Pesquisar

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Você conhece a Bíblia? - Efésios


A Epístola do Apóstolo Paulo aos Efésios (Ef) é a quinta epístola paulina, sendo o décimo livro do Novo Testamento e o 49º livro da Bíblia.
Efésios possui 6 capítulos e 155 versículos. Oito versículos são proféticos, 5% da carta. Há 4 citações do Antigo Testamento.
As afirmações proféticas incluem a reunião futura de acordo com o mistério da vontade de Deus (1.9-10), nossa herança em Cristo (1.13,14,18,19), as riquezas a serem outorgadas nas eras por vir (2.7), o sermos selados para o dia da redenção (4.30) e nossa posição como Noiva de Cristo esperando o Seu retorno (5.25-27). Efésios 6.8 indica uma expectativa de galardões futuros.


Autor

Em concordância com a própria afirmação da carta, Efésios foi atribuída a Paulo desde a época dos escritores patrísticos mais antigos. Clemente de Roma, Inácio e Policarpo fizeram uso desta epístola. Marcião, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Orígenes, todos, definitivamente, atribuíram a carta a Paulo sem hesitação. Todas as relações do Novo Testamento e todos os manuscritos antigos das cartas de Paulo têm-no como autor. Dentro da própria carta, o autor se identifica como Paulo (1.1, 3.1) e como um prisioneiro (3.1, 4.1, 6.20). Há tradição ininterrupta, desde tempos antigos, de que Paulo é o autor da Epístola aos Efésios.
Não se acha revelada nenhuma ocasião especial, nem propósito imediato em escrever a epístola, exceto o fato de que Tíquico levaria outra correspondência para a Ásia (Cl 4.7). O ensejo para escrever se ofereceu, provavelmente, num tempo de lazer, calmo e ininterrupto, que o apóstolo experimentava em sua prisão em Roma – era pouco mais que detenção em casa (At 28.16 e segs.). Nessa atmosfera sossegada do Império romano, seu pensamento amadureceu e o Espírito lhe revelou, mais claramente que nunca, uma filosofia divina da história do mundo, os altos propósitos de Deus e o destino glorioso da Igreja. Tais pensamentos e revelações haviam de ser expressos; e no tempo vazio de sua longa espera pelo processo (At 28.30), e com a oportunidade de enviar a carta, providenciada pela viagem de Tíquico, Paulo escreve esta nobre obra.

Alguns têm pensado que a epístola foi escrita durante sua prisão em Cesaréia (At 23.33; At 27.2), mas Roma é muito mais aceita como o lugar de origem. Foi escrita no final da década de 50 ou início da década de 60 d.C.

Antecedentes

Éfeso era uma das maiores cidades do Império Romano, capital da província da Ásia Menor, localizada perto da atual Izmir, na Turquia, e residência oficial do governador.
Entre suas construções, destacava-se o templo da deusa Diana, nome romano da grega Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Os cultos incluíam a prostituição em seus rituais. O templo foi incendiado no dia em que nasceu Alexandre o Grande. Posteriormente, o próprio Alexandre ofereceu-se para reconstruí-lo. Contudo, sua oferta foi recusada pelos efésios, os quais reconstruíram o santuário, tornando-o mais esplêndido do que antes. Quando escreveu 1Coríntios, Paulo estava em Éfeso.
Havia em Éfeso uma grande biblioteca e um teatro com lugares para 25 mil pessoas assentadas. A cidade possuía o principal porto da Ásia, colocando-se, assim, na rota comercial do Império. Foi construído naquela cidade um templo para a realização de cultos ao imperador romano.
Paulo fundou a igreja em Éfeso por ocasião da sua primeira visita, durante a segunda viagem missionária (At 18.19). Na segunda vez em que foi à cidade (At 19.1), permaneceu lá durante um período superior a dois anos. Éfeso tornou-se o centro dos trabalhos missionários do apóstolo. Naquele período, toda a Ásia Menor foi evangelizada (At 19.10). Pode ser que nessa ocasião tenham sido fundadas as sete igrejas mencionadas no Apocalipse (2 e 3).
Através de suas pregações, muitos se converteram a Cristo. Com isso, o comércio das imagens da deusa Diana estava se enfraquecendo. Os fabricantes de ídolos provocaram grande tumulto, tentando fazer com que Paulo fosse publicamente condenado por pregar uma doutrina que estaria "prejudicando" a cidade (At 19.21-40; I Co 15.32). Afinal, o turismo e o comércio estavam estabelecidos sobre a idolatria. Diante disso, Paulo se retira. Depois de algum tempo, mandou chamar os líderes da igreja de Éfeso para se encontrarem com ele em outra cidade, Mileto. Ali, Paulo se despede deles, dizendo que não mais o veriam (At 20.16-38).
Timóteo, Apolo, Áquila e Priscila trabalharam na igreja de Éfeso (At 18.18,19,24; I Tm 1.3; II Tm 4.19). De acordo com a tradição, o apóstolo João também exerceu ministério naquela cidade e ali morreu. João escreveu uma carta à igreja de Éfeso assim como fez a outras seis igrejas da Ásia (Ap 2.1).

