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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Você conhece a Bíblia? - 2 Coríntios


A Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios (2 Coríntios) é a terceira epístola paulina, sendo o oitavo livro do Novo Testamento e o 47º livro da Bíblia.
II Coríntios possui 13 capítulos e 257 versículos. Apenas sete ideias proféticas aparecem em 12 versículos, 5% do livro. Há 9 citações do Antigo Testamento na carta.
A principal mensagem profética está no capítulo 5, que discute a nossa presença com o Senhor depois da morte, mas nos lembra de que devemos todos comparecer diante do Tribunal de Cristo (5.10).


Contexto Histórico e Data

[Para saber mais sobre Corinto, como Paulo chegou à cidade, como a Igreja foi lá estabelecida, e os problemas pelos quais passava, leia “Você conhece a Bíblia? – I Coríntios”.]

Relembrando que a visita de fundação a Corinto durou cerca de dezoito meses (At 18), Paulo escreveu um epístola anterior a 1Coríntios (1Co 5.9), e 1Coríntios em Éfeso por volta de 55 d.C., após receber informação, acerca da Igreja em Corinto, de representantes, bem como por uma carta enviada pela Igreja.

Após o envio da primeira carta canônica, Paulo fez uma rápida visita a Corinto, capital da província da Acaia, à qual ele descreve como uma visita "dolorosa" (II Co 2.1). Paulo pôde comprovar pessoalmente que a coisa não ia bem na igreja de Corinto. Foi abertamente rejeitado e acusado de não ser um apóstolo real (II Co 10.10, 11.4-6, etc.). Sua autoridade apostólica e a de seus colaboradores foram postas em dúvida. Paulo ficou profundamente ferido e desapontado.
Voltando a Éfeso, ele escreveu uma terceira carta, frequentemente chamada uma carta "áspera" ou dolorosa, e enviou-a por intermédio de Tito (II Co 2.3,4,9; 7.12, 12.18). Esta carta, pela providência divina, se perdeu, a não ser que, conforme muitos crêem, II Coríntios 10-13 preserve parte dela.
Paulo ficou em Éfeso por um pouco mais de tempo e depois viajou para Trôade, tendo dado a Tito instruções para encontrá-lo lá (II Cor. 2:12,13). Não aparecendo Tito, Paulo atravessou para a Macedônia e, talvez em Filipos, interceptou Tito (II Cor. 7:5-16). Tito informou a Paulo acerca da reconciliação da igreja com o apóstolo (II Cor. 2:5-11). O apóstolo, então, com o coração aliviado de um tremendo peso (II Cor. 2:12,13; 11:28), escreveu sua Segunda Epístola aos Coríntios canônica, sua carta de "reconciliação".
Isto ocorreu no outono de 55 d.C. ou no início de 56 d.C.
Escreveu a carta e enviou Tito de volta com a mesma, juntamente com outros dois irmãos (8.16-24). Esses entregaram a epístola e também completaram o recolhimento de uma coleta que tinha sido levantada em Corinto para os crentes pobres em Jerusalém (8.11). 2 Coríntios foi portanto escrita da Macedônia e expressou a alegria de Paulo sobre os resultados alcançados em Corinto. Nela, todavia, o apóstolo também não hesitou em ministrar-lhes as lições a respeito da "discórdia" sobre a qual se deteve nos últimos quatro capítulos (10.1-13.10).

Algo de II Coríntios

Esta epístola, bastante autobiográfica, é uma defesa do ministério do apóstolo contra repetidos ataques a ele direcionados por algumas pessoas carnais em Corinto que professavam ser crentes. Na carta, Paulo demonstra a partir do seu próprio ministério a fonte e o impulso de toda vida e serviço cristãos – total dedicação a Deus em todas as circunstâncias.
O objetivo do Apóstolo de Jesus Cristo, claramente expresso pela maneira fraternal, mas firme, com que profetiza a verdade e aplica a Palavra de Deus, é evitar que falsos mestres, que haviam se infiltrado na igreja, minassem a pureza do Cristianismo contestando sua integridade pessoal e autoridade apostólica.
Paulo não escreve como mero líder autoritário, que teme perder sua posição de comando, mas sim como verdadeiro pai espiritual dos cristãos de Corinto, aos quais amava profundamente e se preocupava em que tivessem o maior e melhor crescimento espiritual, alimentando-se da verdade bíblica, e que fossem livres das ideologias pagãs, místicas e judaizantes que se propagavam por toda a Corinto da época.

