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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Você conhece a Bíblia? - Atos dos Apóstolos


Atos dos Apóstolos é o único Livro Histórico do Novo Testamento, o 5º livro do Novo Testamento e o 44º livro da Bíblia.
Atos possui 28 capítulos e 1.003 versículos. 63 profecias são registradas, envolvendo 125 versículos, ou 13% do livro. Aproximadamente metade das 63 profecias distintas foram cumpridas no período contemporâneo ao livro. Atos dos Apóstolos contém 31 citações do Antigo Testamento.

Importantes profecias futuras incluem a promessa da volta de Cristo (1.11; 3.18-26), os tempos de “refrigério” e “restauração” para Israel, e a ressurreição e o Dia do Juízo (17.30-32).

Autor e Data

O livro de Atos não menciona especificamente seu autor, mas é unânime a aceitação do médico amado (Cl 4.14) como seu autor, o mesmo autor do Evangelho de Lucas. Lucas e os Atos são dedicados à mesma pessoa: Teófilo, o que fortalece o entendimento de que ambos tem o mesmo autor.
O mais antigo testemunho externo sobre Lucas, como autor de Atos, aparece no Cânon Muratório, por volta de 170 d.C. Em 325 d.C., Eusébio, bispo de Cesaréia, na “História Eclesiástica”, reafirma categoricamente a autoria lucana.

Lucas e Atos não são realmente dois livros, porém duas partes de uma obra só. O breve preâmbulo do Evangelho (Lc 1.1-4) intencionalmente se aplica a ambas.

Lucas conta a história da igreja antiga dentro da estrutura de detalhes geográficos, políticos e históricos que podiam encaixar-se apenas no séc. I.
As fontes de informação a que Lucas recorreu eram de valor insuperável e ele bem soube usá-las. A obra que daí resultou é uma maravilha de exatidão histórica. Diferentemente de outros historiadores do Novo Testamento, ele ajusta suas narrativas ao quadro dos acontecimentos contemporâneos do Império. É o único escritor neotestamentário que menciona tantas vezes o nome do imperador romano. Usa títulos de governantes romanos de províncias, que só alguém vivendo naquela época saberia com precisão, e isso sugere que o livro provavelmente tenha sido escrito naquele período. Não há menção do incêndio de Roma (em 64), da consequente perseguição aos cristãos, do martírio de Pedro, nem da destruição de Jerusalém (em 70).

Portanto, por causa desses fatos e porque o livro não registra a morte de Paulo, apesar de deixá-lo prisioneiro em Roma, pode-se datar a redação de Atos como próxima à prisão do apóstolo naquela cidade, por volta de 62 d.C.

Lucas era muito próximo de Paulo, e foi seu companheiro em muitas viagens. Várias vezes encontramos no livro o narrador se incluindo nos relatos, através dos pronomes “nós” e “nos” (At 16.10-17; 20.5 – 21.18; 27.1 – 28.16).

O título Atos dos Apóstolos foi posto pela Igreja do século II, não pelo seu autor. Só ocasionalmente ele se ocupa dos Doze (incluído já Matias), pois sua atenção se dirige a determinados personagens, especialmente Pedro, e, sobretudo, a Paulo.

Algo de Atos

Atos é uma sequência da vida de Cristo nos Evangelhos, registrando a disseminação da cristandade de Jerusalém a Roma. É a iniciação da Grande Comissão de Jesus pra formar discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20; Lc 24.46-49).

Enquanto o Evangelho segundo Lucas fala “de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” (At 1.1), Atos dos Apóstolos começa com a ascensão de Jesus e conta a história de como o Evangelho de Jesus Cristo se espalhou, muito além das fronteiras da comunidade judaica, para todo o mundo. Relata o que o Senhor ressuscitado continua a fazer e ensinar através do Espírito Santo.

