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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Você conhece a Bíblia? - Lucas


O Evangelho segundo Lucas é o terceiro Evangelho, o 3º livro do Novo Testamento, e o 42º livro da Bíblia.
Possui 24 capítulos e 1.146 versículos. Há 75 profecias distintas em 250 versículos, ou seja, 22% do conteúdo do livro. Há 24 citações do Antigo Testamento em Lucas.
As profecias incluem a profecia de Cristo sobre Sua morte e ressurreição e Sua segunda vinda (9.22–26; 17.20-37). A Segunda vinda de Cristo é mencionada novamente em 21.8–36, junto com as predições da destruição de Jerusalém, dos tempos dos gentios e da Tribulação futura (Mt 24; Mc 13).

Os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) formam um tipo singular de documento escrito. Cada evangelho apresenta uma visão ou perspectiva diferente da vida de Jesus Cristo. Mateus, Marcos e Lucas são chamados de Evangelhos Sinóticos, por apresentarem grande semelhança no conteúdo. O Evangelho de Lucas foi escrito para os gentios e apresenta Jesus como o Filho do Homem.
Apesar de cada Evangelho enfatizar um aspecto do Senhor, omitindo e acrescentando dados que valorizem suas afirmações principais, isso não significa que Cristo só seja visto como Rei em Mateus, como Servo em Marcos, como Homem em Lucas e como Deus em João. Antes, cada escritor, dirigido pelo Espírito Santo, além da característica principal, mostra todas as outras também: enfatiza algo, mas não esquece os demais aspectos em suas obras.



Autor e Data

Tanto o estilo quanto a linguagem oferecem evidências convincentes de que a mesma pessoa escreveu Lucas e Atos. “O primeiro tratado” em At 1.1 é uma referência ao terceiro evangelho, como o primeiro de uma série de dois volumes. Ambos os livros são dedicados a Teófilo (cujo nome significa “aquele que ama a Deus”), o que também confirma solidamente um autor comum.
A tradição da Igreja atribui com unanimidade essas duas obras a Lucas, e, como as evidências internas sustentam esse ponto de vista, não há motivos para contestar a autoria de Lucas.

Lucas era um verdadeiro historiador: os primeiros versículos do Evangelho mostram que ele fez uma pesquisa detalhada para poder compor essa importante obra para informar Teófilo, para mostrar a autenticidade e fidedignidade da mensagem cristã. O Evangelista dá um testemunho de fé sobre o Salvador do mundo.

Eruditos que aceitam que Lucas usou o Evangelho de Marcos como fonte para escrever seu próprio relato datam Lc por volta do ano 70 d.C. Outros, entretanto, salientam que Lucas o escreveu antes de Atos, que ele escreveu durante o primeiro encarceramento de Paulo pelos romanos, cerca de 63 dC. Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso lá (At 27.1), ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em 1.1-4. Se for este o caso, então o Evangelho de Lucas pode ser datado por volta de 59-60 d.C, mas no máximo até 75 d.C.

Lucas tinha completo domínio da língua grega de época. Seu vocabulário é amplo e rico, e seu estilo, algumas vezes, se aproxima do grego clássico, como ocorre logo no prefácio, ao passo que em outras ocasiões assume um tom bem semítico (1.5–2.52), assemelhando-se à Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o grego). Seu vocabulário é sensível à cultura e geografia de cada lugar sobre o qual narra fatos passados.

Algo de Lucas

Lucas afirma claramente que seu propósito ao escrever esse Evangelho é proporcionar um relato “por sua ordem” (1.3) “acerca de tudo que Jesus começou não só a fazer, mas a ensinar (At 1.1) de modo que Teófilo possa ter evidência histórica dos ensinamentos que recebeu (1.4).
Enquanto o Evangelho é especificamente direcionado a uma única pessoa, provavelmente um alto funcionário, seu intuito é dar a todos os crentes a garantia de que o Cristianismo não é um dos muitos sistemas especulativos que procuram valores teológicos ou éticos, mas que esse movimento está ligado a um acontecimento histórico, verdadeiro, real.

Lucas firma a certeza/precisão de sua obra em quatro razões: 1) sua preocupação com as antigas origens, dando prioridade às testemunhas que as presenciaram (v. 2); 2) seu intuito de ser compreensivo: “tudo”; 3) cronológico: “por sua ordem”; 4) preciso: “a certeza”.

Ao atingir seu objetivo, Lucas traça em seus dois volumes o movimento cristão desde o início com Jesus de Nazaré até seu desenvolvimento numa fraternidade universal, que ultrapassa os limites da nação judaica e abrange os judeus e os gentios imparcialmente. Lucas mostra que Jesus, Yeshua, não é um mero Messias judeu, mas o Salvador de toda a humanidade.