Apenas nesta carta mais pessoal e reveladora, Paulo expressa suas fortes emoções como uma pessoa muito amorosa, mas sensível. Respondendo aos seus críticos, ele descreve suas jornadas, dificuldades, perseguições e seus desapontamentos, mas também recorda seus próprios triunfos espirituais (cap. 12). Estes testemunhos pessoais estão entrelaçados com grandes conceitos teológicos no tocante às diferenças entre a dispensação da Lei, caracterizada pela morte e pelo pecado, e a nova dispensação de justiça e glória (cap. 3). Outros conceitos ensinados por Paulo incluem a informação sobre a obra maligna de Satanás em cegar os pecadores (cap. 4), a imortalidade da alma, o Tribunal de Cristo, a expiação e a responsabilidade que o crente tem de compartilhar a mensagem do Evangelho (cap. 5). O livro termina com uma amostra gráfica, mas humilde, da coragem do próprio Paulo em meio à adversidade. Apenas nesta epístola (cap. 12), Paulo menciona sua experiência sobrenatural ao ser arrebatado ao terceiro céu (assim como do seu espinho da carne, no v. 7).

A Segunda Epístola aos Coríntios, a mais autobiográfica das cartas de Paulo, contém inúmeras referências às dificuldades que ele enfrentou no curso de seu ministério (11.23-33). Paulo as menciona para estabelecer a legitimidade de seu ministério e para ilustrar a natureza de verdadeira espiritualidade.
Ao defender seu ministério, Paulo abre seu coração, mostrando sua profunda emoção. Ele revela o seu forte amor pelos coríntios, seu zelo ardente pela glória de Deus, sua lealdade inflexível à verdade do evangelho e sua indignação implacável ao confrontar aqueles que rompem o companheirismo da igreja. Sua vida estava inseparavelmente ligada à de seus convertidos, e ele não era profissionalmente frio em seu ministério (ver 1.6; 5.13; 7.3-7; 11.2; 12.14-15).

A Segunda Epístola aos Coríntios consiste de três partes principais. Os primeiros sete capítulos contêm a defesa de Paulo sobre a sua conduta e o seu ministério apostólico, tratando também do seu relacionamento com a Igreja de Corinto. Ele explica a mudança em seus planos para visitá-los e responde a uma acusação de ser inconstante. Ao discutir o ministério cristão, ele expõe sobre sua natureza, seus problemas, seus princípios motivadores e suas responsabilidades.
A segunda parte, caps. 8-9, trata da oferta sendo levantada por Paulo para os santos pobres da Judéia. Paulo estimulava os coríntios a serem liberais e alegres ao ofertar, de modo que Deus pudesse abençoá-los de todas as maneiras.
A terceira parte, caps. 10-13, contêm uma mensagem de reprimenda aos caluniadores restantes existentes na Igreja. Paulo responde à zombaria e à difamação de seus críticos e defende completamente sua autoridade como apóstolo. Refere-se às suas muitas tribulações, afirmando que nelas se apraz por amor a Cristo, pois, como disse, “quando sou fraco, então, é que sou forte” (12.10). E, diante, dos que ele chama de “tais apóstolos” (11.5; 12.11), manifesta que os títulos do seu próprio apostolado são uma vida consagrada inteiramente ao serviço de Jesus Cristo.

