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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Você conhece a Bíblia? - Colossenses


A Epístola do Apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl) é a sétima epístola paulina, sendo o décimo segundo livro do Novo Testamento e o 51º livro da Bíblia.
Colossenses possui 4 capítulos e 95 versículos. Em 9 versículos, 9% do livro, existem profecias. Não há citações diretas do Antigo Testamento, mas referências a tipos do Antigo Testamento (2.11-14,16,17).


Autor

Os pais da Igreja já consideravam o apóstolo Paulo como autor dessa carta à liderança da Igreja em Colossos. Entretanto, alguns estudiosos dos últimos séculos, achando que a heresia tratada pelo apóstolo seria o gnosticismo do segundo século, levantaram suspeitas quanto à originalidade da autoria paulina. Mas, uma análise mais profunda, e sem preconceito, deixa claro que a heresia combatida pelo apóstolo era uma espécie de embrião do que viria a ser a heresia gnóstica delineada durante os séculos seguintes.
A própria epístola aos Colossenses declara ter sido escrita por Paulo, e está cheia de verdades e ideias paulinas.

Colossos e Antecedentes

Colossos era uma pequena cidade na Ásia Menor central, cerca de 160 km a oeste de Éfeso, às margens do rio Lico (afluente do Meandro); nos tempos do Novo Testamento tinha perdido sua glória havia muito tempo. As cidades vizinhas no vale do Lico, Hierápolis e Laodicéia, tinham atingido uma posição de muito maior eminência. Numa parada ali do grande exército do rei Xerxes, durante a sua marcha contra a Grécia, Colossos foi descrita como uma grande cidade da Frígia (Her. VII, 30); porém Estrabão, escrevendo duas gerações antes de Paulo, diz que ela é "uma pequena cidade". Significativo, também, é o fato que, enquanto Laodicéia e Hierápolis aparecem muito nos registros primitivos da Igreja Cristã, Colossos é pouco mencionada. Por estes fatos, o Bispo Lightfoot escreveu: "Sem dúvida Colossos foi a igreja menos importante para a qual uma epístola de Paulo foi endereçada".

Além da população frígia, havia em Colossos um número substancial de judeus e gregos. Colossenses 1.27, 2.23 e 3.7 sugerem que uma grande proporção dos membros da Igreja de Colossos era gentia, que em sua maioria, ou totalidade, haviam antes seguido algum dos inúmeros cultos pagãos. A presença de um elemento judeu pode ser deduzida pela natureza da heresia que Paulo atacava no curso da carta. Há também testemunho independente da presença de uma numerosa e influente comunidade judaica no distrito.

"Nós damos graças a Deus... porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus" (Cl 1.3-4). "Epafras... que também nos declarou o vosso amor no Espírito" (Cl 1.7-8). Estas expressões, e particularmente as palavras introdutórias do capítulo 2, revelam que pelo menos até o tempo da composição da carta, o apóstolo não tinha visitado a Igreja em Colossos. Porém, a igreja colossense foi uma consequência de seu ministério de três anos em Éfeso, por volta de 52–55 D.C. (Atos 19.10, 20.31). Epafras, natural de Colossos e provavelmente convertido pelo apóstolo em Éfeso, anunciou o Evangelho na cidade, e talvez tenha sido o fundador e líder da igreja (1.7-8; 4.12-13), que também se reunia na casa de Filemom (Fm 2).

A maioria dos estudiosos acreditam que Paulo escreveu esta carta durante sua primeira prisão em Roma, por volta de 60-61 d.C, onde estava em prisão domiciliar junto à guarda pretoriana local (At 28.16-31). Alguns teólogos modernos sugerem que Paulo poderia ter escrito Colossenses em Éfeso ou mesmo em Cesaréia, entretanto, a maior parte das evidências confirma Roma como o lugar onde o original foi produzido pelo apóstolo, a exemplo do que ocorreu com todas as chamadas “cartas da prisão”: Efésios, Colossenses, Filipenses, 2 Timóteo e Filemom. Tíquico levou as cartas aos Colossenses, a Filemon e aos Efésios aos seus respectivos destinos. Onésimo, escravo de Filemom (4.9), acompanhou Tíquico.