Atos 1.8 é a chave do livro. Esse versículo prediz o derramamento do Espírito Santo e seu poderoso testemunho. Em geral, Atos relaciona a expansão da cristandade passo a passo para o oeste, desde a Palestina até a Itália.
O livro, portanto, começa em Jerusalém (caps. 1-7). Os apóstolos e outros irmãos, inclusive Maria e os irmãos do Mestre, são fortalecidos sobrenaturalmente pela descida do Consolador em Pentecostes. Pedro assume o papel principal e os judeus são os receptores do evangelho.
Depois da morte de Estevão (7.60-8.1), o primeiro mártir da fé cristã, a perseguição espalhou-se contra a igreja, e os crentes se dispersaram (caps. 8-12). O ministério do diácono Filipe em Samaria é apresentado junto com a conversão de um etíope que levou o evangelho à África.
Durante esse período da história, ocorre a conversão de Saulo (cap. 9), um acontecimento de tamanha importância que Lucas inclui três longas descrições sobre o episódio (caps. 9, 22 e 26).
E o Espírito vem sobre os gentios (cap. 10).
A maior seção de Atos enfoca o desenvolvimento e expansão do ministério gentio comandado por Paulo e seus colaboradores (13.28). Lucas relata as três viagens missionárias no império romano (caps. 13-21).
Paulo é preso em Jerusalém, transportado para Roma para uma audiência com César. O apóstolo nunca deixa de testemunhar, mesmo estando em prisão domiciliar em Roma. E aí... o livro termina abruptamente, pois tudo indicava que Lucas tinha atualizado o assunto, e não havia mais o que escrever.

Atos é um registro da prática da Cristandade sob o poder do Espírito Santo. Ensina os crentes a viver juntos em um companheirismo cristão significativo, compartilhando livremente um com o outro, vivendo em amor (2.42; 4.32-35).
Contrariamente, Atos também mostra que, inevitavelmente, a Cristandade terá desentendimentos (6.1; 11.1-3; 15.2,7; 15.36-39), mas que Deus dá sabedoria e graça para acalmar as diferenças (15.12-22). Apesar de a Igreja antiga ter tido sua cota de personalidades fortes, ainda havia uma disposição para ouvir e entregar-se um ao outro (15.6-14).
Provavelmente, a característica mais destacada dos cristãos antigos fosse seu poder espiritual. Eles jejuavam e oravam ardentemente (2.42; 6.4; 13.3) e sua fé libertava o poder milagroso de Deus (3.16). Atos mostra pessoas comuns fazendo coisas extraordinárias. Os sinais seguiam aqueles que acreditavam!

O Livro de Atos registrou vários exemplos da proclamação apostólica do evangelho de Jesus Cristo, e o modelo é uniforme. Em primeiro lugar, Jesus é apresentado como uma figura histórica (2.22; 10.38). Em seguida a morte de Jesus é atribuída igualmente à crueldade do homem e ao objetivo de Deus. Por outro lado, os judeus o haviam “crucificado” por “mãos de injustos” (2.23; 3.13-15; 4.10; 5.30; 7.52; 10.39; 13.28). Por outro lado, Jesus tinha sido “entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus” (2.23; 17.3). Então a ressurreição de Jesus é enfatizada, especialmente como cumprimento da profecia do AT e como revogação de Deus do veredicto do homem sobre Jesus (1.3; 2.24-32; 4.10; 5.30; 10.40-41; 13.30-37; 17.31). Os apóstolos declaram que Jesus fora exaltado a uma posição de domínio único e universal (2.33-36; 3.21; 5.31). Desse lugar de honra suprema, Exaltado à direita de Deus Pai, Jesus havia derramado o prometido Espírito Santo (2.33), que dá testemunho Dele (5.32) e habilita os crentes (1.8). Jesus “por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (10.42) e retornará triunfante no final dos tempos (1.11). Enquanto isso, aqueles que acreditam nele receberão perdão dos pecados (2.21; 3.19; 4.12; 5.31; 10.43; 13.38,39) e o “dom do Espírito Santo” (2.38). Àqueles que não acreditam nele serão destinadas coisas terríveis (3.23).

