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quarta-feira, 30 de março de 2011

Você conhece a Bíblia? - Romanos


A Epístola do Apóstolo Paulo aos Romanos é a primeira das Epístolas Paulinas, o 6º livro do Novo Testamento e o 45º livro da Bíblia.
Romanos possui 16 capítulos e 433 versículos. Contém 58 citações do Antigo Testamento, mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento.
Profecias sobre 29 assuntos envolvem 91 versículos, 21% do livro. Futuras profecias se concentram nos juízos de Deus (1.18; 2.1-6), na volta de Cristo (13.11-13), na manifestação dos filhos de Deus, na redenção do corpo e no livramento da criação da maldição do pecado (8.19-23). O triunfo final dos crentes (8.28-39) e a salvação de Israel como nação depois de um longo período de cegueira (9-11) são outras profecias que serão cumpridas no futuro.
Mais da metade das profecias inclui citações do Antigo Testamento. O Tribunal de Cristo (que não deve ser confundido com o juízo de Deus sobre os ímpios [1.18]) é o lugar onde apenas crentes aparecem depois do Arrebatamento (14.7-12) para recompensa, e não para condenação (8.1). Paulo cita vários versículos em 15.8-13, mostrando que os gentios um dia louvariam ao Senhor. Parcialmente cumprido hoje, o reinado final de Cristo sobre toda a terra terá seu total e glorioso cumprimento.


Autor e Data

Como já ficou claro, Paulo, o apóstolo, é o autor da epístola (carta). Ele escreveu Romanos quando estava em Corinto, durante a terceira viagem missionária, em 56 ou 57 d.C, fazendo uma coleta para ajudar os cristãos necessitados de Jerusalém (15.25-28,31; 2Co 8-9). Ele planejou ir a Jerusalém com essa oferta, depois visitar a igreja em Roma (1.10-11; 15.22-24). Depois de ser revigorado e apoiado pelos cristãos de Roma, planejou viajar para a Espanha para pregar o evangelho (15.24). Ele escreveu para dizer aos romanos sobre sua visita iminente.
Gaio (seu anfitrião) e seus amigos Erasto (administrador da cidade) e Quarto eram naturais de Corinto (16.23). Febe, fiel discípula e cooperadora, diaconisa da Igreja em Cencréia, porto de Corinto (16.1-2), foi quem, provavelmente, entregou a carta.

Roma

Roma, atual capital da Itália, era na época dos apóstolos a capital do poderoso e gigantesco Império Romano, a principal cidade do mundo. As origens da cidade remontam ao século VIII a.C., quando as sete colinas vizinhas ao rio Tibre começaram a ser povoadas. Quando Paulo escreveu Romanos, Nero era o César.
Em Roma, a igreja havia sido fundada por outros cristãos (desconhecidos para nós, mas haviam “forasteiros romanos” em Atos 2.10); e Paulo, através de suas viagens, conheceu muito a respeito dos crentes de lá (16.3-15).
Paulo não se dirige a nenhum dignitário eclesiástico, distinto dos outros, ou a alguma pessoa de reconhecida autoridade, donde se conclui que ali não havia uma organização central. Crê-se que a igreja se compunha de, pelo menos, quatro diferentes congregações, a saber, a da casa de Áquila e Priscila, no Aventino; a do Palácio Imperial; a da casa de Hermes; e a da casa de Filólogo (16.3-15).
Se foram mesmo os convertidos no Pentecostes que fundaram aquela comunidade, devem ter evangelizado primeiro seus compatriotas, pois haviam muitos judeus em Roma. O apóstolo, através de toda esta epístola, dá a entender que judeus iriam lê-la, dirigindo-se-lhes em particular e fazendo muitas alusões ao Antigo Testamento e à história dos filhos de Israel.
Por outro lado, Paulo, por certo, tinha em mente que gentios iriam também ler sua epístola, os quais constituíam a maior parte daquela comunidade cristã (1.1-15, 15.14-16, 11.13). Tanto que a maior parte dos nomes citados no cap. 16 é de origem grega ou romana. [Apesar de haverem pessoas que acreditam que o cap. 16 não fazia parte da epístola originalmente.] A Igreja Cristã de Roma compunha-se de judeus e gentios, sendo estes mais numerosos, e, possivelmente, em grande parte, eram prosélitos do Judaísmo antes de aceitarem o Messias. Isso justifica as citações que o apóstolo faz do Velho Testamento e a referência ao problema da raça judaica.