Algo de Colossenses

Nenhum outro livro do Novo Testamento apresenta mais completamente a autoridade universal de Cristo ou a defende com tanto cuidado. Combativo em tom e abrupto em estilo, Colossenses tem uma semelhança próxima com Efésios em linguagem e assunto. Mais de setenta versos de Efésios contêm expressões que ecoam em Colossenses. Por outro lado, Colossenses tem vinte e oito palavras que não se encontram em mais nenhum outro lugar dos escritos de Paulo, e trinta e quatro que não se encontram em lugar nenhum do Novo Testamento.

Os falsos mestres em Colossos tinham rebatido algumas das principais doutrinas do Cristianismo: nada menos que a divindade, a autoridade absoluta e a suficiência de Cristo. Colossenses apresenta Cristo como o Senhor supremo em cuja suficiência o crente encontra perfeição (1.15-20). Os primeiros dois capítulos apresentam e defendem essa verdade; os últimos dois desvendam as implicações práticas.

Epafras visitou Paulo na prisão e lhe deu um relatório do progresso do evangelho em Colossos, mas também do problema da falsa doutrina que ameaçava a igreja, apesar de sua curta existência (2.8-9).

––– A Heresia Colossense –––
Essa heresia era um mistura de paganismo e ocultismo, legalismo judaico e Cristianismo. O erro parece com uma antiga forma de Gnosticismo, que ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres semidivinos que ligavam o abismo entre Deus e o mundo. Portanto, dizia-se que ele não tinha autoridade nem capacidade para atender as necessidades dos colossenses. Os crentes esclarecidos só poderiam alcançar a plenitude espiritual através do conhecimento especial e autodisciplina rigorosa. A heresia estava destronando Cristo de seu lugar singular como o único mediador entre Deus e o homem (1.15-23), e estava forçando o asceticismo insano nos cristãos, o qual era uma mistura das práticas legalistas judaicas (2.8-23).
A passagem de relevância principal sobre a heresia em Colossos é Cl 2.8-23, onde vários elementos são mencionados ou implicados. O ensino é representado como uma "filosofia" (2.8); provavelmente insistia na prática da circuncisão (2.11); obrigava a observância de dias especiais, tais como as luas novas e o sábado, e com práticas ascéticas (2.16). Havia também uma tendência para despojar Cristo da toda suficiência da Sua mediação entre Deus e o homem, inserindo seres espirituais como um meio de comunicação entre o homem e a divindade, e a consequente adoração destes seres (2.18-19).
Provavelmente, a heresia era basicamente judaica, quanto à sua natureza (ordenanças da lei, circuncisão, sábados, festividades, etc.), mas não era o judaísmo dos judaizantes (contra quem Paulo lutou na Epístola aos Gálatas). Os pontos básicos judaicos sofreram uma fusão sincretista com o mito e a filosofia pagã, que eram parte do meio frígio, um tipo incipiente do Gnosticismo, que se tornou totalmente desenvolvido no segundo século.

O principal desvio tinha a ver com a Cristologia, e Paulo, ao escrever contra-atacando o erro, ergue-se a novas alturas nesta doutrina. A ideia básica deste ensino falso é que Deus está bem afastado do universo físico. Deus não poderia vir em contato direto com a matéria, por esta ser completamente má. É necessário, portanto, presumir um número de emanações da divindade, um número de seres espirituais germinativos, o primeiro emanando de Deus, o segundo do primeiro e assim por diante até que, descendo eles mais e mais, possibilita finalmente contato com a matéria. Somente assim poderia Deus ter criado o universo e, ao mesmo tempo, manter inviolável a Sua Santidade. Esta hierarquia de seres angélicos teria controle do universo material no qual o homem vive. O homem deve obter o apoio destes seres espirituais, que o protegeriam contra as forças em ação no universo material.
Cristo, ao vir de Deus, ao homem, entregou a cada uma destas "potestades" alguma parte de sua autoridade, quando passou através da "principalidade" deles. Quando ele finalmente chegou à Terra, foi sem poder e autoridade. Sua própria morte provou sua inferioridade em relação aos demônios e anjos, uma vez que eles o fizeram sofrer. O desenvolvimento desta ideia tomou duas formas diferentes no segundo século: 1) docetismo, gnosticismo que afirma que Jesus apenas parecia ser um ser físico; na realidade ele era somente um espírito (um fantasma); 2) cerintianismo, gnosticismo que afirma que o Cristo veio como um espírito sobre o Jesus humano no seu batismo e partiu antes de sua morte; Jesus não foi mais que um mortal comum.

