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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Você conhece a Bíblia? - Gálatas


A Epístola do Apóstolo Paulo aos Gálatas (Gl) é a quarta epístola paulina, sendo o nono livro do Novo Testamento e o 48º livro da Bíblia.
Gálatas possui 6 capítulos e 149 versículos. Sete predições distintas aparecem em 16 versículos, 11% do livro. Há 10 citações do Antigo Testamento na carta.

Autor

O autor se identifica duas vezes (1.1, 5.2) e dá um esboço autobiográfico amplo referente à sua pessoa (1.11-2.14), o qual se harmoniza com o que se conhece de Paulo em Atos. As pessoas e lugares identificados em Gálatas e a missão aos gentios, todos, apontam para um homem: Paulo.
Desde os tempos mais antigos, Gálatas foi reconhecida como sendo de Paulo. Os escritores cristãos primitivos conheciam este livro, e ele está incluído em todas as listas das cartas de Paulo. Todas as versões antigas contêm esta carta.


O que é Galácia? Quem são os Gálatas?

Gálatas é a única carta que Paulo endereçou especialmente a um grupo de igrejas, para todas as igrejas da Galácia (1.2), formadas por crentes que, em sua maioria ou possivelmente em totalidade, provinham do paganismo (4.8).
A Galácia não era uma cidade, mas uma região da Ásia Menor, que incluía várias cidades (na Turquia moderna). Seu nome deriva de um bando errante de gauleses (ou celtas), que se estabeleceram em torno de Ancira (a atual capital turca Ancara) no séc. III a.C. No séc. I d.C., o termo “Galácia” era usado geograficamente pra indicar a região centro-norte da Ásia Menor, onde os gálios tinha se estabelecido; politicamente, designava a província romana na parte centro-sul da Ásia Menor.
Em 25 a.C., toda a área, desde o Mar Negro até quase a costa do Mediterrâneo, foi transformada, por Augusto, na Província Romana da Galácia. Na metade do século II d.C., a administração foi reorganizada e a área foi dividida, e mais uma vez somente a parte ao norte (étnica) conservou o nome de Galácia.
Durante o primeiro século, o termo "Galácia" poderia ser usado de duas maneiras: para designar a província política ou a área étnica mais antiga. Não se sabe para qual Paulo escreveu a epístola. Existem duas teorias proeminentes.
A, assim chamada, Teoria da Galácia do Norte defende que ele escreveu para as igrejas localizadas no território original do norte da Galácia (Galácia étnica). Não existe nenhuma evidência direta, em Atos, de que Paulo tenha trabalhado na área norte, embora Lucas escreva que Paulo "passou através da região da Galácia" (At 16.6; 18.23).
A Teoria da Galácia do Sul (a mais aceita e com argumentos mais convincentes) defende que os destinatários eram a parte sul da província política romana, em torno de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Estas cidades, no sul da Galácia, foram evangelizadas pelos apóstolos Paulo e Barnabé na Primeira Viagem Missionária (At 13.14).

Fora desta epístola, a Galácia é mencionada apenas cinco vezes no Novo Testamento (At 16.6, 18.23; 1Co 16.1; 2Tm 4.10; 1Pe 1.1). Apesar dessa escassez de notícias, é evidente a importância que ela teve para a história da Igreja. Paulo mesmo diz que ali anunciou Jesus Cristo (4.13), e não há dúvida de que também fundou um certo número de pequenas comunidades cristãs dispersas por toda a província.

Data

Os que creem na Teoria da Galácia do Norte, explicam que a data mais remota possível seria após a alegada visita de Paulo àquela área, na Terceira Viagem Missionária (At 18.23). Paulo passou pela "Galácia e Frígia" em seu caminho a Éfeso. O ministério em Éfeso iniciou-se em 52 d.C; assim, esta seria a data mais antiga possível para a escrita.

Os que creem na Teoria da Galácia do Sul, explicam que a data mais antiga possível seria após a Primeira Viagem Missionária, quando as igrejas foram fundadas (At 13-14). A viagem terminou em 49 d.C. Essa seria a datação mais remota possível.

A maioria dos estudiosos, entre os quais cita-se Calvino, crêem que a Epístola em questão foi escrita antes do Concílio de Jerusalém, narrado em Atos dos Apóstolos. Por quê? Uma das questões discutidas em Gálatas é a circuncisão de crentes gentios, e os apóstolos e a Igreja a resolveram no Concílio. Porque voltar a discuti-la se o Concílio já resolvera a questão? A Epístola aos Gálatas teria sido a primeira das cartas de Paulo, e provavelmente foi escrita no ano 49 d. C., pouco depois de sua volta da primeira viagem missionária, talvez em Antioquia da Síria. [Ou seja, aceita-se a Teoria da Galácia do Sul.]

A data de Gálatas também depende da correlação de 2.1-10 com as visitas de Paulo a Jerusalém registradas em Atos. Há várias interpretações para isto, indo de antes de 50 d.C. até a Terceira Viagem Missionária. E esse assunto é muito extenso, pois poderíamos falar sobre cada possibilidade, porém seguirei apenas a principal:
A visita de Paulo a Jerusalém, mencionada em 2.1-10, é considerada como a visita referida no fim do cap. 11 de At. O sentido de 2.1 parece indicar que esta visita teve lugar catorze anos após a conversão de Paulo. A visita mencionada em Atos aconteceu, possivelmente, em 46 ou no início de 47 d.C., e nada impede que se acredite que Paulo se converteu tão cedo, como em 32 d.C. A visita mencionada em Gl ocorreu "em consequência de uma revelação" (2.2); a visita citada em At ocorreu por causa de uma revelação feita a Ágabo (At 11.28 e segs.). A visita referida em Gl resultou de uma conferência particular entre Paulo e os outros apóstolos; o concílio do ano 50 (At 15) foi uma reunião da Igreja inteira para discutir de modo mais formal, publicamente, após diversos anos de trabalho missionário entre os gentios, como deveriam ser tratados os gentios convertidos, para que se chegasse à decisão oficial sobre o problema. O Concílio chegou à mesma decisão em relação à circuncisão que a chegada na conferência particular, e Paulo menciona essa conferência particular para indicar aos gálatas que a tema da circuncisão, em princípio, já havia sido resolvida vários anos antes da epístola. Em Gl 2.11 sabemos que Pedro, em Antioquia, hesitou acerca da questão judaizante, levando Barnabé a fazer o mesmo. Isso é inteligível após uma conferência particular em Jerusalém; mas é quase impossível após o concílio de Jerusalém, onde Pedro fizera um discurso público, e após a primeira viagem missionária, onde Barnabé tomara uma atitude final para com a questão da circuncisão.

Os judaizantes

Quem eram estes pervertedores do evangelho? Atos 15.1 ajuda a fornecer parte da resposta: "Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não os circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos." A Igreja em Antioquia rejeitou tal declaração doutrinária, como o fizeram os líderes da Igreja em Jerusalém. Contudo, Lucas registra, em At 15.5, que "alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se, dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés." Estes mais tarde se tornaram conhecidos como os judaizantes, judeus cristãos que, com a ajuda dos judeus crentes e descrentes igualmente, lutaram contra a compreensão de Paulo acerca do Evangelho.

O problema, contudo, é muito complexo. Lembre-se que inicialmente o Evangelho foi proclamado somente aos e para os judeus. Logo, não-judeus começaram a aceitar o Evangelho, e sua salvação foi autenticada aos crentes judeus pelo derramamento visível do Espírito Santo (Cornélio e os de sua casa; At 10-11). Agora surgira o problema acerca das condições de comunhão entre os judeus (cristãos e não-cristãos) e gentios. Entenda também que a Igreja primitiva se reunia no templo e nas sinagogas, ao lado de judeus descrentes. Em At 15, Lucas muda da questão acerca da salvação dos gentios (que aparentemente estava determinada) à da comunhão entre os cristãos judeus e gentios (que não estava determinada). Em Gl, Paulo começa com o problema da comunhão (2.12) e muda para o da salvação (2.16), que se torna dominante por toda a carta. Paulo viu até o âmago do problema: não pode haver cidadania de segunda classe na igreja ou no Reino de Deus. A salvação e a comunhão dependem mutuamente da obra da graça de Deus, através de Jesus Cristo, não do mérito nem dos preconceitos de alguém. Não pode haver acréscimos à graça e ainda ser aceitável a Deus. Um acréscimo, seja de qual natureza for, é uma perversão do evangelho (Gl 2.18-21). Qualquer coisa que impeça a comunhão à mesa não é do evangelho; não há salvação, a não ser que haja reconciliação. A salvação verdadeira resulta na comunhão, sem restrição de qualquer espécie.

