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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Você conhece a Bíblia? - Mateus


O Evangelho segundo Mateus é o 1º livro do Novo Testamento (como 1º Evangelho) e o 40º Livro da Bíblia.
Contém 28 capítulos e 1.067 versículos.

81 profecias específicas em 278 versículos, ou 26% do livro. Quarenta e sete passagens do Antigo Testamento são citadas em Mateus.

Escrito especialmente aos judeus para provar que Jesus, Yeshua, é o Messias ou Cristo profetizado, o Filho de Davi, Mateus O apresenta contra o pano de fundo das promessas, profecias, dos tipos e símbolos do Antigo Testamento, enfatizando Sua realeza.

Os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) formam um tipo singular de documento escrito. Cada evangelho apresenta uma visão ou perspectiva diferente da vida de Jesus Cristo. Mateus, Marcos e Lucas são chamados de Evangelhos Sinóticos, por apresentarem grande semelhança no conteúdo.
Apesar de cada Evangelho enfatizar um aspecto do Senhor, omitindo e acrescentando dados que valorizem suas afirmações principais, isso não significa que Cristo só seja visto como Rei em Mateus, como Servo em Marcos, como Homem em Lucas e como Deus em João. Antes, cada escritor, dirigido pelo Espírito Santo, além da característica principal, mostra todas as outras também: enfatiza algo, mas não esquece os demais aspectos em suas obras.

Dentro do livro, há vários discursos (5-7; 10; 13; 23-25), 25 parábolas e 17 milagres específicos. Dentre 66 referências e alusões ao Antigo Testamento, 41 citações específicas são feitas por Cristo.

Profecias aparecem ao longo do texto do primeiro evangelho (em ordem, não em tempo), algumas das quais cumpridas e outras não. De importância especial são as profecias aos Doze Apóstolos (cap. 10); as parábolas proféticas (caps. 13, 20, 22); a declaração sobre a Igreja (16.18); o Sermão Profético no Monte das Oliveiras (caps. 24, 25).

Data

Várias citações a este Evangelho se encontram na literatura cristã do séc. I. Líderes da Igreja dos séculos II e III geralmente concordam que Mateus foi o primeiro Evangelho a ser escrito, e várias declarações em seus escritos atestam uma data entre 50 e 65 d.C. Papias, Irineu, Orígenes e Eusébio atestam a autoria de Mateus, o publicano. Agostinho o defendia como o mais antigo,e por isso merecedor de ser o primeiro na ordem bíblica. Mas estudiosos modernos acreditam que Mateus e Lucas se basearam em Marcos para escrever seus Evangelhos, e datam Mateus posteriormente.

Os Pais da Igreja afirmam que este Evangelho foi escrito primeiro em aramaico e depois traduzido para o grego. Mas apesar das evidências sobre a existência do original em aramaico, apenas foram encontradas cópias e fragmentos em grego. Entretanto, não se duvida que o texto grego que dispomos hoje em dia é o mesmo que circulou entre as igrejas no século I.
Não é possível fixar com exatidão o lugar da composição do Evangelho. Muitos pensam que pode ter sido escrito em terras da Síria, talvez em Antioquia.

Algo de Mateus

O Evangelho de Mateus começa identificando Jesus como Filho de Abraão, Filho de Davi e herdeiro ao trono real de Israel, o Rei legítimo. Todo o Evangelho enfatiza que Jesus é Emanuel – Deus Conosco.

Mateus mostra como Jesus cumpriu a profecia do AT, como a Lei ganhou um novo significado e foi completada na pessoa, palavras e obra de Cristo. Mateus também salienta como a rejeição de Cristo por Israel está de acordo com a profecia, e como essa rejeição causou a transferência dos privilégios divinos das pessoas escolhidas pelos judeus para a comunidade cristã. O reino de Deus foi tirado deles e dado a uma nação que dará seus frutos (21.43).

