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sábado, 21 de maio de 2011

Você conhece a Bíblia? - 1 Coríntios


A Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios (I Coríntios) é a segunda epístola paulina, sendo o sétimo livro do Novo Testamento e o 46º livro da Bíblia.
I Coríntios possui 15 capítulos e 437 versículos. Existe material profético em 85 versículos, 19% do livro. Há 17 citações do Antigo Testamento na carta.

São várias referências à volta de Cristo (1.7,8; 4.5; 11.26; 16.22). O capítulo 3 contém uma descrição do Tribunal de Cristo, e o capítulo 6 afirma que os crentes julgarão anjos (v. 13). Tipos proféticos são citados nos capítulos 5 e 10, nos quais eventos do Antigo Testamento prenunciam verdades do Novo Testamento. A doutrina da ressurreição do corpo é explicada no capítulo 15, que conclui predizendo a “última trombeta” (15.52), quando todos os crentes vivos serão “transformados”, no Arrebatamento, e os mortos em Cristo serão ressuscitados “incorruptíveis”.

Autor, Data e a Igreja em Corinto

A autenticidade de 1 Coríntios nunca foi seriamente desafiada. Em estilo e filosofia, a epístola pertence a Paulo (1.1; 16.21). Os próprios pais da Igreja, como Clemente de Roma, por volta do ano 95 d.C., já defendiam a autoria paulina dessa primeira carta à Igreja em Corinto.

Paulo estabeleceu a Igreja em Corinto por volta de 50-51 d.C., quando passou dezoito meses lá em sua segunda viagem missionária (At 18.1-17), após passar por Filipos, Tessalônica, Beréia e Atenas. Ele fez contato com Priscila e Áquila, um casal de judeus cristãos que haviam sido recentemente expulsos de Roma pelo decreto de Cláudio (49 d.C). Paulo trabalhava na confecção de tendas como eles e morava com eles. Ele testemunhou na sinagoga todo sábado, até a chegada de Silas e Timóteo, com uma oferta da igreja em Filipos (At 18.5). Não mais embaraçado com a necessidade de prover seu sustento, Paulo começou a pregar diariamente nas ruas e nas sinagogas. Após um conflito com os judeus, ele deixou a sinagoga e entrou na casa de Tito Justo (At 18.7) e mais abertamente pregou aos gentios. Seu trabalho teve êxito, e um grande número de judeus (At 11.4, I Co 7.18) e gentios (I Co 12.2), tanto ricos (Rm 16.23) como pobres (I Co 1.26-27), tornou-se cristão. Até mesmo o ex-dirigente da sinagoga, Crispo (At 18.8), e seu sucessor, Sóstenes (At 18.17, I Co 1.1), se converteram.

Por dezoito meses, Paulo, Silas e Timóteo ministraram (At 18.11), quando judeus descrentes se aproveitaram da chegada do novo procônsul, Gálio (irmão de Sêneca), para acusarem Paulo (At 18.12,13). Todas as religiões tinham de ser legalizadas pelo governo romano (religio licita). O judaísmo era legalizado, e com a acusação queriam tornar o cristianismo uma religião ilícita e, desta forma, proibida em todo o Império. Gálio recusou-se a entrar na disputa religiosa e rejeitou as acusações contra Paulo (At 18.14-16). Para o governo, o cristianismo era apenas outra das muitas seitas dentro do judaísmo e, como uma religião legal, era livre para fazer convertidos em qualquer parte. A Igreja era livre para fazer seu trabalho sem interferência governamental.

Lucas então diz que Paulo, "tendo ficado ainda ali muitos dias", partiu para a Síria, tendo Priscila e Áquila ido com ele até Éfeso. Esta viagem à Síria, via Jerusalém, provavelmente ocorreu na primavera de 52 d.C. Priscila e Áquila encontraram Apolo em Éfeso. Após ter sido instruído pelo casal, Apolo recebeu uma carta de recomendação à igreja em Corinto. Lá ele pregou eficazmente por algum tempo (At 18.27,28) e depois retornou a Éfeso e trabalhou com Paulo (I Co 16.12). Em nenhuma parte Paulo sugere que alguma vez tenha havido relacionamento forçado entre ele e Apolo; Paulo jamais parece ter Apolo como responsável pelas relatadas divisões na igreja em Corinto (1.12, 3.4-9, 4.6).