Essa é uma característica distinta do Evangelho de Lucas: sua ênfase na universalidade da mensagem cristã. De 2.32, quando no cântico de Simeão, ele louva Jesus como luz para as nações, até 24.47, com o comissionamento do Senhor ressuscitado para que se pregasse em todas as nações, Lucas realça o fato de que Jesus não é apenas o Libertador dos judeus, mas também o Salvador de todo o mundo.

A fim de sustentar esse tema, Lucas exclui muito material que é estritamente de caráter judaico. Por exemplo, ele não inclui o pronunciamento de condenação de Jesus aos escribas e fariseus (Mt 23), nem a discussão sobre a tradição judaica (Mt 15.1-20; Mc 7.1-23). Lucas também exclui os ensinamentos de Jesus no Sermão da Montanha que tratam diretamente do seu relacionamento com a Lei (Mt 5.21-48; 6.1-8, 16-18) e omite as instruções de Jesus aos Doze para se absterem de ministrar aos gentios e samaritanos (Mt 10.5).

Por outro lado, Lucas inclui muitas características que demonstram universalidade. Ele enquadra o nascimento de Jesus em um contexto romano (2.1-2; 3.1), mostrando que o que ele registra tem significado para todas as pessoas. Mateus mostra a linhagem de Jesus desde Abraão, mas Lucas volta até o primeiro homem, Adão, ligando o Senhor a toda a raça humana.

Porém, ele enfatiza as raízes judaicas de Jesus. Lucas registra a anunciação a Zacarias e Maria, os cânticos de Isabel e Maria, o nascimento e infância de João Batista, o nascimento de Jesus, a visita dos pastores, a circuncisão do bebê e Sua apresentação no templo, detalhes da infância do Salvador e até alguns pensamentos íntimos de Maria. O fato de registrar a circuncisão e apresentação de Jesus, ordenanças da Lei, mostram a identidade judia do Messias. Somente ele relata o nascimento e a infância de Jesus no contexto de judeus piedosos como Simeão, Ana, Zacarias e Isabel, que estavam entre os fiéis restantes “esperando a consolação de Israel” (2.25). Por todo o Evangelho, Lucas deixa claro que Jesus é o cumprimento das esperanças do Antigo Testamento relacionadas com a salvação.

Um versículo chave do evangelho de Lucas é o 19.10, que declara que Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido. Ao apresentar Jesus como Salvador de todos os tipos de pessoas, Lucas inclui material não encontrado nos outros evangelhos, como o relato do fariseu e da pecadora (7.36-50); as parábolas da ovelha e da dracma perdidas e do filho pródigo (cap. 15); a parábola do fariseu e o publicano (18.9-14); a história de Zaqueu (19.1-10); e o perdão do ladrão na cruz (23.39-43).
Lucas ressalta as advertências de Jesus sobre o perigo dos ricos e a simpatia dele pelos pobres (1.53; 4.18; 6.20-21, 24-25; 12.13-21; 14.13; 16.19-31; 19.1-10).

Este evangelho tem mais referências à oração do que os outros evangelhos. Lucas ressalta especialmente a vida de oração de Jesus, registrando sete ocasiões em que Jesus orou que não são encontrados em mais nenhum outro lugar (3.21; 5.16; 6.12; 9.18,29; 11.1; 23.34,46). Só Lucas tem as lições do Senhor sobre a oração ensinada nas parábolas do amigo importuno (18.9-14); do juiz iníquo (18.1-8); e do fariseu e do publicano (18.9-14). Além disso, o evangelho é abundante em notas de louvor e ação de graças (1.28,46-56,68-79; 2.14,20, 29-32; 5.25-26; 7.16; 13.13; 17.15; 18.43). O cântico de Maria (1.46–55), a virgem que recebeu a graça de ser mãe do Salvador, é chamado de Magnificat (Engrandece, em latim), enquanto o de Zacarias (1.68–79) é chamado de Benedictus (Bendito, a primeira palavra em latim), o dos anjos é conhecido como Gloria in Excelis Deo (2.14), e o de Simeão (2.29–32), de Nunc dimittis (Agora podes despedir, em latim).