Aos Efésios ou Circular?

Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta encíclica — para se lida por várias congregações.
Porque se crê que a carta é para várias igrejas e não apenas para a de Éfeso?

As frequentes alusões que o apóstolo faz, em outras epístolas, a Éfeso ou a pessoas relacionadas à cidade revelam estreitos laços de trabalho e afeto que o uniam à comunidade cristã dali (1Co 15.32, 16.8; 1Tm 1.18, 4.12). Porém, à exceção de Tíquico, não existem nomes próprios mencionados na epístola. Como entender isso em face de At 20.17-38?
De acordo com os estudiosos dos manuscritos do Novo Testamento, a expressão "que vivem em Éfeso" (1.1) não aparece em todas as cópias antigas. Supõe-se então que poderia se tratar de uma carta circular, a ser lida em muitas igrejas, por Tíquico, à medida que ele cumprisse seu ministério como mensageiro de Paulo e que, eventualmente, alguém tenha acrescentado essas palavras quando endereçou uma cópia para os efésios, e assim teria ficado quando da reunião das epístolas canônicas.
Seu conteúdo não é pessoal nem trata de questões ou problemas específicos de uma comunidade em particular. A carta ser encíclica explicaria também a maneira desapegada pela qual a carta foi escrita, a falta de saudações e toques pessoais, que eram tão característicos de Paulo quando escrevia a uma igreja que o conhecia bem. Numa carta circular, seria impraticável, se não impossível, incluir saudações a pessoas de muitas igrejas diferentes, e o que poderia ser dito pessoalmente a várias igrejas possivelmente não poderia ser dito para todas as igrejas em que a carta seria lida. Pode-se observar que a Epístola aos Gálatas, enviada a um grupo de igrejas em que Paulo trabalhara, também é desprovida de saudações no seu final.

Deve-se observar que, em Colossenses 4.16, Paulo usou a preposição "de Laodicéia" e não "para". Ela estava agora vindo de aquela igreja e devia ser lida na igreja em Colossos. Bem pode ser que nossa Efésios seja a carta mencionada em Colossenses 4.16, mas não foi especificamente endereçada àquela igreja. Porque Éfeso era o centro da província, foi provavelmente de Éfeso que a informação às igrejas saiu.

Algo de Efésios

A mensagem pulsante de Efésios é “para louvor de Sua [Cristo] glória” (1.6,12,14). A palavra “glória” ocorre oito vezes e refere-se à grande excelência de Deus, Sua sabedoria e Seu poder. O objetivo magnífico está na publicação do compromisso de Jesus de construir uma Igreja gloriosa, madura e de um ministério “sem mácula, nem ruga” (5.27).

Efésios revela o “mistério” da Igreja como nenhuma outra epístola. A intenção “secreta” de Deus é revelada: 1) formar um Corpo para expressar a plenitude de Cristo na Terra (1.15-23); 2) fazer isso unindo as pessoas – tanto os judeus quanto os gentios –, dentre os quais Deus habita (2.11–3.7); e 3) equipar, habilitar e amadurecer seu povo a fim de que eles estendam a vitória de Cristo sobre o mal (3.10-20; 6.12-20).

Efésios revela o processo pelo qual Deus está trazendo a Igreja para seu objetivo destinado em Cristo. Os passos básicos de amadurecimento são dados na direção do compromisso da Igreja de lutar conta os poderes do mal. 1) antes da Igreja ir para a guerra, ela deve andar; e 2) antes de andar, a Igreja aprende onde ela está.

A carta divide-se em duas seções. 1) a posição do crente, caps. 1-3, e 2) a prática do crente, caps. 4-6. No cap. 1, o termo recorrente “em Cristo” resume a posição cristã, tendo sido abençoada por “todas as bênçãos espirituais”. Várias dessas bênçãos são enumeradas. os crentes são escolhidos, irrepreensíveis (1.4), adotados, aceitos (1.5-6), perdoados, predestinados, selados (1.7,11,13).
Paulo ora para que cada cristão possa perceber o principal propósito de Deus em levar Cristo ao mundo – que agora a Igreja pode conhecer a plenitude vitoriosa de Cristo enquanto resistimos ao mal e encaramos as provações da vida (1.15-2.10). O cap. 2 descreve como a graça de Deus formou um povo unido entre o qual Ele pode habitar em plenitude e glória. Através de Seu povo, Seu maior objetivo é ser revelado. Para compreender a mensagem de Efésios é preciso compreender as palavras do cap. 3, “dispensação” e “mistério” (vs. 2-3). O apóstolo declarou que o “segredo” de Deus ao planejar a Igreja não está mais escondido (3.3-4 – agora o “mistério” é conhecido). Ele designou a Igreja para administrar (“dispensar”) a plenitude de Cristo em todos os lugares (3.2,9), ministrando como um corpo vivo, disseminando-se sobre a Terra e penetrando no “celestial”. A “multiforme sabedoria” de Deus demonstra Sua glória na Igreja (3.10-11), uma manifestação que, por fim, resultará em fortalecimento do crente (3.14-20), amadurecimento (4.15), confrontação e vitória (6.10-20). Entretanto, a Igreja não pode abordar isso sem o entendimento prático de como essa glória atual da graça e presença de Deus afetam a vida cotidiana.
O grande chamamento para a “vocação com que fostes chamados” introduz essa segunda parte da carta (caps. 4-6). Sistematicamente, Paulo apresenta as implicações morais e éticas da vida cheia do Espírito (4.1-6.9). O processo de amadurecimento do “aperfeiçoamento” (4.11-16) dos crentes e o apelo para ajudar os outros a seguir em frente (“seguindo a verdade em caridade”) fará com que os discípulos cresçam, o que é essencial para a vida triunfante do guerreiro espiritual (6.10-20).

Efésios revela bênçãos de graça admiráveis (“agradáveis a si no Amado”, 1.6) e dimensões espantosas de autoridade espiritual sobre o mal (“segundo o poder que em nós opera”, 3.20). Mas isso pressupõe que o crente aceite primeiro as disciplinas da unidade (4.1-16), pureza (4.17-31), perdão (4.32) e vida na plenitude do Espírito Santo (5.22-6.9), sendo firmemente estabelecida a ideia de que o verdadeiro poder espiritual flui da verdadeira obediência à ordem divina em relacionamentos e conduta pessoal.

Efésios foi chamado de “Os Alpes do Novo Testamento”, “O Grande Cânon da Escritura” e “O Ápice Real das Epístolas”, não somente por seu grande tema, mas devido à majestade do Cristo revelada aqui. Ele é o redentor (1.7), Aquele em quem e por quem a história será definitivamente consumida (1.10); e Ele é o Senhor ressuscitado que não apenas ressuscitou dos mortos e do inferno, mas que reina como Rei, derramando sua vida através de Seu Corpo, a Igreja— a expressão atual dele mesmo na Terra (1.15-23).  Ele é o Pacificador que reconciliou o homem com Deus e que também torna possível a reconciliação entre os homens (2.11-18); e Ele é a “principal pedra da esquina” do novo templo, que consiste de seu próprio povo sendo habitado pelo próprio Deus (2.19-22). Ele é o tesouro em que são encontradas as riquezas inescrutáveis da vida (3.8); e Ele é o que habita nos corações humanos, garantindo-nos o amor de Deus (3.17-19). Jesus é o Doador dos dons do ministério à Sua igreja (4.7-11); e Ele é o Vencedor que acabou com a capacidade do inferno de manter a humanidade cativa (4.8-10). Ele é o Marido modelo, dando-se sem egoísmo para realçar Sua Noiva – Sua Igreja (5.25-27,32). Ele é o Senhor, poderoso na batalha, o recurso de força para Seu povo enquanto eles se armam para a batalha espiritual (6.10).

Como com Cristo, o Espírito Santo é revelado em um ministério bastante amplo e através do crente. Em 1.13, Ele é o Selador, autorizando o crente a representar Cristo; em 1.17 e 3.5, Ele é o Revelador, iluminando o coração para aprender o propósito de Deus; em 3.16, Ele é o Doador, a quem Cristo dá força; em 4.3, Ele é o Espírito da unidade, desejando sustentar a ligação de paz no Corpo de Cristo; em 4.30, Ele é o Espírito de santidade, que pode se entristecer por insistência de ocupações carnais; em 5.18, Ele é a Fonte através da qual todos deve ser continuamente cheios; em 6.17-18, Ele é quem dá a Palavra como a espada para uma batalha e o Assistente celeste que nos foi concedido para nos ajudar a orar e a intervir até que obtenhamos a vitória.

Várias vezes somos chamados à santidade. A maneira em que a palavra "santos" é usada em Ef 3.5 ("santos apóstolos e profetas") coloca uma ênfase sobre a chamada à dedicação. A idéia é de separação para uma tarefa, para a qual Deus não somente chama, mas também capacita com poder. A palavra posteriormente assumiu um sentido que não era corrente na época dos apóstolos, uma crescente veneração dos anciãos primitivos da igreja, por causa de sua bondade inerente. Mas esta não é a maneira em que ela é usada nesta carta. Este mesmo adjetivo é também encontrado em 1.1, e simplesmente significa santos — aqueles a quem Paulo estava escrevendo. Inferir-se que "santos apóstolos e profetas" tenha um sentido inteiramente diferente é contra todas as regras de interpretação. Isto não representa uma época adiantada na vida da igreja como alguns que são contrários à autoria paulina argumentam.

Aos Efésios se foca bastante na unidade. Paulo menciona a localização de gentios e judeus dentro do plano de salvação e da igreja. Seu objetivo é demonstrar que no corpo de Cristo, diferenças (homem/mulher, judeu/gentio, rico/pobre, etc.) são irrelevantes. Ele tenta fazer com que seus leitores vejam que, no passado, todos eles eram pecadores (2.1-3) e que agora todos são salvos. Estes são os adjetivos que importam. Não interessa saber quem é judeu e quem é gentio. Essas verificações só serviam para dividir a igreja. Paulo diz que agora, após a conversão, ninguém era mais estrangeiro, como se tivesse um tratamento diferente dentro da igreja. Somos todos concidadãos (2.19). Dizer isso para gentios e judeus era mostrar que não mais importava o lugar onde nasceram nem a sua origem genealógica. Agora, somos cidadãos na mesma cidade, a Nova Jerusalém. Afinal, nascemos de novo. Agora somos parte da mesma família.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Vida Nova;
– Prof. Anísio Renato de Andrade;
– Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.