Algo de Romanos

Em vista de seus planos pessoais, o apóstolo Paulo escreveu para apresentar-se a uma igreja que nunca tinha visitado. Ao mesmo tempo, ele apresentou uma declaração completa e ordenada dos princípios fundamentais do Evangelho que pregava.

O estilo e caráter de Romanos diferem das epístolas anteriores de Paulo (Gálatas e Coríntios [lembre-se que as cartas não estão em ordem cronológica]), que eram respostas a necessidades específicas. A epístola aos Romanos é a obra-prima teológica de Paulo. Ela apresenta a visão de Paulo do Evangelho e seus ensinamentos sobre Deus, Cristo e o Espírito Santo. As doutrinas da graça, fé, justificação, santificação, pecado e expiação do pecado são explanadas em detalhes persuasivos. Ensinamentos sobre assuntos relacionados a morte, ressurreição e punição divina também se destacam.

Romanos é comumente considerada a maior exposição da doutrina cristã em qualquer parte das Escrituras. Contêm um desenvolvimento ordenado e lógico das profundas verdades teológicas. Está repleto dos grandes temas da redenção: a culpa de toda a humanidade, nossa incapacidade de merecer favores de Deus, a morte redentora de Cristo e o livre dom da salvação para ser recebido apenas pela fé. Através de toda a história da Igreja, as explicações de Romanos tem animado muitos avivamentos, quando as pessoas tem se tornado conscientes da magnificência de Deus e da Sua Graça para conosco.

Paulo procura demonstrar que Deus é Justo. Apesar de tudo que acontece neste mundo – mesmo que todos os seres humanos sejam pecadores (1.18-3.20); mesmo que Deus não puna, mas perdoe os pecadores culpados (3.21-5.21); mesmo que os crentes possam não viver completamente de uma maneira coerente com a justiça de Deus (6.1-8.17); mesmo que os crentes sofram e a redenção final demore (8.18-39); mesmo que muitos judeus não creiam (9.1-11.36) - ainda assim Deus é perfeitamente Justo e nos perdoou através de Sua graça. Devido a essa grande misericórdia de um Deus tão justo, devemos seguir um modelo de vida coerente com a própria justiça de Deus (12.1-16.27).

A teologia da redenção aparece nos primeiros oito capítulos, erguida sobre a máxima “O justo viverá da fé” (ver Hb 2.4; Gl 3.11; Hb 10.38). Utilizando-se de uma linguagem jurídica o apóstolo introduz termos como “lei”, “mandamento”, “transgressão”, “justificação”, “graça”e “adoção”. Mas os apresenta sob a nova luz da liberdade e paz oferecidas em Cristo ao pecador que se arrepende, com quem Deus quis estabelecer um definitivo relacionamento de amor e de vida.
Defendendo o tratamento de Deus para com Israel, Paulo explica a cegueira temporária dos judeus e prediz sua futura restauração (caps. 9-11). Do capítulo 12 até o final nos dá exortações de como por em prática os ensinamentos de Jesus.