Enquanto esteve em Éfeso, na terceira viagem missionária, por três anos (At 20.31), o apóstolo recebeu relatórios perturbadores sobre a complacência moral existente entre os crentes de Corinto. Por isso, ele enviou uma carta à igreja (5.9-11), que depois se perdeu. Alguns pensam que um pedaço de II Coríntios é uma parte da "carta anterior". Pode ser que a ocasião para essa carta tenha sido a informação trazida por Apolo.
A igreja em Corinto interpretou erroneamente as admoestações de Paulo ou deliberadamente deu um sentido falso à carta, sendo indiferente para com as considerações morais ou sentindo um desgosto pela disciplina moral ou espiritual. Seja qual for que tenha sido a razão para não compreender, ela escreveu a Paulo tachando de ambíguo o que ele escrevera e enviou a carta através de Estéfanas, Fortunato e Acaio (16.17). Em sua carta e pela boca de seus representantes, a igreja fez algumas perguntas importantes (5.10, 7.1,25, 8.1, 12.1, 15.1, 16.1,12). Com a vinda dos irmãos e a carta, juntamente com informação obtida, sobre as facções, das pessoas da casa de Cloé (1.11) e talvez Sóstenes (1.1), Paulo enviou imediatamente Timóteo a Corinto para ajudar a corrigir as condições lá existentes (4.17). Então, ele escreveu a Primeira Epístola aos Coríntios canônica, cerca de um ano antes de a II Coríntios canônica ter sido escrita (II Co 8.10, 9.2), e levada por um discípulo, cujo nome não é mencionado, esperando que a mesma chegasse a Corinto antes de Timóteo (16.10).
Visto que Paulo, aparentemente, escreveu a epístola perto do fim do seu ministério em Éfeso (16.8), ela pode ser datada por volta de 55 ou 56 d.C.

Corinto

Corinto era uma das maiores e mais importantes cidades do Império Romano, no sul da Grécia moderna, cerca de 80 quilômetros a oeste de Atenas, na faixa de terra (istmo) que liga o continente com a península do Peloponeso. A velha Corinto foi destruída na conquista romana da Acaia em 146 a.C., e por ordem de Júlio César, que viu a importância estratégica do lugar, foi reconstruída em 44 a.C. Na época da epístola a população estimada de Corinto, capital da então Província da Acaia, era de 250 mil cidadãos livres e 400 mil escravos.
Uma cidade comercial, controlava grande parte das navegações entre o Oriente e o Ocidente; era uma encruzilhada para viajantes e comerciantes de todas as partes do mundo. Seus dois importantes portos eram Cencréia, cerca de 10 km a leste do golfo Sarônico, e Lecaião, a uns 2 km a oeste, no golfo de Corinto, tornando a cidade ponto estratégico e obrigatório de descarga de navios.
Todas as religiões tinham representantes e templos em Corinto. Inclusive sinagogas. A cidade era conhecida por sua sensualidade e prostituição sagrada. Uma das principais divindades gregas, Afrodite (Vênus para os romanos), deusa do amor, tinha um templo onde mil mulheres entregavam seus corpos aos homens como ‘adoração’ à deusa. Essas mulheres tinham as cabeças rapadas como símbolo do seu serviço.
Lembrando ainda que os gregos eram famosos por sua idolatria, filosofias divisórias, espírito de litígio e rejeição de uma ressurreição física.

O espírito da cidade apareceu na igreja e explica o tipo de problemas que as pessoas enfrentavam. Também revela alguns dos problemas que os antigos pagãos tinham em não comparar experiências religiosas anteriores à experiência de ministério do Espírito Santo. Eles podem ter associado algumas das experiências do paganismo com o exercício de dons espirituais (12.2).

Algo de I Coríntios

1 Coríntios é uma carta pastoral escrita pelo apóstolo para resolver problemas doutrinários e práticos dentro da igreja local (é uma resposta a dez problemas separados: um espírito sectário, incesto, processos, fornicação, casamento e divórcio, ingestão de alimentos oferecidos a ídolos, uso do véu, a Ceia do Senhor, dons espirituais e a ressurreição do corpo). A autoria de Paulo dá à carta aplicação apostólica a todas as “igrejas de Deus”.

Nenhuma epístola do Novo Testamento oferece um discernimento tão claro da vida da Igreja do século I quanto 1 Coríntios. Nela, Paulo dá instruções honestas para problemas morais e teológicos, tais como sectarismo, imaturidade espiritual, disciplina da igreja, diferenças éticas, o papel dos sexos e o uso adequado de dons espirituais. Onde esses problemas existem na Igreja moderna, as soluções são as mesmas. As igrejas não-pentecostais ou não-renovadas podem receber um novo desafio da vitalidade e dons espirituais evidentes na Igreja em Corinto, e podem deixar de lado os tradicionais preconceitos contra essas coisas. As igrejas pentecostais e renovadas, em que a adoração é menos estruturada e os dons espirituais são proeminentes, podem reexaminar suas próprias práticas à luz das normas do apóstolo Paulo para serviços da congregação.