Mateus agrupa os ensinamentos e os atos de Jesus em cinco partes. Cada divisão termina com a fórmula “Concluindo Jesus estes discursos...” (7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1).
No prólogo (1.1 – 2.23), Mateus mostra a genealogia provando que Ele era descendente de Davi e o nascimento Dele. A primeira parte (caps. 3 – 7) contém o Sermão da Montanha, falando sobre o comportamento daqueles que são do Reino de Deus. A segunda parte (8.1 – 11.1) mostra as instruções do Rei a Seus discípulos quando Ele os enviou para a viagem missionária. A terceira parte (11.2 – 13.52) registra várias controvérsias nas quais Ele esteve envolvido e sete parábolas descrevendo aspectos do Reino de Deus. O principal discurso na quarta parte (13.53 – 18.35) aborda a conduta dos crentes dentro da sociedade cristã (cap. 18). A quinta parte (19.1 – 25.46) narra a viagem final de Jesus a Jerusalém e seu conflito climático com o Judaísmo. Os caps. 24 – 25 ensinam sobre as últimas coisas. O restante do livro (26.1 – 28.20) detalha acontecimentos e ensinamentos relacionados à crucificação, à ressurreição e à comissão do Senhor à Igreja.

Jesus é o cumprimento de todas as expectativas e esperanças messiânicas. Mateus estrutura cuidadosamente suas narrativas para revelar Jesus como cumpridor de profecias específicas. Ele impregna seu Evangelho com citações e com alusões do Antigo Testamento, introduzindo muitas delas com a fórmula “para que se cumprisse”. Com essas citações que demonstram o cumprimento delas no Ungido, Mateus, mais do que Marcos ou Lucas, faz citações abundantes da Lei e dos Profetas e, com frequência, da fé em tradições e práticas religiosas dos judeus vigentes na época (15.2; 23.5,16-23).

O povo judeu não compreendeu cabalmente a categoria espiritual nem a profundidade da obra realizada por Jesus em obediência perfeita à vontade de Deus. A rejeição de Jesus, o Cristo (termo grego que em hebraico corresponde à Messias, que significa Ungido nas duas línguas), por parte do Judaísmo, projetou a mensagem evangélica ao mundo gentio, revelando desse modo seu sentido universal.
O ensino sobre o sacrífico voluntário do Ungido a favor da humanidade era totalmente desconhecido dos judeus do primeiro século de nossa era. Os cristãos que leem Isaías 53 veem a pessoa do Messias ali. Porém, os judeus não observavam a descrição do Servo Sofredor e davam atenção às promessas de um Messias que viria com grande poder e glória. Os judeus esperavam ansiosamente pelo Filho de Davi, um Rei. O Messias que eles esperavam era um poderoso guerreiro que os livraria do jugo estrangeiro, reinaria sobre eles e traria dias de glória à nação. Tanto a mensagem quanto a pessoa de Yeshua foram totalmente incompreendidas por todos, Seus compatriotas, contemporâneos e mesmo pelos Seus discípulos. 

No Evangelho, Jesus normalmente faz alusão a si mesmo como o Filho do Homem, uma referência velada ao seu caráter messiânico. O termo permitiu a Ele evitar mal-entendidos comuns originados de títulos messiânicos mais populares e interpretar Sua missão de redenção (como em 17.12,22; 20.28; 26.24) e Seu retorno na glória (como em 13.41; 16.27; 19.28; 24.30,44; 26.64).

O uso do título Filho de Deus por Mateus sublinha claramente a divindade de Jesus (1.23; 2.15; 3.17; 16.16). Como o Filho, Jesus tem um relacionamento direto e sem mediações com o Pai (11.27).

Mateus apresenta Jesus como Senhor e Mestre da Igreja, que é chamada a viver nova ética do Reino dos céus. Jesus declara a Igreja como Seu instrumento selecionado para cumprir os objetivos de Deus na Terra (16.18; 18.15,20). O Evangelho de Mateus pode ter servido como manual de ensino para a Igreja antiga, incluindo a Grande Comissão (28.12-20), onde os discípulos são ordenados a ir e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em obediência a esta missão, os discípulos de Yeshua tem garantida sua constante presença com eles.

