ele narra o destino de Tebas (Nô-Amon), cidade egípcia destruída em 663 a.C. A queda de Nínive aconteceu em 612 a.C. A profecia de Naum deve ser pautada entre esses dois acontecimentos, pois ele olha para trás para um e à frente para o outro. É provável que a mensagem tenha sido entregue pouco tempo antes da queda do Império Assírio. Podemos estabelecer, como tentativa, a data da profecia, como entre 621 e 612 A. C.

Algo de Naum

A Assíria, com capital em Nínive, foi uma nação próspera por séculos. Localizava-se ao norte da Babilônia, entre e além dos rios Tigre e Eufrates (é claro que com conquistas e derrotas, esse território ficou diferente com o passar dos anos). Documentos antigos mostram a crueldade dos assírios contra seus inimigos. Lembra-se do que você estudou em História sobre os povos da Mesopotâmia?

Em 722 a.C., Oséias, o último dos reis do Reino do Norte, Israel, foi derrotado e os israelitas foram levados para o cativeiro pelas forças assírias. Também, naquele tempo, ameaçaram invadir Judá, o Reino do Sul. Somente a intervenção de Deus impediu que Jerusalém fosse profanada por Senaqueribe.

Então, mais de um século depois, o Império que cometeu muitas atrocidades e fez o mundo tremer com medo, que agiu como instrumento de Deus contra o Israel pecador, vacila à beira da justiça divina.
Em 612 a.C., os medos e os babilônios destruíram Nínive, cumprindo as profecias de Naum e Jonas.

A queda do Império Assírio e a destruição de sua capital em 612 a.C. é o assunto da profecia de Naum. O juízo que cai sobre o grande opressor do mundo é o único motivo da mensagem do profeta.

Claro que essa mensagem também trouxe conforto para Judá. A notícia da destruição do grande tirano do mundo veio como um alívio ao povo. Um livramento do terror da dominação dos assírios traria consigo um renovado sentimento da boa proteção de Deus. As duas faces da profecia, referentes à condenação e conforto, estão bem resumidas em 1.7-9.
Mas... Judá não deu atenção à advertência vista na queda da Assíria e na ascensão do Império da Babilônia. Judá continuou numa rebelião oral, resultando na sua queda em 586 a.C.

Muitos princípios de justiça e soberania divina aparecem no Livro. Deus não permite que o pecado e a injustiça permaneçam impunes. Sua majestade e glória são exaltadas no capítulo 1. No capítulo 2, a invasão e a destruição de Nínive são graficamente descritas. O capítulo 3 expressa as causas e as consequências da destruição da cidade.

O Deus dos profetas era tardio em irar-se, benigno, e longânimo, como fora para com Nínive com a pregação de Jonas anos antes, mas a contínua idolatria e perseguição de pessoas eram demais, e Nínive precisava ser julgada. O fato de que Ele ao culpado não tem por inocente se aplica tanto ao final desta era quanto a quando Ele destruiu aquela que, então, era a mais importante cidade na terra.

Naum retrata a seriedade do pecado na visão de Deus. Sua misericórdia e paciência fazem-no reter o julgamento por um tempo, mas Deus irá, finalmente, anunciar o dia de ajuste de contas. Quando o julgamento do Justo Juiz é desencadeado, nenhum poder humano ou super-humano pode resistir sua força. Seu domínio se estende sobre tudo o que existe, e Ele se assenta no trono como Juiz sobre indivíduos e nações.

Naum nos chama para uma séria auto-avaliação e nos adverte contra o sutil pecado de crer que a vida pode ser vivida longe da vontade e dos caminhos de Deus. Ele nos repreende por nos tornarmos excessivamente presumidos e seguros em nossa fé, pois a Assíria,uma vez usada por Deus (Is 10.-6), agora se torna o objeto da sua ira. As palavras mais assustadoras que alguém pode ouvir e experimentar são as dirigidas contra Nínive: "Eis que eu estou contra ti, diz o SENHOR" (2.13). Uma sincera auto-avaliação nos levaria a um arrependimento sincero.