A Segunda Epístola aos Coríntios é um valioso guia no exame de nossos próprios motivos para servir ao Senhor, ocupemos ou não cargos. Como instrumento do Espírito Santo, esta epístola pode aperfeiçoar nossos motivos até refletirmos o tipo de doação altruísta melhor exemplificada em Cristo, mas também encontrada em Seu servo Paulo. As instruções relacionadas à coleta para Jerusalém (caps. 8-9) enfatizam a generosidade na área de recursos financeiros, como Paulo enfatizou a generosidade em autodoação em toda a epístola.
Paulo tem a coragem de se apresentar aos seus leitores como o mais fraco e inútil dos homens, exemplo dos pecadores, mas perfeitamente consciente que o amor e o poder de Cristo se revelam ao mundo como fruto da Graça, soberana, infalível e eterna do Grande e Poderoso Deus (12.9).
Esta epístola apostólica se aplica muito bem aos nossos dias, de estrelas gospel, que parecem ofuscar o brilho sublime e poderoso da glória de Deus nos homens de fé. Por isso, seu estudo e aplicação prática são mais do que oportunos.

Jesus Cristo é o foco de nosso relacionamento com Deus. Todas as promessas de Deus para nós são sim em Jesus, e dizemos “Amém” às promessas de Deus em Jesus (1.19-20). Jesus é o Sim de Deus para nós e nosso Sim para Deus. Nós vemos a glória de Deus somente em Jesus e só Nele somos transformados por essa glória (3.14,18), pois Cristo é a própria imagem de Deus (4.4-6). Deus veio até nós em Cristo, reconciliando o mundo consigo (5.19). Portanto, é “em Cristo” que nos tornamos novas criaturas (5.17). Essa mudança foi realizada através do maravilhoso ato de graça de Deus, no qual Cristo, “que não conheceu pecado”, tornou-se “pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (5.21).

Ele também é o foco de nosso serviço a Deus. Proclamamos Jesus como Senhor e nós mesmos como servos por seu amor a Ele (4.5). Nós compartilhamos não apenas a vida e a glória de Cristo, mas também Sua morte (4.10-12), Sua disposição de ser fraco de modo que os outros pudessem experimentar o poder de Deus (13.3-4,9), e a Sua disposição de empobrecer, de modo que os outros pudessem enriquecer (8.9). Nós experimentamos Sua fraqueza, mas também Sua força, à medida que procuramos levar “cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (10.5).

Mais uma vez, Yeshua é o foco de nossa presente vida neste mundo, onde experimentamos simultaneamente em nosso corpo mortal “a mortificação do Senhor Jesus” tanto quanto sua vida (4.10-11).

Por fim, Jesus é o foco de nossa vida futura, pois seremos ressuscitados com Jesus (4.14), que é o “Marido” da Igreja (11.2) e o Juiz de todos os homens (5.10).

O Espírito Santo é o poder do Novo Testamento/Nova Aliança (3.6), pois Ele torna real para nós as provisões presentes e futuras de nossa salvação em Cristo. Através do dom do “penhor do Espírito em nossos corações”, nós asseguramos que todas as promessas de Deus são Sim em Cristo e que somos ungidos e “selados” como pertencendo a Ele (1.20-22). A experiência presente do Espírito é especificamente um “penhor” do corpo glorificado que receberemos um dia (5.1-5).
Nós não apenas lemos a respeito da vontade de Deus na “letra” das Escrituras, pois “a letra (sozinha) mata”. O Espírito que vivifica (3.6) muda nossa maneira de viver abrindo nossos olhos à realidade viva que lemos. Portanto, experimentamos progressivamente e incorporamos a vontade de Deus e nós mesmo nos tornamos epístolas de Cristo, “conhecida e lida por todos os homens” (3.2).

Quando nos submetemos à obra do Espírito, experimentamos um milagre. Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade (3.17). Há liberdade pra contemplar a glória revelada do Senhor e para nos transformarmos mais e mais de acordo com a Imagem que contemplamos. O Espírito Santo nos dá liberdade para vermos e liberdade para sermos o que Deus quer que sejamos (3.16-18).

A obra do Espírito Santo é evidente na renovação interna diária (4.16), no conflito espiritual (10.3-5) e nos “sinais, prodígios e maravilhas” do ministério de Paulo (12.12). Paulo terminou sua epístola com uma bênção, que incluía a “comunhão (companheirismo) do Espírito Santo” (13.13). Isso poderia indicar um sentido da presença do Espírito ou, mais provavelmente, um deleite de companheirismo que o Espírito nos dá com Cristo e com todas as pessoas que amam a Cristo.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Novo Testamento King James Edição de Estudo;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Vida Nova.