O poder do Espírito Santo através da igreja é a característica mais surpreendente de Atos. O livro é até mesmo chamado de Os Atos do Espírito Santo. A Sua obra no livro, entretanto, não pode ser compreendida sem que se veja a relação entre Atos e os Evangelhos, que demonstra um continuidade essencial. Tanto o ministério público de Jesus nos Evangelhos quanto o ministério público da igreja em Atos começaram com um encontro com o Espírito capaz de mudar vidas; ambos são relatos essenciais dos resultados desse acontecimento.
O poder do Espírito na vida de Jesus o autorizou a pregar o Reino de Deus e a demonstrar o poder do Reino mediante a cura dos doentes, a expulsão dos demônios e a libertação dos cativos (Lc 4.14-19; Mt 4.23). O mesmo poder do Espírito em At 2 deu a mesma autoridade aos discípulos. Jesus é o modelo de vida cheia do Espírito e capacitada pelo Espírito (10.38). O Livro de Atos é a história dos discípulos recebendo o que Jesus recebeu a fim de fazer o que Jesus fez.
O mesmo Espírito Santo, que habitou a vida de Lucas, Paulo, Pedro, Estevão e todos os demais servos do Senhor, habita o ser de cada crente sincero também em nossos dias. A mesma vida cheia do Espírito é possível para nós, hoje, não apenas para eles naqueles dias (At 2.39).

Os apóstolos proclamam sua mensagem no poder do Espírito, manifesto por sinais externos sobrenaturais; a aceitação dessa mensagem pelos convertidos é de igual modo acompanhada de manifestações visíveis do poder do mesmo Espírito. O Espírito é recebido por alguns crentes após o arrependimento e o batismo (como foi o caso dos judeus que creram, no dia de Pentecostes); por alguns depois do batismo e a imposição das mãos de apóstolos (8.15; 19.6), e por outros imediatamente ao ato de crer, antes do batismo (10.44).

O Espírito de Deus dirige toda a obra: guia os mensageiros, tais como Filipe no cap. 8, e Pedro no cap. 10; dirige a igreja de Antioquia na separação de Barnabé e Saulo para a obra a que os chamara (13.2); encaminha-os de lugar a lugar, impedindo-os de pregar na Ásia ou de entrar na Bitínia, porém dando-lhes indicações precisas da necessidade de atravessarem o mar na direção da Europa (16.6-10); é mencionado com preeminência na carta do Concílio dos Apóstolos às igrejas da Síria e Cilícia: "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós" (15.28). Fala mediante profetas, predizendo, por exemplo, a fome dos dias de Cláudio, e a prisão de Paulo em Jerusalém (11.28; 21.11), assim como falou pelos profetas nos dias do Velho Testamento (1.16; 28.25). É Ele quem primeiro designa os anciãos de uma igreja, para supervisioná-la (20.28). Pode-se mentir a Ele (5.3), pode-se tentá-lO (5.9) e a Ele resistir (7.51). É Ele a primeira Testemunha da verdade do Evangelho (5.32).

Lucas observa que as pessoas eram “cheias pelo Espírito Santo” (2.4; 9.17), que “recebiam o Espírito Santo” (8.17), que “caiu o Espírito Santo sobre todos” (10.44), que “o Espírito Santo se derramasse sobre também os gentios” (10.45) e que “veio sobre eles o Espírito Santo” (19.6) Todas essas passagens são equivalentes à promessa de Jesus de que a Igreja seria “batizada com o Espírito Santo” (1.5; 2.4).
Três destes cinco exemplos registram manifestações específicas do Espírito Santo em que as próprias pessoas participavam. Os presentes no Dia de Pentecostes e os gentios da casa de Cornélio falaram outras línguas (2.4; 10.46); os efésios “falavam línguas e profetizavam” (19.6). Embora não esteja especificado, normalmente concorda-se que também houve algum tipo de manifestação na qual os samaritanos participaram, pois Lucas diz que Simão viu que “era dado o Espírito Santo” (8.18).

