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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Você conhece a Bíblia? - Marcos


O Evangelho segundo Marcos é o 2º Evangelho, sendo o 2º livro do Novo Testamento e o 41º da Bíblia.
Marcos contém 16 capítulos e 662 versículos.

Contém cinquenta profecias distintas, inclusive os mistérios proféticos do Reino (cap. 14), a parábola dos lavradores da vinha que mataram o filho do proprietário (cap. 12) e a versão condensada do Sermão Profético.
Material profético está contido em 125 versículos, ou 19% do livro. Há 22 citações do Antigo Testamento em Marcos, a maioria pelo próprio Jesus.


Os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) formam um tipo singular de documento escrito. Cada evangelho apresenta uma visão ou perspectiva diferente da vida de Jesus Cristo. Mateus, Marcos e Lucas são chamados de Evangelhos Sinóticos, por apresentarem grande semelhança no conteúdo. O Evangelho de Marcos foi escrito para gentios, especialmente os romanos e apresenta Jesus como Servo.
Apesar de cada Evangelho enfatizar um aspecto do Senhor, omitindo e acrescentando dados que valorizem suas afirmações principais, isso não significa que Cristo só seja visto como Rei em Mateus, como Servo em Marcos, como Homem em Lucas e como Deus em João. Antes, cada escritor, dirigido pelo Espírito Santo, além da característica principal, mostra todas as outras também: enfatiza algo, mas não esquece os demais aspectos em suas obras.

Data

Os Pais da Igreja acreditavam que o Evangelho segundo Mateus teria sido o primeiro escrito. Mas teólogos e biblistas modernos afirmam unanimemente que o Evangelho de Marcos foi o primeiro dos Evangelhos a ser escrito. Isso por volta da década de 50 d.C e antes da tomada de Jerusalém por Tito em 70.

O mais antigo testemunho da autoria de Marcos tem origem em Papias, bispo da Igreja de Hierápolis (cerca de 135-140 d.C.), testemunho preservado na História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia: Marcos, agindo como intérprete de Pedro, foi encarregado posteriormente de escrever a sua pregação. Os pais da Igreja atribuíram coerentemente o Evangelho a Marcos: não só Papias, mas também Justino Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes, Eusébio e Jerônimo se referem à autoria de Marcos.
O Evangelho segundo Marcos consiste basicamente na pregação e no ensino do apóstolo Pedro, ordenada e interpretada por Marcos. Com a autoridade apostólica de Pedro subjazendo este livro sagrado, ele jamais sofreu qualquer contestação à sua inclusão no cânon das Escrituras.

Alguns Pais da Igreja, como Irineu e Clemente de Alexandria, contam que Marcos, o mais curto dos Evangelhos, foi escrito em Roma. Marcos se concentra nas ações do Cristo, frequentemente usando os termos logo e a seguir (vindo de uma única palavra do grego). O Evangelho de Marcos é simples, claro e conciso, e rico em pequenas nuanças e detalhes sutis que dão ao leitor a sensação de que Marcos foi uma importante testemunha ocular dos relatos que menciona.

Algo de Marcos

Após a introdução (1.1-13), Marcos narra o batismo e o ministério público de Jesus na Galileia (1.14 – 9;50) e Judeia (caps. 10 – 13), culminando na paixão e ressurreição (caps. 14 – 16). O Evangelho pode ser visto como duas metades unidas pela confissão de Pedro de que Jesus era o Messias (8.27-30) e pelo primeiro anúncio de Jesus de Sua crucificação (8.31).

Marcos abre sua obra com o título “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1.1) cuja mensagem constitui as boas novas. O objetivo deste livro é apresentá-Lo como um Servo humilde, constantemente fazendo a obra de Seu Pai. Tanto o batismo quanto a transfiguração testemunham sua qualidade de Filho (1.11; 9.7). Em duas ocasiões, os espíritos imundos o reconhecem como Filho de Deus (3.11; 5.7; 1.24,34). A parábola dos lavradores malvados (12.6) faz menção à condição de Filho divino de Jesus (12.6). A narrativa da crucificação termina com a confissão do centurião: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus” (15.39).

Marcos, como menor dos Evangelhos, não contém nenhuma genealogia e explicação do nascimento do Messias. As cenas de ações do Cordeiro movem-se rapidamente, de uma para outra. O Evangelho de João é um retrato estudado do Senhor, Mateus e Lucas apresentam algo como uma série de imagens coloridas, enquanto o Evangelho de Marcos é como um filme da vida de Jesus. Marcos destaca a atividade dos registros mediante o uso da palavra grega eutheos, que costuma ser traduzida por “imediatamente”. A palavra ocorre 42 vezes em Marcos, mais do que em todo o resto do NT. O uso frequente do imperfeito por Marcos, denotando ação contínua, também torna a narrativa mais rápida.