Além de apresentar Jesus como o Salvador do mundo, Lucas dá os seguintes testemunhos sobre ele:
Jesus é o profeta cujo papel equipara-se ao Servo e Messias (4.24; 7.16,39; 919; 24.19).
Jesus é o homem ideal, o perfeito salvador da humanidade pecadora. O título “Filho do Homem” é visto 26 vezes no evangelho. A expressão destaca a humanidade de Cristo em contraste com a expressão “Filho de Deus”, que ressalta Sua divindade, mas também descreve Jesus como o Homem perfeito, ideal, o verdadeiro representante de toda a raça humana.
Jesus é o Messias. Lucas não apenas afirma sua identidade messiânica, mas também tem o cuidado de definir a natureza de seu messianismo. Jesus é, por excelência, o Servo que se dispõe firmemente a ir a Jerusalém cumprir seu papel (9.31.51). Jesus é o filho de Davi (20.41-44), o Filho do Homem (5.24) e o Servo Sofredor (4.17-19, que foi contado com os transgressores (22.37).
Jesus é o Senhor exaltado. Lucas refere-se a Jesus como “Senhor” dezoito vezes em seu evangelho (cinquenta vezes em Atos dos Apóstolos). Mesmo que o título passe a ter um novo significado após a Ressurreição (At 2.36), denota a pessoa divina de Jesus mesmo durante Seu ministério terreno.
Jesus é o amigo dos proscritos humildes. Ele é constantemente bondoso para com os rejeitados pela sociedade – pecadores publicamente reconhecidos, samaritanos, gentios e os pobres. Sua atitude em relação às mulheres, numa era patriarcal, também é positiva e sensível. Lucas inclui muito material que sublinha o ministério positivo de Jesus de bondade e simpatia para com esses grupos.

Há dezessete referências explícitas ao Espírito Santo, ressaltando sua obra tanto na vida de Jesus quanto no ministério continuo da igreja.

Em primeiro lugar, a ação do Espírito é vista na vida de várias pessoas fiéis, relacionadas ao nascimento de João Batista e Jesus (1.35,41, 67; 2.25-27), bem como no fato de João ter cumprido seu ministério sob a unção do Espírito Santo (1.15). O mesmo Espírito capacitou Jesus para cumprir seu ministério.

Em segundo lugar, o Espírito Santo capacita Jesus para cumprir seu ministério — o Messias ungido pelo Espírito Santo. Nos caps. 3–4, há cinco referencias ao Espírito, usadas com força progressiva.
1) O Espírito desce sobre Jesus em forma corpórea, como uma pomba (3.22);
2) Ele leva Jesus ao deserto para ser tentado (4.1);
3) Após sua vitória sobre a tentação, Jesus volta para a Galiléia no poder do mesmo Santo Espírito (4.14)
4) Na sinagoga de Nazaré, Jesus lê a passagem messiânica: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” (4.18; Is 61.1-2), reivindicando o cumprimento nele (4.21).
5) A evidência do poder do Espírito em seu ministério carismático está repleta (4.31-44) e continua em todo seu ministério de poder e compaixão.

Em terceiro lugar, o Espírito Santo, através de oração de petição leva a cabo o ministério messiânico. Em momentos críticos daquele ministério, Jesus ora antes, durante ou depois do acontecimento crucial (3.21; 6.12; 9.18,28; 10.21).
O mesmo Espírito Santo que foi eficaz através de orações de Jesus dará poder as orações dos discípulos (18.1-8) e ligará o ministério messiânico de Jesus ao ministério poderoso deles através da Igreja (24.48.49).

Em quarto lugar, o Espírito Santo espalha alegria tanto a Jesus como à nova comunidade. Cinco palavras gregas denotando alegria ou exultação são usadas duas vezes com mais frequência tanto em Lucas como em Mateus ou Marcos. Quando os discípulos voltam com alegria de sua missão (10.17), “Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse...” (10.21). Enquanto os discípulos estão esperando pelo Espírito prometido (24.49), “adorando-O eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus” (24.52-53).

Os sofrimentos, a morte e a ressurreição do Senhor (22.47–24.49) constituem o ponto culminante dos quatro Evangelhos, cada um dos quais traz alguma informação exclusiva que não se encontra nos demais. No caso de Lucas, destaca-se como informação própria a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos no caminho de Emaús (24.13–35). Pra eles o Senhor explica como havia cumprido muitas profecias. Um deles é identificado como Cleopas, que é tido como irmão de José, o marido de Maria, e alguns acham que o outro é o próprio Lucas.

Ninguém que lê este livro deve achar que está além do alcance do evangelho da salvação. Por todo o livro, Lucas apresenta Yeshua como o Salvador do mundo todo. Como já dito, do cântico de Simeão até a ordem do Senhor Ressurreto para se pregar o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as naçõe, em Seu Nome, isso é verdadeiro.

Lucas enfatiza o fato de que o Evangelho (a Boa Nova) não é apenas para os judeus, mas para todos os povos – gregos, romanos, samaritanos, e todos os outros, sem levar em conta raça ou condição. Não é só para os homens, mas também para as mulheres, incluindo viúvas e prostitutas, crianças, bem como para os proeminentes socialmente. Não apenas para os homens livres, mas também para os escravos e todos os rejeitados pela sociedade – os pobres humildes, os fracos indefesos, o ladrão crucificado, o pecador proscrito, o publicano desprezado.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética, Editora Hagnos
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil
– Novo Testamento King James Edição de Estudo.