Ousa afirmar a insuficiência de Cristo na obra da redenção humana. Paulo se opõe a esta "filosofia" afirmando a supremacia absoluta de Cristo no universo. Contra o pano de fundo desta heresia deve ser vista a importância suprema da grande passagem 1.15-20, onde a significação cósmica da pessoa e obra de Cristo é magistralmente demonstrada. Cristo não é um dos muitos seres espirituais através dos quais a nossa redenção é realizada. Ele é superior a todas as coisas, o Agente da criação, o Unigênito, no qual foi do agrado do Pai que toda a plenitude residisse. A significação e propósito do universo são, portanto, conhecidos nEle.
Alguns estudiosos acharam difícil aceitar o alto tipo de Cristologia encontrado em Colossenses e Efésios como sendo paulino. Afirmam eles que é avançado demais para a igreja primitiva; pertence ao período do final do primeiro século ou começo do segundo, refletindo termos e expressões usados pelos escritores gnósticos. Entretanto, antes desta época, Paulo não havia enfrentado tal ataque organizado sobre a suficiência de Cristo. O novo vocabulário e fraseologia demonstrariam o conhecimento de Paulo das religiões e ideias filosóficas orientais. A alta cristologia (com rápidos aparecimentos anteriores em I Co 8.6 e II Co 4.4) é alcançada por causa da natureza da oposição. Paulo os combateu no próprio terreno deles, com seus termos e expressões, enchendo-os com o teor da doutrina apostólica. A Cristologia foi definida mais claramente que nunca, a fim de que o erro fosse eliminado, de uma vez por todas, de qualquer consideração séria acerca de incorporação no corpo da crença cristã. A Cristologia, como a maioria das doutrinas do Novo Testamento, foi retirada da bigorna da necessidade quando a igreja entrou em conflito com os ensinos errôneos.

A heresia não é o gnosticismo desenvolvido do segundo século. Há termos usados por Paulo que se tornariam centrais na doutrina gnóstica; mas muitos destes termos foram usados bem livremente no século antes e no seguinte a Jesus Cristo. Os Escritos do Mar Morto pré-cristãos contêm muitos dos termos. As obras de Filo exibem uma quantidade notável do vocabulário usado por Paulo e mais tarde pelos escritores gnósticos do segundo século, e nenhum estudioso ousaria afirmar que o material de Filo era do segundo século ou do gnosticismo desenvolvido! É melhor ver-se Colossenses e Efésios como escritas para combater um movimento filosófico-religioso que estava ganhando terreno por causa de seu apelo ao orgulho e ao intelecto, e que, mais tarde, durante o segundo século, tornou-se conhecido como gnosticismo. O propósito aparente deste movimento era combinar o judaísmo da diáspora com o meio religioso do vale do Lico, para torná-lo convidativo aos sofisticados. O aspecto essencial foi sua tentativa de reestabelecer uma "aristocracia do conhecimento" na religião, e rejeitar o princípio cristão que não reconhece nenhuma distinção entre rico e pobre, douto e ignorante.
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Com uma urgência intensificada pela repatriação do escravo fugitivo Onésimo a seu mestre em Colossos, o apóstolo escreveu esta epístola com quatro propósitos: expor e rejeitar a heresia; instruir a verdade aos colossenses e alertá-los do perigo de retornar aos perigos pagãos; expressar interesse pessoal pelos crentes; inspirá-los a promover o amor mútuo e a harmonia.