Os gestos e olhares de Jesus recebem atenção fora do comum. Existem muitos latinismos no Evangelho (ver 4.21; 12.14; 6.27; 15.39). Marcos enfatiza pouco a lei e os costumes judaicos, e sempre os interpreta para o leitor quando os menciona. Essa característica apoia a tradição de que Marcos escreveu para romanos e demais gentios.

O título que Jesus usava com frequência para Si próprio, num total de catorze vezes em Marcos, é Filho do Homem. Esta designação para o Messias (Dn 7.13) não era tão popular para os judeus quanto o altamente nacionalista Filho de Davi. Jesus escolhe o título Filho do Homem para revelar e para esconder Seu messianismo e relacionar-se tanto com Deus quanto com o homem.

A personalidade de Jesus não satisfaz às expectativas judaicas, pois longe de apresentar-se como Messias político e militar, o faz como um homem humilde cuja atividade e ensinamentos não correspondem à imagem triunfante de um libertador nacional.

O ponto culminante dos quatro Evangelhos está na paixão, crucificação e ressurreição de Jesus. O Senhor anuncia três vezes esses acontecimentos aos Seus discípulos. Os discípulos não compreenderam até o último momento que o sacrifício de Yeshua Ha Mashiach fazia parte do plano de salvação de que Deus o havia incumbido (8.32-38; 16.19-20).

O Evangelho de Marcos ensina que a vida do discipulado significa seguir Jesus pelo mesmo caminho de mal-entendido e rejeição que Ele encontrou. Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque qualquer um que perder a sua vida por amor de Mim e do Evangelho, esse a salvará (Mc 8.34-35).

Marcos ressalta a necessidade de fé na pessoa, mensagem e poder de Jesus para ajudar os que precisam (1.15; 2.5; 4.40; 5.34,36; 6.6; 9.19; 1.22-24). O oposto dessa fé está nos corações endurecidos (3.5; 7.14-23; 8.17). O Cristo encarnado que Marcos expõe é Alguém disposto e que é capaz de ajudar aqueles em extrema necessidade.

O Evangelho de Marcos garante aos trabalhadores cristãos de todas as gerações que os mesmos milagres testemunhados que conferiram poderes aos ministérios dos apóstolos permanecerão como características do povo de Deus sob o NT (16.17-18).

Marcos demonstra as reivindicações messiânicas de Jesus destacando Sua autoridade como Mestre (1.22) e Sua autoridade sobre Satanás e os espíritos imundos (1.27; 3.19-30), o pecado (2.1-12), o sábado (2.27-28; 3.1-6), a natureza (4.35-41; 6.45-52), a doença (5.21-34), a morte (5.35-43), as tradições legalistas (7.1-13, 14-20), e o templo (11.15-18).

Junto com os outros escritores do Evangelho, Marcos recorda a profecia de João Batista de que Jesus “vos batizará com o Espírito Santo” (1.8). Os crentes seriam totalmente imersos no Espírito, como os seguidores de João o eram nas águas do rio Jordão.

O Espírito Santo desceu sobre Jesus em Seu batismo (1.10), habilitando-o para seu trabalho messiânico de cumprimento da profecia de Isaías (Is 42.1; 48.16; 61.1-2). A narração do ministério subsequente de Cristo testemunha o fato de que Seus milagres e ensinamentos resultaram da unção do Espírito Santo.

Marcos declara que o Espírito impeliu Jesus para o deserto (1.12) para que fosse tentado, sugerindo a urgência por encontrar e vencer as tentações de Satanás, que queria corrompê-Lo antes que Ele embarcasse em Sua missão de destruir o poder do inimigo nos outros.

O pecado contra o Espírito Santo é colocado em contraste com “todos os pecados” (3.28), pois esses pecados e blasfêmias podem ser perdoados. O contexto define o significado dessa verdade assustadora. Os escribas blasfemaram contra o Espírito Santo ao atribuírem a Satanás a expulsão dos demônios, que Jesus realizava pela ação do Espírito Santo (3.22). Sua visão prejudicada tornou-os incapazes do verdadeiro discernimento. A explicação de Marcos confirma o motivo de Jesus ter feito essa grave declaração (3.30).

Jesus também se refere à inspiração do AT pelo Espírito Santo (12.36). Um grande estímulo aos crentes que enfrentam a hostilidade de autoridades injustas é a garantia do Senhor de que o Espírito Santo falará através deles quando testemunharem de Cristo (13.11).

Fontes:
- Bíblia de Estudo Profética;
- Bíblia de Estudo Plenitude;
- Novo Testamento King James Edição de Estudo;
- Bíblia de Estudo Almeida.