Romanos nos ensina que não devemos confiar em nós mesmos para a salvação, mas em Cristo (caps. 1 – 5), que devemos imitar a fé que Abraão tinha (cap. 4); ser pacientes em momentos difíceis (5.1-11); regozijar em nossa representação por Cristo (5.12-21); crescer na morte diária do pecado (6.1 – 7.25); caminhar de acordo com o Espírito Santo em todos os momentos (8.1-17); ter esperança na glória futura e confiar que Deus trará o bem para os sofrimentos presentes (8.18-39); orar e proclamar o Evangelho aos perdidos, especialmente os judeus (9.1 – 11.32); e louvar a Deus por Sua grande sabedoria, no plano da salvação (11.33-36). Especialmente nos caps. 12 – 15, a epístola fornece muitas aplicações específicas para a vida, mostrando o Evangelho em prática na congregação de santos (12.3-21; 14.1 – 15.13), no relacionamento com a sociedade civil (13.7-9) ou com as autoridades e altas magistraturas do Estado (13.1-7). A fé deve manifestar-se na autenticidade do amor. Portanto, a fé se opõe a qualquer atitude de soberba pessoal ou coletiva. A arrogância, o orgulho e o desprezo ao próximo não correspondem com a solidariedade, que resulta do amor e dá testemunho dele (12.1 – 15.13).
No epílogo da epístola (15.14 – 16.27) temos observações pessoais, recomendações e saudações dirigidas a uma série de irmãos, fazendo menção até das virtudes que adornam alguns destes. Também faz referência às saudações de seus colaboradores Timóteo e Tércio (amanuense, que escreveu a carta) e de alguns de seus parentes, como Lúcio, Jasom e Sosípatro. O capítulo dedica também palavras a animar os leitores e afirmar a vitória reservada aos que confiam no poder de Deus (16.20). Um hino de louvor encerra esplendidamente a epístola do apóstolo (16.25-27).

A Epístola Aos Romanos é a história do plano de redenção de Deus em Cristo: a necessidade Dele (1.18 - 3.20), a descrição detalhada da obra de Cristo e suas implicações para os cristãos (3.21 - 11.36) e a aplicação do evangelho à vida cotidiana (12.1 - 16.27).

Jesus Cristo é o nosso Salvador, que obedeceu perfeitamente a Deus como nosso representante (5.18-19) e que morreu como nosso sacrifício substituto (3.25; 5.6,8). É Nele que devemos ter fé para a salvação (1.16-17; 3.22; 10.9-10). Através de Cristo temos muitas bênçãos: reconciliação com Deus (5.11); justiça e vida eterna (5.18-21); identificação com Ele em Sua morte, sepultamento e ressurreição (6.3-5); estar vivos para Deus (6.11); livres de condenação (8.1); herança eterna (8.17); sofrimento com Ele (8.17); ser glorificados com Ele (8.17); tornar-se como Ele (8.29); e o fato de que Ele ora por nós mesmo agora (8.34). Na verdade, toda a vida cristã parece ser vivida através Dele: oração (1.8), regozijo (5.11), exortação (15.30), glorificar a Deus (16.27) e, em geral, viver para Deus e obedecer-Lhe (6.11; 13.14).

O Espírito Santo confere poder na pregação do evangelho e na realização de milagres (15.19), habita em todos que pertencem a Cristo (8.9-11) e nos dá vida (8.11). Ele também nos torna, progressivamente, mais santos na vida diária, nos dando poder para obedecermos a Deus e superarmos o pecado (2.29; 7.6; 8.2,13; 15.13,16), fornecendo-nos um modelo de santidade a seguir (8.4), nos guiando nele (8.14) e purificando nossa consciência para prestar testemunho verdadeiro (9.1). O Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração (5.5; 15.30), junto com alegria, paz e esperança através de Seu poder (14.17; 15.13). Ele nos permite orar adequadamente (8.26) e a chamar Deus de nosso Pai, concedendo desse modo, uma segurança espiritual interior de que somos filhos de Deus (8.16). Devemos centrar a nossa mente nas coisas do Espírito, se desejamos agradar a Deus (8.5,6). Embora Paulo descreva brevemente os dons espirituais em Romanos (12.3-8), ele não faz menção explicita do Espírito Santo em conexão com esses dons, exceto para referir-se a eles como “espirituais” (ou “do Espírito”) em 1.11. A obra atual do Espírito Santo em nós é apenas um antegozo de Sua futura obra celeste em nós (8.23)

E pra encerrar, registro um versículo de Romanos que me chamou muita a atenção nesses dias em que eu o relia:

Rm 13.14 Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não fiqueis idealizando como satisfazer os desejos da carne. (NKJ)

Fontes:
– O Novo Comentário da Bíblia - F. Davidson, Edições Vida Nova;
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim La Haye, Editora Hagnos;
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil.