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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Período Intertestamentário


Como já mencionado em artigo anterior, quatrocentos anos se passaram entre Malaquias e o Novo Testamento.
Esse espaço de tempo é conhecido como Período Intertestamentário ou Período entre os Testamentos. Um termo bastante comum para esse período é “400 anos de Silêncio”, e você vai já saber por quê.

História

Obviamente não são todos os acontecimentos importantes do período que estão aqui relatados. Apenas os de interesse para a Terra Santa são mencionados. Acontecimentos como a ascensão e a morte de Júlio César não são citados.

Quando o Antigo Testamento terminou, o Império Persa governava sobre a Palestina.

Mas, Alexandre Magno (O Grande) conquista a Pérsia em 331 a.C. Junto veio a Judéia, e Alexandre tratou os judeus bem. Mas ao morrer em 323 a.C., o seu Império é dividido entre seus generais, que dividiram o grande Império Greco-Macedônico nos chamados “reinos helenísticos”. Os mais importantes para a História Bíblica foram o dos Lágidas (Ptolomeus) no Egito e o dos Selêucidas na Síria.

Após a morte de Alexandre, Ptolomeu I Soter dominou o Egito e a Palestina. Durante o reinado de Ptolomeu II Filadelfo, em Alexandria, setenta e dois sábios judeus traduziram o Antigo Testamento hebraico para o grego, a Septuaginta. Assim, o domínio dos ptolomeus sobre a Palestina foi de 323 a 198 a.C., pois os Selêucidas conquistaram a Palestina, e a governaram até 166 a.C.


(moeda com de Antíoco IV Epífanes)

E da dinastia dos Selêucidas saiu um dos principais inimigos de Israel de todos os governantes mundiais (tais como o Faraó que mandou matar as crianças em Êxodo e Adolf Hitler): Antíoco IV Epífanes (175-164 a.C.). No meio de uma guerra civil, ele marchou contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 a.C.). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários foram proibidos e um altar a Zeus foi erigido sobre o altar do holocausto (a abominação da desolação). Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçados a comer carne de porco. Uma porca foi oferecida sobre o altar do holocausto para ofender ainda mais os judeus.

Houve perseguições e lutas. O velho sacerdote Matatias e seus filhos se revoltaram. Após a morte do ancião, Judas, “o Macabeu”, assumiu a liderança. A família é citada nos livros apócrifos de Macabeus.
Por volta de 164 a.C., Judas reconquistou Jerusalém, purificou o templo e reinstituiu os sacrifícios diários.

Em 142 a.C. os israelitas conseguiram livrar-se do Império Selêucida e a família de Judas e seus descendentes, os asmoneus, governam a Palestina por pouco menos de um século, pois no ano 63 a.C. o general Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, e anexa a Terra Santa ao Império Romano.

Em 37 a.C., após retornar de Roma, Herodes, o Grande, torna-se rei dos judeus, investido pelo Senado e por Marco Antônio, e depois confirmado no poder por Augusto.

Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Ele era filho de pai idumeu e de mãe árabe. Nas Escrituras, é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.

Em 29 a.C., Augusto torna-se o primeiro imperador romano. Ele reinou até 14 d.C., sendo imperador quando Jesus Cristo nasceu (entre os anos 6 a 4 a.C.). Sucede-o Tibério como imperador.

Seitas Judaicas

O choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

Os Fariseus

Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. Eram muito rigorosos na obediência à lei de Moisés e a outros ritos e costumes que se agregaram com o passar do tempo. Foram leais à verdade, mas isso provocou orgulho e hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Foram críticos declarados de Jesus e desafiaram Sua autoridade divina (Mt 9.11, Jo 9.13), apesar de alguns o protegerem (Lc 13.31). Paulo era um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3.5).

Saduceus

O partido dos saduceus, provavelmente eram denominados assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (1Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23.3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. Eram menos numerosos que os fariseus, mas tinha maior força social. Apesar de inimigos dos fariseus, se uniram para combater Jesus (Mt 16.6).

Essênios

O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrituras, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.

O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.

Escribas

Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copistas da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.

Herodianos

Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.

Zelotes

Eram um partido político e religioso oposto ao Império Romano. Eram nacionalistas para quem o Messias seria um chefe político que os libertaria do jugo de Roma. Tomaram parte muito ativa no levante contra Roma dos anos 66-70 d.C. Simão, um dos Doze Apóstolos, era conhecido com esse qualificativo (Lc 6.15).

Quatrocentos anos de silêncio

O Período Intertestamentário é chamado de 400 anos de Silêncio. O motivo é que entre o fim do Antigo Testamento e o começo do Novo Testamento, nenhuma verdadeira voz profética se fez ouvir na Terra.

Durante esse período, muitos livros foram escritos: os apócrifos. Eles não tem autoridade reconhecida como Escrituras inspiradas. Podem ter até algum valor literárrio, mas não podem ser aceitos como divinamente inspirados. Muitas heresias e falsos ensinos são encontados nesses livros, como a oração pelos mortos que se baseia em um versículo de II Macabeus.

Depois da profecia condenatória e pungente de Malaquias, Israel passou por um período de quatrocentos anos em que Deus permaneceu em silêncio para com Seu povo. A profecia de Malaquias sobre João Batista (3.1. Mc 1.2) assinala a última vez que Deus falou ao Seu povo por meio de um profeta até que João Batista viesse a “preparar o caminho” de Cristo.


Apesar do fato de João Batista ser considerado o primeiro profeta depois de Malaquias, isso não é de todo verdade. Basta lembrar que Lucas 2.36 diz que Ana era profetisa. Isso logo após o nascimento do Messias.
A Palavra do SENHOR só voltou a ser ouvida pouco antes do advento do Rei, com os anúncios de Gabriel à Zacarias e Maria.