Os judaizantes ensinavam que determinadas leis do Antigo Testamento ainda eram obrigatórias para os cristãos. Argumentavam que as promessas de Deus estendiam-se apenas aos judeus, e que os gentios deveriam ser circuncidados antes de poder experimentar completamente a salvação. Os judaizantes não negavam que era necessário ter fé em Yeshua, mas insistiam que era incompleta. O crente tinha de acrescentar a observância da Lei à fé no Messias.

Para fortalecer sua posição, os "pervertedores do evangelho" afirmavam que Paulo nem mesmo era apóstolo, pois jamais tinha estado com Cristo; ele havia recebido, no máximo, apenas uma comissão de segunda mão, inferior a Pedro e Tiago. Consequentemente, diziam eles, Paulo não tinha nenhum direito ou autoridade para oferecer salvação em nenhum outro termo além do que os próprios judaizantes proclamavam. Eles diziam que Paulo estava tornando a salvação fácil demais; ele estava tentando agradar aos homens (1.10). Eles, provavelmente, deixaram ficar conhecido que eles é que tinham a aprovação da Igreja em Jerusalém, em sua própria doutrina, e que Paulo havia sido repudiado por essa mesma igreja (2.1-10; 4.26). Os judaizantes achavam que os conversos gentios precisavam de obediência à lei, para impedi-los de se voltarem para as imoralidades pagãs. Eles estavam dizendo que a doutrina de "liberdade espiritual" de Paulo deixava o converso numa posição muito precária, uma posição que poderia, possivelmente, levar ao antinomianismo [indiferença para com a lei] e à libertinagem. Talvez alguns na Galácia já tivessem chegado à libertinagem, o verdadeiro oposto do legalismo dos judaizantes. Paulo lembra seus leitores que a liberdade cristã não deve ser distorcida, para justificar atos imorais (5.13).

Nesta carta, o apóstolo defende uma visão mais ampla do verdadeiro Cristianismo como algo distinto de um mero ramo messiânico do judaísmo. Paulo combateu a perversão do evangelho e batalhou para restaurar estes cristãos gálatas à liberdade espiritual, que uma vez desfrutaram em Jesus Cristo. Luta, com todas as suas forças, para salvar estas pessoas, que ele amava tão encarecidamente, dos efeitos mortais do legalismo. Paulo atinge seu propósito, defendendo seu apostolado e autoridade de proclamar o evangelho da graça e da fé, e demonstrando a superioridade do único verdadeiro evangelho sobre as perversões legalistas dos mestres do erro.

Porque submeter-se à circuncisão seria um passo retrógrado para os crentes gálatas? Significaria retornar à confiança em meras ordenanças carnais, após terem conhecido coisas melhores. Logo, precisavam lançar fora completamente o jugo da escravidão à lei cerimonial (5.1), pois, tendo iniciado a vida espiritual no Espírito, era preciso que prosseguissem no Espírito, a fim de que possuíssem toda a riqueza espiritual que em Cristo estava entesourada para eles (3.2-3).

+ algumas coisas de Gálatas

Insistindo em que a maturidade espiritual não é obtida por meio de mero conformismo a regras e regulamentos como ditados pela Lei, Paulo ensina que a verdadeira santidade vem pelo andar em Espírito e cooperar com Deus para produzir o fruto do Espírito, que é a verdadeira vida piedosa (5.16,22,25).

A epístola pode ser dividida em três seções:
Na primeira (1.1 – 2.21), Paulo defende a autenticidade da mensagem do Evangelho que havia pregado (1.11-12). Assim, reivindica a legitimidade do seu trabalho de apóstolo chamado e enviado por Deus para anunciar Jesus Cristo entre os gentios (1.15-16). Relembra o seu anterior fanatismo judaico, que o levou a perseguir “sobremaneira a Igreja de Deus” (1.13); o reconhecimento do seu ministério por parte dos apóstolos de Jerusalém (2.1-9) e a sua oposição a Pedro em Antioquia da Síria (2.11 – 14). Por fim, destaca o valor da fé, pela qual Deus justifica o pecador (2.15-21).
A segunda seção (3.1 – 5.12) começa com uma repreensão aos que haviam sido iludidos com o cumprimento externo da lei e menosprezavam a graça de Deus (3.1-5). Depois, faz uma consideração sobre a fé do Patriarca Abraão (3.6), de como Deus fez com que as bênçãos e as promessas que havia feito a ele alcançassem os gentios (3.14,28-29) e qual é a validade atual da lei mosaica (3.19-24; 4.1-7). O restante da seção (4.8 – 5.12) é um convite a permanecer “firmes” na liberdade que Cristo nos concedeu (5.1).
Na terceira parte da epístola (5.13 – 6.10) exorta-os a fazer bom uso dessa mesma liberdade, a qual deve moldar a vida do cristão conforme a regra do amor: sendo “servos uns dos outros, pelo amor” (5.13) e levar “as cargas uns dos outros” (6.2). Esta é a “lei de Cristo” (6.2) e o caminho pelo qual o Espírito de Deus conduz a Igreja (5.16-18,25). Nessa seção estão incluídas as obras da carne e o fruto do Espírito.
A conclusão da epístola inclui algumas observações com o caráter de resumo (6.12-17), uma anotação de Paulo escrita do seu próprio punho e letra (6.11) e uma breve benção final (6.18).

A mesma perversão do evangelho que Paulo combate nesta carta continua aparecendo de várias maneiras. O legalismo, que ensina que a justificação ou santificação dependem dos próprios esforços da pessoa, negando, assim, a suficiência da cruz, é o inimigo mais persistente do Evangelho da Graça.
A circuncisão e outras exigências da Lei Mosaica podem não mais ser assuntos relacionados à salvação, mas algumas vezes a observância de determinadas regras, regulamentos ou ritos religiosos é coordenada com a fé em Cristo como condição da maturidade cristã. Gálatas declara com clareza os perigos do legalismo e estabelece a verdade essencial da salvação apenas através da fé. Esta epístola foi o grito de guerra da Reforma Protestante e é a Magna Carta da liberdade espiritual para todos os tempos.

Paulo ensina que Jesus coloca aqueles que têm fé Nele (1.16; 3.26) em uma posição de liberdade (2.4; 5.1), libertando-os da servidão ao legalismo e à libertinagem. A principal ênfase do apóstolo está na crucificação de Cristo como base para a libertação do crente da maldição do pecado (1.4; 6.14), do próprio eu (2.20) e da lei (3.12; 4.5). Paulo também descreve uma dinâmica união de fé com Cristo (2.20), visivelmente retratada no batismo (3.27), que relaciona todos os crentes como irmãos e irmãs (3.28). Em relação à pessoa de Cristo, Paulo declara tanto sua divindade (1.1, 3,16) quanto sua humanidade (3.16; 4.4). Jesus é a substância do Evangelho (1.7), que ele próprio revelou a Paulo (1.12).

Os judaizantes estavam errados sobre as formas de santificação, bem como a forma de justificação. Uma passagem importante é 3.2-3, em que Paulo pergunta aos gálatas, que prontamente admitiriam que tinham iniciado sua vida cristã através do Espírito, por que eles estavam buscando maturidade espiritual realizando as obras da lei. O que ele quer dizer é que o mesmo Espírito que os regenerou faz com que a nova vida deles cresça.
Em 3.5, Paulo faz um pergunta semelhante relacionada ao Espírito Santo. A linguagem que ele usa indica uma experiência do Espírito que se estendeu além da recepção inicial dos gálatas. O verbo “dá” sugere um fornecimento contínuo com generosidade, enquanto “opera” indica que Deus continuava a fazer maravilhas através dos crentes cheios do Espírito que não tinham se entregado ao legalismo. A palavra “maravilhas” refere-se às manifestações carismáticas do Espírito evidenciadas por sinais externos, como os descritos em 1Co 12–14. A frase “a promessa do Espírito”, em 3.14, também foi usada por Pedro pra explicar o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes (At 2.33).
Estes versos ensinam que receberemos o Espírito através da fé e que Ele continua a se manifestar no poder à medida que caminhamos na fé.
Em 5.16-25, Paulo descreve um conflito feroz e constante entre a carne, a nossa natureza propensa ao pecado, e o Espírito que habita em nós. Somente o Espírito Santo, quando nos submetemos passivamente ao Seu controle e caminhamos ativamente Nele, pode nos permitir morrer pela carne (vs. 16-17), nos libertar da tirania da lei (v.18) e fazer com que o fruto da santidade cresça em nossas vidas (vs.22-23).
A liberdade que se tem em Cristo deve ser expressa por uma vida sob o controle do Espírito Santo (5:13-26), o que não é licenciosidade (5:13-15), mas o segredo de uma vida vitoriosa (5:16-26).
Esta seção (5.16-25) faz parte da exortação de Paulo em relação ao uso adequado da liberdade cristã. Separada da obra do Espírito Santo de controlar e santificar, a liberdade certamente acabará em libertinagem.


Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim La Haye, Editora Hagnos;
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Novo Testamento King James Edição de Estudo;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Vida Nova.
– Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.

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