O uso e abuso das outras pessoas são pecados aos olhos de Deus. A Assíria construiu um império através do saque, violência e crueldade. Erros pessoais ou de nações fundadas sobre o engano e a tirania são ofensivos ao Senhor e serão julgados por Ele. Uma vida de iniquidade conduzirá para isolamento não somente de outras pessoas, mas também de Deus, e Deus, finalmente, irá julgar (3.19).

O julgamento de Deus contra o ímpio é contrabalançado por sua misericórdia ao fiel. Ao arrogante, orgulhoso e rebelde, ele traz condenação, mas ao humilde, devoto e fiel, Ele leva conforto.
O tão esperado juízo de Deus sobre a Assíria ensina que a bondade e a justiça de Deus irão prevalecer, embora as circunstâncias possam parecer contraditórias. A Sua preocupação com Seu povo é incessante, embora, Ele possa, às vezes, parecer tardio em agir ou muito distante. O antídoto para o desânimo entre os crentes é uma visão revitalizada da pessoa e do poder de Deus. Um entendimento renovado de que a vingança é tarefa de Deus, não nossa. Uma fé verdadeira deixa o julgamento nas mãos de Deus.

O julgamento de Deus sobre o pecado e o pecador é verdadeiro, e isso deve nos estimular a renovarmos as missões.

Naum 3.19 mostra a comemoração feita pela queda de Nínive. Mais algo merece ainda maior celebração: através da crucificação do Cordeiro o pecado foi vencido. O julgamento de Deus sobre o mal e a impiedade aconteceu na cruz.

É claro que a maior prova da bondade de Deus também foi dada em Jesus Cristo. Deus é Bom! Jesus encarna a bondade de Deus. As boas-novas de paz são Ele. O julgamento de Deus contra o pecado foi satisfeito através do sacrifício de seu Filho.

Uma aplicação interessantíssima de Isaías 52.7 é feita pelo apóstolo Paulo em Romanos, que também pode ser uma aplicação de Naum 1.15.
Romanos 10:15 diz: “...Quão formosos os pés dos que anunciam o Evangelho da paz, dos que trazem alegres novas de boas coisas”. As afirmações semelhante formuladas de Naum e Isaías são uma clara profecia sobre o ministério de Jesus. A descrição poética que Naum faz da ruína de Nínive é semelhante à descrição bastante vívida que João apresenta da destruição futura de Babilônia (Ap 18).

A nota primária da mensagem de Naum é: "A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor". "O Senhor é um Deus zeloso e que toma vingança" (Na 1.2). A palavra "zeloso", neste passo, significa o intenso sentimento de Deus para com Seus inimigos. Naum apreendeu e declarou a grande verdade de que a ira de Deus é provocada pela iniquidade. Ele tolera os homens por longo tempo, mas Sua ira termina por ser despertada. Então Ele castiga aqueles que o têm provocado. Ele golpeia e leva a completo final. A ira de Deus é terrível e inescapável. Aquele que divide os céus escurecidos pela tempestade com lanças de faíscas e faz rachar as rochas, é um horrível adversário. O débil homem nada significa perante Ele. Os homens podem tomar conselho entre si. Podem dizer: "Somos fortes. Quem nos pode derrubar?" Mas Deus, tratará do caso deles. Não importa quão poderosos sejam, não importa quantos ajudadores possam ter, Deus infligir-lhes-á um golpe mortal. Tem havido outros mais fortes que eles. E foram derrubados. Assim também os inimigos de Deus sempre serão vencidos. Deus é Amor, é Bom, é Misericordioso, mas não podemos nos esquecer que Ele é Justo, é Santo, é Deus!

Naum é a única profecia do Antigo Testamento que é identificada como Livro (Na 1.1). Junto com Lamentações e Jonas, Naum termina com um ponto de interrogação.
Lembro-me de uma gincana na Igreja Batista Regular, quando eu era adolescente, e nosso presidente desafiou-nos a encontrar um versículo em Naum que descrevia a velocidade dos carros. Naum 2.4 diz que os carros se chocarão pelas ruas, e que correm como relâmpagos.

Fonte:
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude.