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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Você conhece a Bíblia? - Filipenses


A Epístola do Apóstolo Paulo aos Filipenses (Fp) é a sexta epístola paulina, sendo o décimo primeiro livro do Novo Testamento e o 50º livro da Bíblia.
Filipenses possui 4 capítulos e 104 versículos. Apenas 10 versículos, cerca de 10% do livro, são proféticos. Apenas uma citação do Antigo Testamento aparece na carta.
Cinco profecias incluem informação sobre a Segunda Vinda de Cristo (1.6,10; 3.20,21), o futuro reinado de Jesus (2.10-11), uma alusão à circuncisão que é típica da seleção especial de Deus (3.3-6), obtenção da ressurreição (3.11,21) e a afirmação de que Jesus está voltando (4.5).


Antecedentes

Filipos ficava localizada sobre a célebre Via Egnatia, que ligava Roma com a Ásia Menor, elevava-se a uns 12 km da costa norte do mar Egeu, junto ao limite da região macedônica com a da Trácia, seu nome primitivo havia sido Krênides. O nome Filipos era em homenagem a Filipe da Macedônia, pai de Alexandre, que conquistou a cidade sob o domínio dos trácios em 358 a.C. No século II a.C. a cidade passou ao domínio romano. Em 42 a.C. tornou-se colônia romana ou reduto militar, em honra da vitória de Antônio e Otaviano sobre as forças de Bruto e Cássio, que vingavam o assassinato de Júlio César. Onze anos mais tarde, em 31 a.C., Otaviano, agora Imperador Augusto, recolonizou Filipos. Uma colônia romana deveria ter, então, tanto a sua forma de governo quanto os seus costumes modelados pelos da própria Roma. Seus magistrados eram devidamente escolhidos pelos cidadãos da própria colônia e a autoridade daqueles magistrados, dentro da cidade, era suprema. Há alusões ao estado colonial de Filipos em Fp 1.27 e Fp 3.20. A administração da cidade era, pois, inteiramente romana, sob pretores e litores (At 16.35). O acontecimento mais notável acerca de Filipos é que ali se realizou a primeira conquista de Paulo, na Europa, tendo sido "o berço do Cristianismo europeu".

Atos 16.12-40 registra a fundação da igreja em Filipos. Paulo chegou a Filipos em companhia de Silas, Timóteo e Lucas (At 16.10 inicia a primeira das passagens de Atos que empregam o pronome "nós") durante a Segunda Viagem Missionária, por volta de 51 d.C. Aparentemente, muito poucos judeus viviam na cidade, pois At 16.13 implica que não havia nenhuma sinagoga. O "lugar de oração" indicaria a presença de alguns judeus, mas provavelmente menor que o número (dez) de homens necessário para formar uma sinagoga. Lídia, sua casa e o carcereiro com sua família são mencionados como tendo sido convertidos nessa ocasião. Ao ser solto da prisão, Paulo fez os magistrados da cidade andar em público com ele e Silas, para demonstrar ao resto da cidade que o grupo cristão não era contrário à lei romana. Isto era de grande preocupação para Paulo e impediria a igreja, que lutava, de sofrer os efeitos maléficos de uma perseguição oficial. Mas, a igreja tinha de continuar sob as pressões do anti-semitismo (At 16.20), porque era considerada uma seita da religião legal dos judeus. Depois que eles deixaram a cidade, a igreja permaneceu em contato com Paulo, auxiliando-o em seu ministério, provendo para suas necessidades (II Co 11.9; Fl 1.5; 4.15-19). Paulo visitou a igreja em pelo menos outra ocasião (At 20.1,3-6), antes de sua prisão em Jerusalém e a escrita desta carta.

É mais provável que Paulo tenha escrito esta carta aos filipenses durante sua primeira prisão romana (existem muitos defensores de que essa prisão seria em Éfeso; mas desde a antiguidade o argumento para Roma é seguido).

Paulo, na prisão, recebera uma doação em dinheiro dos filipenses, trazida por Epafrodito (2.25; 4.14,18). Epafrodito, que estivera mortalmente enfermo, estava voltando a Filipos por solicitação de Paulo (2.28) e levaria esta carta. Paulo expressa sua gratidão pela oferta, pelo trabalho de Epafrodito e também sua preocupação com possíveis problemas na igreja (3.2-4.9). A carta, juntamente com a palavra pessoal do portador, iria explicar a situação de Paulo na prisão e suas possíveis consequências. Mais tarde, Paulo enviaria Timóteo para fazê-los saber como o julgamento estava progredindo (2.19,23), e ele mesmo espera ir até eles dentro em breve (2.24). A carta é muito pessoal, e a preocupação de Paulo para que os leitores saibam de sua situação e da de Epafrodito é expressa em toda parte. O amor deles para com ele e o amor de Paulo para com eles é uma nota para regozijo, porque Deus estava operando para que eles estivessem juntos outra vez.

Algo de Filipenses

Em muitos aspectos, esta é a mais bela das cartas de Paulo, cheia de ternura, calor e afeição. Seu estilo é espontâneo, pessoal e informal, apresentando-nos um diário íntimo das próprias experiências espirituais de Paulo.
A nota dominante por toda a carta é a alegria triunfante. Paulo, embora prisioneiro, era muito feliz, e invocava seus leitores para sempre regozijarem em Cristo. É uma carta ética e prática em sua ênfase e está centralizada em Jesus Cristo. Para Paulo, Cristo era mais do que um exemplo; Ele era a própria vida do apóstolo.

A mensagem permanente de Filipenses diz respeito à natureza e base da alegria cristã. Para Paulo, a verdadeira alegria não é uma emoção superficial que depende de circunstâncias favoráveis do momento. A alegria cristã é independente de condições externas, e é possível mesmo em meio a circunstâncias adversas, como sofrimento e perseguição.

A alegria definitiva surge da comunhão com o Cristo ressuscitado e glorificado. Por toda a epístola, o apóstolo fala da alegria do Senhor, enfatizando que somente através de Cristo se alcança a alegria, como ocorre com todas as outras dádivas cristãs. Fundamental para essa alegria é a convicção confiante da autoridade de Cristo, baseada na experiência do poder de Sua ressurreição. Devido a essa convicção, a vida de Paulo ganhou sentido. Mesmo a morte tornou-se uma amiga, pois o levaria a uma maior experiência da presença de Cristo (1.21-23).

A alegria apresentada em Filipenses envolve uma expectativa ávida da volta eminente de Cristo. O fato de essa expectativa ser dominante no pensamento de Paulo é vista em suas cinco referências à volta de Cristo. No contexto de cada referência há uma nota de alegria (1.6,10; 2.16; 3.20; 4.5).

Paulo também descreve uma alegria que surge da comunhão na propagação do Evangelho. Ele começa a carta agradecendo aos filipenses por sua parceria na propagação do evangelho através de suas ofertas monetárias. As ofertas, entretanto, são apenas uma expressão de seu espírito de comunhão, ou como ele coloca em 4.17, “o fruto que aumente nossa conta”. Sendo assim, a alegria cristã é uma consequência de estar em comunhão ativa com o Corpo de Cristo.

A Epístola aos Filipenses revela a mensagem eterna de que a verdadeira alegria somente será encontrada em um relacionamento pessoal dinâmico com Jesus Cristo e na garantia de que Deus é capaz de transformar circunstâncias adversas para o nosso bem e para a Sua glória. Devido ao fato de ele estar unido a Cristo por uma fé viva, Paulo podia declarar contentamento em todas as circunstâncias. [Por isso ele podia dizer que podia {suportar} tudo Naquele que o fortalecia.] Seu testemunho singelo era: “Nisto me regozijo e me regozijarei ainda” (1.18), e seu mandamento incondicional era: “Regozijai-vos... outra vez digo: regozijai-vos.” (4.4).

Para Paulo, Cristo é a soma e a substância da vida. Pregar Cristo era sua grande paixão; conhecê-Lo era sua maior aspiração; e sofrer por Ele era um privilégio. Seu principal desejo para seus leitores era de que eles pudessem ter a mente de Cristo. Para sustentar sua exortação de humildade, o apóstolo descreve a atitude de Cristo, que renuncia à glória dos céus para sofrer e morrer por nossa salvação (2.5-11). Ao fazê-lo, ele apresenta a declaração mais concisa do Novo Testamento em relação à pré-existência, à encarnação e à exaltação de Cristo. São realçadas tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo.
A passagem de 2.5-11 expressa as seguintes verdades fundamentais sobre Cristo: Sua pré-existência divina, Sua humilhação ou esvaziamento de Si mesmo, Sua humilde humanidade, Sua humilhante mas redentora morte na cruz, Sua exaltação pelo Pai, Seu Nome supremo e Seu futuro governo universal.

A obra do Espírito Santo em três áreas é mencionada na carta. Primeiro, Paulo declara que o Espírito de Jesus Cristo direcionará a realização do propósito de Deus em sua própria experiência (1.19). O Espírito Santo também promove unidade e comunicação com o corpo de Cristo (2.1). A participação comum Nele cria uma unidade de propósito e mantém uma comunidade de amor. Então, em contraste com a observância ritual inerte dos formalistas, o Espírito Santo inspira e direciona o louvor dos verdadeiros crentes (3.3)

Esta carta apresenta três características dignas de nota. É, em primeiro lugar, a mais pessoal de todas as cartas de Paulo. Não há restrições de sua parte. Na saudação inicial dispensa o título "apóstolo" e com plena ciência do lugar que ocupa no coração de seus leitores, ele se chama simplesmente "servo". A passagem intensamente biográfica de Fp 3.4-14 revela uma profunda experiência espiritual com toda a naturalidade de perfeita confiança.

A carta é também notável pela revelação da pessoa de Cristo. A grande passagem cristológica (Fp 2.5-11) é aí introduzida não com um propósito de ensinamento doutrinal, mas para mostrar aos leitores a graça da humildade. O exemplo supremo de pobres de espírito é aquele manifestado na encarnação de Jesus, o Senhor da Glória. Daí a exortação prática de possuir o espírito de Jesus Cristo e amar ao próximo mais que a si mesmo.

A terceira característica é a nota dominante de alegria. O nome "alegria" (chara) é encontrado cinco vezes (1.4,25; 2.2,29; 4.1), enquanto que o verbo "regozijar" (chairein) aparece onze vezes (1.18 duas vezes, 2.17 duas vezes, 2.18 duas vezes, 2.28; 3.1; 4.4 duas vezes, 4.10). O fato de o apóstolo, em circunstâncias humanamente tão tristes, escrever com um otimismo tão magnífico torna a brilhante exortação muito mais notável, Paulo, realmente, sente-se bem acima das circunstâncias. Ele não estava apenas fazendo um espetáculo e representando sua parte, a fim de que os crentes filipenses pudessem ter um bom exemplo para suas dificuldades peculiares e perseguições pessoais. Era uma alegria "no Senhor". "Regozijai-vos comigo" é um apelo sincero e ressonante. Indica para todos os tempos o dever do otimismo cristão.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– Bíblia de Estudo Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Vida Nova;
– Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.