A supremacia de Jesus Cristo depende da unicidade Dele como o eterno e amado Filho e Herdeiro de Deus (1.13,15). Nele habita a totalidade dos atributos, essência e poder divinos (1.19; 2.9). Ele é a revelação e representação exata do Pai, e tem prioridade em tempo e primazia em categoria sobre toda a criação (1.5). Sua suficiência depende de Sua superioridade. A convicção da soberania absoluta de Cristo impulsionou a atividade missionária de Paulo (1.27-29).
Paulo declara a autoridade de Cristo de três formas primárias, proclamando, ao mesmo tempo, sua adequação. Primeiro, Cristo é o Senhor de toda a criação. Sua autoridade criativa abrange todo o universo material e espiritual (1.16). Como isso inclui os anjos e planetas (1.16; 2.10), Cristo merece ser louvado ao invés dos anjos (2.18). Além disso, não há motivo para temer os poderes espirituais demoníacos ou buscar supersticiosamente a proteção deles, pois Cristo neutralizou o poder deles na cruz (2.15), e os colossenses compartilhavam de Seu triunfante poder de ressurreição (2.20). Como Soberano e potestade suficiente, Cristo não é apenas o Criador do universo, mas também o preserva (1.17), é seu princípio de união e meta (1.16).
Em segundo lugar, Jesus Cristo é o superior na Igreja como Seu Criador e Salvador (1.18). Ele é a Vida e Líder dela, e a Igreja só deve submeter-se a Ele. Os colossenses dever permanecer arraigados a Ele (2.6-7), ao invés de se seduzirem com especulações e tradições vazias (2.8,16-18).
Em terceiro lugar, Jesus Cristo é supremo na salvação (3.11). Nele desaparecem todas as distinções criadas pelo homem e caem as barreiras. Ele transformou os cristãos em uma única família onde os membros são iguais em perdão e adoção; é Ele quem importa, em primeiro e em último lugar. Portanto, contrário à heresia, não há qualificações ou exigências especiais para vivenciar o privilégio de Deus (2.8-20).
Os caps. 3-4 lidam com as implicações práticas de Cristo na vida diária dos colossenses. Paulo usa a palavra “Senhor” nove vezes em 3.1-4.18, o que indica que a supremacia de Cristo invade cada aspecto dos relacionamentos e atividades dos crentes.

Como é uma época de pluralismo e sincretismo religioso (ou seja, uma diluição da verdade em prol da unidade), a autoridade de Cristo é considerada irrelevante por muitos grupos religiosos que acreditam que uma religião é tão boa quanto a outra. A supremacia do Cristo é negada por outros que colocam o carimbo de cristão sobre uma fusão de crenças de diversas religiões. Normalmente aclamada como um avanço além da Cristandade apostólica, essa mistura promete auto-realização e liberdade sem render-se à Cristo.
“Jesus é o Senhor” é a confissão mais antiga da Igreja. Permanece como a prova fiel da autêntica Cristandade. Nem a Igreja nem o indivíduo crente podem se dar ao luxo de comprometer a divindade de Deus. Em Sua soberania está Sua suficiência. Ele será o Senhor de tudo ou então não será Senhor.

Paulo eleva Cristo como o centro e circunferência de tudo que existe. O encarnado Filho de Deus, Ele é a revelação e representação exata do Pai (1.5), bem como a Encarnação da total divindade (1.19; 2.9), onde estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Ele, que é Senhor da criação (1.16), da Igreja (1.18), e da salvação (3.11), habita os crentes e é sua “esperança da glória” (1.27), um glorioso mistério, nunca antes revelado. O supremo Criador e mantenedor de todas as coisas (1.16-17) também é um Salvador suficiente para Seu povo (2.10).
Um poderoso incentivo para a vida piedosa é o fato de que os crentes aparecerão com o Cristo ressurreto em glória (3.4). Então, como profetizado, receberemos do Senhor o galardão da herança (3.24).

Colossenses tem uma única referência explícita ao Espírito Santo, usada em associação com o amor (1.8). Alguns sábios também entendem “sabedoria e inteligência espiritual” em 1.9 em termos de dons do Espírito. Para Paulo, a autoridade de Cristo na vida do crente é a evidência mais crucial da presença do Espírito Santo.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil[aqui];
– Novo Testamento King James Versão de Estudo, Abba Press [aqui];
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos [aqui];
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova [aqui];
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP. [aqui]