Mesmo considerando os diversos dons espirituais que capacitavam muitos membros para o santo e produtivo serviço cristão, os crentes de Corinto eram imaturos, muito ligados à tradição pagã dos helênicos e aos maus costumes (1.4-7; 3.1-4). Paulo, então, se dispõe a instruir e restaurar a igreja – a partir de sua liderança – nas suas específicas áreas de fraqueza, corrigindo práticas equivocadas e pecaminosas, como: murmurações e divisões (1.10 – 4.21); todas as formas de imoralidade (5.1 – 6.20), incluindo uma relação incestuosa consentida pela congregação e comportamentos sexuais condenáveis; demandas entre cristãos mediadas por juízes incrédulos (6.1-8); sobre o matrimônio cristão e o celibato (7.1-40); consumo de alimentos oferecidos a ídolos antes de serem vendidos (8.1-13; 10.25-31), incluindo admoestações contra a idolatria (10.1– 11.1); exageros de comida, bebida e liberdade moral durante a Ceia do Senhor (11.17-34); diversidade e exercício dos dons dados pelo Espírito (12.1 – 4.40); e falsas concepções teológicas sobre a ressurreição de Cristo (cap. 15). Paulo ainda instrui a igreja sobre a coleta de ofertas em favor dos cristãos que estavam atravessando um terrível período de crise econômica e financeira em Jerusalém (16.1-4).

Esta carta do apóstolo tem, portanto, a preocupação básica de resolver os problemas enfrentados pelos crentes em Corinto quanto à verdadeira prática cristã, ou seja, em relação à santificação progressiva de cada crente, mediante o controle absoluto do Espírito Santo, que se expressa através de uma fé santa e de um caráter santo.

O apóstolo aborda o problema das divisões internas, sinal da incompreensão e esquecimento de determinadas afirmações básicas da fé: que a Igreja é convocada à unidade de pensamento e de parecer (1.10-17; cf. Jo 17.21-23, Ef 4.1-6, Fp 2.1-11); que a única verdadeira sabedoria é a que Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória (1.18 – 3.4) e que somente Cristo é o fundamento da nossa salvação (3.5 – 4.5; cf. I Tm 2.5-6).

Cristo nos é mostrado como o Senhor da glória (2.8), o único fundamento (3.11), o Cordeiro do sacrifício (5.7) e o destruidor da morte (15.24-26).
A epístola contém uma revelação inigualável sobre a cruz de Cristo como uma oposição a todas as vanglórias humanas (caps. 1 – 4). Paulo cita Cristo como nosso exemplo em todo comportamento (1.11) e descreve a Igreja como Seu Corpo (cap. 12). De especial importância são as poderosas conseqüências da ressurreição de Cristo para toda a criação (cap. 15).

As passagens em que o apóstolo fala sobre o templo do Espírito Santo são uma das minhas partes preferidas na epístola. Paulo nos lembra que nós, os crentes, é que somos a casa de Deus. Nós somos o santuário de Deus. Este corpo corruptível e mortal, que um dia se revestirá de incorruptibilidade e imortalidade (cap. 15), é onde o Espírito Santo do Deus Vivo habita. Aquele prédio em que nos reunimos, muitas vezes apenas no domingo, não é a Igreja, não é a casa de Deus, nem é o templo de Deus. Nós é que somos. Deus fez sua habitação em vasos de barro, não em belos e grandiosos edifícios feitos por mãos humanas (At 7.48). Ele habita em você (I Co 3.16, 17, I Co 6.19, II Co 6.16, Hb 3.6, Ef 2.19-22, I Pe 2.5).

As manifestações ou dons do Espírito formam as passagens mais conhecidas sobre o Espírito Santo (caps. 12-14). Mas não devemos fazer vista grossa ao papel do Espírito Santo em revelar as coisas de Deus ao espírito humano de uma maneira que impede todas as bases para o orgulho (2.1-13). Talvez o mais iluminador entre o debate atual da Igreja em geral seja a maneira como o apóstolo direciona os coríntios a um equilibrado emprego de falar línguas, afirmando essa prática e negando qualquer direito de proibi-la (cap. 14).

O conteúdo desse documento eclesiástico do apóstolo Paulo faz todo o sentido nos dias de hoje, na vida diária dos crentes e nas comunidades modernas. A maior parte das questões enfrentadas pela Igreja em Corinto faz parte do nosso cotidiano e das realidades humanas do século XXI. O capítulo 13 fala da maior necessidade do homem: o amor. O amor, tão banalizado em nossos dias, o motivo pelo qual o Verbo se fez carne, pelo qual o Cordeiro de Deus se sacrificou na cruz. Não seremos conhecidos pelos dons do Espírito, mas sim pelo Seu fruto em nós. O amor é o verdadeiro motivo pelo qual devemos ser conhecidos.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Novo Testamento King James Edição de Estudo,
– Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.