Mateus também nos apresenta Jesus como intérprete infalível das Escrituras. Ele é o Mestre sem igual, que a partir da verdade e da autenticidade descobre a falsidade de certas atitudes humanas aparentemente piedosas, mas, na realidade, cheias de avidez para receber o aplauso público (6.1). Recordemos a crítica de Jesus quanto a dar esmolas a toque de trombeta (6.2-4), a respeito da vaidosa ostentação das orações feitas nos cantos das praças (6.5-8; 23.14) e a hipocrisia dos jejuns praticados com o propósito primordial de impressionar o povo (6.16-18).

O tema predominante na pregação do Senhor é o Reino de Deus (9.35), geralmente designado neste Evangelho como Reino dos Céus e focalizado na sua dupla realidade, presente (4.17; 12.28) e futura (16.28). A proclamação da proximidade do Reino é também o anúncio de que Jesus encarrega Seus discípulos (10.7), aos quais, depois de ressuscitado, prometeu a Sua permanência duradoura no meio deles: Ele está conosco todos os dias (28.20).

A atividade do Espírito Santo é evidente em cada fase da vida e ministério de Yeshua. Foi por meio do poder do Espírito que Jesus foi concebido no ventre da virgem, Maria (1.18,20).
Ele foi tomado pelo Espírito de Deus (3.16) antes de começar Seu ministério público e levado ao deserto para ser tentado (4.1). O poder do Espírito habilitou Jesus a curar (12.15-21) e a expulsar demônios (12.28).

Assim como João imergia seus seguidores na água, Jesus imergirá Seus discípulos no Espírito Santo (3.11). Em 7.21-23 encontramos uma séria advertência dirigida contra os falsos pentecostais/renovados/carismáticos, aqueles que, na Igreja, profetizam, expulsam demônios e fazem milagres, mas não fazem a vontade do Pai. Presumivelmente, o mesmo Espírito que inspira atividades carismáticas também deve permitir que as pessoas da Igreja façam a vontade do Pai (7.21).

Jesus declarou que Suas obras eram feitas sob o poder do Espírito Santo, evidenciando que o Reino de Deus havia chegado e que o poder de satanás estava sendo derrotado. Portanto, atribuir o poder do Espírito Santo ao Diabo era cometer um pecado imperdoável (12.28-32).
Em 12.28, o Espírito Santo está ligado às expulsões de demônios realizadas por Jesus e à presente realidade do Reino de Deus, não apenas pelo fato da expulsão em si, pois os filhos dos fariseus (discípulos) também praticavam exorcismo (12.27). Mais precisamente, o Espírito está executando um novo acontecimento com o Messias – é chegado o Reino de Deus (v. 28).

Os trechos seguintes são peculiares a Mateus: a narrativa do nascimento e da infância (1.18 a 2.23); a introdução geral ao ministério na Galileia (4.23-25); a referência a Is 53.4 (8.17); a cura dos dois cegos e um mudo endemoninhado e a alusão às ovelhas que não têm pastor (9.27-38); o convite aos cansados e oprimidos (11.28-30); a referência a Is 42.1-4 (12.15-21); a parábola do trigo e do joio e do tesouro escondido, a da pérola de grande valor, e a da rede lançada ao mar (13.24-30,34-50); a referência geral ao ministério da cura (15.29-31); a descoberta do dinheiro na boca dum peixe (17.24-27); o ensino sobre as crianças e anjos de guarda (18.10-11); os ensinos a respeito da reconciliação, oração e perdão (18.15-35); o ensino sobre eunucos (19.10-12); a parábola dos trabalhadores na vinha (20.1-16); a parábola dos dois filhos (21.28-32); a censura aos fariseus (23); certos trechos do discurso apocalíptico, que é muito mais amplo neste do que nos outros Evangelhos sinóticos (24); a parábola das dez virgens (25.1-13); o juízo dos bodes e ovelhas (25.31-46); o suicídio de Judas (27.1-10); a ressurreição dos santos (27.52-53); a guarda posta ao sepulcro (27.62-66); o boato falso do roubo do corpo de Jesus e a grande comissão (28.11-20).

Fontes:
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude;
- Novo Testamento King James Edição de Estudo;
- Bíblia de Estudo Almeida.