Embora o principal objetivo da história de Lucas seja apresentar a Teófilo uma narrativa autêntica da origem do Cristianismo, outros alvos podem ser descobertos. Um deles é demonstrar que o movimento cristão não se constituía ameaça à lei e à ordem no império romano. E demonstra-o citando os testemunhos de representantes do governo imperial. Como Pilatos declara nosso Senhor sem culpa nas acusações que lhe fizeram de rebelião, sedição e traição (Lc 23.4,14,22), assim, quando acusações semelhantes são feitas aos Seus seguidores, Lucas mostra que não são bem sucedidas. É verdade que os pretores de Filipos prendem Paulo e Silas, porém logo mais os soltam, desculpando-se humildemente por seu arbitrário excesso de jurisdição (16.19-24, 35-40). Passam por problemas, por causa da inveja dos judeus, em Tessalônica (17.6-9). Gálio, procônsul da Acaia e irmão de Sêneca, que foi tutor e consultor de Nero no início do governo deste, recusa ouvir as acusações feitas a Paulo pelos judeus coríntios, reconhecendo não serem acusações de que as leis romanas pudessem tratar, e sim questões particulares da teologia judaica (18.12-17). Em Éfeso, Paulo goza da boa vontade dos asiarcas, principais das cidades da Província da Ásia (19.31). E quando um tumulto se levanta por causa de interesses particulares versus a ameaça implícita do Cristianismo ao culto de Diana (Ártemis), o escrivão da cidade testifica que Paulo e seus companheiros não são réus de nenhum crime com relação ao culto da grande deusa dos efésios (19.35-41). Em Jerusalém, inimigos obstinados de Paulo fazem o que podem para conseguir sua condenação pelos governadores romanos Félix e Festo, com notável fracasso; Festo e o rei Agripa II concordaram que o apóstolo não cometera ofensa digna de morte ou prisão, e que podia ser solto não fora, a fim de assegurar um julgamento imparcial do que aquele que temia receber na Palestina, haver apelado para o supremo tribunal do Imperador em Roma (26.32). E os Atos concluem com uma nota de triunfo, é verdade apresentando Paulo preso, porém a continuar sua obra missionária, sem ser molestado, na própria Cidade Imperial. É improvável que essa nota triunfante fosse tão sem reservas como é, se Lucas houvesse escrito após o desencadeamento da perseguição de Nero ou a execução de Paulo.

Não se pode negar, entretanto, que dificuldades surgissem, aonde quer que Paulo e seus companheiros se encaminhassem. Se o novo movimento era realmente tão inocente como Lucas sustenta, por que invariavelmente se cercava de tanta agitação? Excetuando o incidente de Filipos e o tumulto de Éfeso, Lucas explica essa perturbação, atribuindo-a à oposição instigada em quase toda parte pelos judeus. No Evangelho é o Sinédrio judaico, dirigido pelos principais sacerdotes saduceus, que prevalece contra o desejo de Pilatos, de declarar Jesus inocente, e força-o a condenar o Mestre. Assim nos Atos são os judeus os mais rancorosos inimigos do Evangelho em quase todos os lugares visitados por Paulo. Em Damasco, Jerusalém, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Tessalônica, Beréia, Corinto, são seus próprios compatriotas que levantam obstáculos ao seu trabalho. A maior parte dos judeus, em todas as cidades a que Paulo se dirigia, não considerava Jesus como o Messias, e enfurecia-se quando os gentios O aceitavam. Enquanto mais e mais gentios se entregavam ao Salvador da humanidade, mais e mais o seu destinatário primário, os judeus, O rejeitam.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética, Editora Hagnos;
– Novo Testamento King James Edição de Estudo, Abba Press;
– O Novo Comentário da Bíblia – F. Davidson, Vida Nova.