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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Você conhece a Bíblia? - II Tessalonicenses


A Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses (2Ts) é a nona epístola paulina, sendo o décimo quarto livro do Novo Testamento e o 53º livro da Bíblia.
2 Ts possui 3 capítulos e 47 versículos. 19 versículos, 40% do livro, podem ser considerados proféticos. Não há citações diretas do Antigo Testamento.

== Autor e Data ==

No artigo anterior, já apresentamos Tessalônica e o surgimento da igreja na cidade. As duas cartas aos tessalonicenses são semelhantes em linguagem, sugerindo que Paulo escreveu a segunda carta algum tempo após a primeira, pois o apóstolo ainda estava em Corinto, com Silas e Timóteo. A ocasião pode ter sido várias semanas ou meses depois da primeira carta, em 50 d.C. ou início de 51 d.C. O tema da volta do Senhor é central em ambas as cartas.

1 Tessalonicenses (1.6; 2.14; 3.3-5) e 2 Tessalonicenses (1.4-7) indicam que os irmãos sofreram algumas perseguições e opressão – motivo, aliás, que levou os apóstolos Paulo e Silas a deixar a cidade à noite (At 17.5-10; 1Ts 2.2). Preocupado com a estabilidade espiritual da igreja, Paulo enviou Timóteo, e escreveu a primeira carta, alegre em conhecer a estabilidade, persistência e paciência dos tessalonicenses em meio às adversidades (1Ts 1.3; 2Ts 1.4). Contudo, permaneceu preocupado com as atitudes desequilibradas relacionadas com a volta do Senhor.
Paulo diz que alguns até pararam de trabalhar (2.11), instigados por uma doutrina errônea trazida para Tessalônica, que anunciava que o Dia de Cristo estava perto (2.2). Possivelmente, a origem de tal doutrina era reivindicada pelos carismáticos (“por espírito” 2.2). Ou pode ter surgido em uma carta falsamente atribuída a Paulo. Qualquer que seja a fonte da doutrina, Paulo rapidamente escreveu uma epístola para explicar como compreender a volta do Senhor.

A relação entre as duas epístolas gerou teorias que consideram 2 Tessalonicenses como uma carta falsificada, escrita por um discípulo de Paulo, enquanto os teólogos têm tentado harmonizar a relação entre as duas epístolas, apoiando sua fidelidade. Alia-se a isso o fato de Inácio, Justino e Policarpo testemunharem a autoria paulina; assim, desde os tempos mais antigos, esta é considerada uma carta escrita por Paulo.

== Algo de 2 Tessalonicenses ==

Os relatórios que chegaram à Paulo acerca da igreja de Tessalônica levou à segunda carta. Aparentemente, a defesa de Paulo, de sua conduta, deu resultado, pois não está repetida. Mas, alguns problemas intensificaram-se (3.11), promovidos principalmente por ensinos errôneos acerca da parousía.

Após as saudações, a carta se inicia com uma nota de encorajamento (1.3,4), louvando a firmeza da fé deles, crescimento no amor e perseverança nas perseguições. A perseguição, Paulo escreve, deve ser admitida e interpretada à luz da volta do Senhor (1.5-12). Existem sinais necessários que devem preceder o fim (2.1-12). Novamente, Paulo encoraja à fidelidade (2.13-17). Pede oração por seu ministério (3.1-5), exorta acerca dos ociosos e devassos (3.6-15). A declaração sobre como identificar suas cartas (3.17) acompanha uma oração pela paz (3.16), e sua bênção encerra a epístola (3.18).

Sua apresentação da ressurreição e da reunião com o Senhor fez com que alguns pensassem que o dia do Senhor já estivesse acontecendo. O dia do Senhor é um grande tema na profecia do Antigo Testamento, e de acordo com a maioria dos crentes (partidários do dispensacionalismo) inclui uma vindoura Tribulação e estabelecimento de um Reino Milenar, em um esquema explicativo seguido pela maioria dos evangélicos. O mal-entendido entre os de Tessalônica surgiu da intensa perseguição que afligiu os crentes da cidade. Evidentemente, algumas pessoas igualaram a perseguição com os eventos profetizados do “dia do Senhor”. Eles pensaram que já que tinham de alguma maneira perdido a volta de Cristo, não havia motivo para continuar na obra do Senhor.

1 Tessalonicenses enfatiza o caráter imprevisto do Dia do Senhor, “como ladrão”. Isso fez que as palavras de Paulo fossem interpretadas para significar sua iminência. Para resolver esse problema, e inibir futuros erros, portanto, foi necessário em 2Ts apontar que alguns eventos haveriam de acontecer primeiro, antes que viesse o Dia do Senhor.

Primeiro, esclarece o apóstolo, haverá uma apostasia, ou desvio, e o homem do pecado/iniquidade será revelado — o filho da perdição (2.3). Essa figura, tradicionalmente identificado com o “anticristo” nas cartas de João (1Jo 2.18, 4.3; 2Jo 7), se declarará Deus/de origem divina/escolhido por Deus (2.4). Ele enganará muitos, pois terá grandes poderes, e realizará prodígios (2.9). Seu espírito, o ministério da injustiça (2.7), já operava nos dias de Paulo. Mas, um poder limitador — não identificado claramente, mas, provavelmente o ministério do Espírito Santo, ou talvez mesmo a Igreja – resiste e evita o homem do pecado, impedindo a consumação do seu satânico ministério, “até que do meio seja tirado” (2.7).

Duas vezes em 2Ts (2.15; 3.16), o apóstolo apela para a “tradição” – crenças geralmente aceitas dentro das igrejas, alinhadas com a doutrina apostólica — como uma verificação sobre o carismático. Paulo já aconselhara que as profecias devem ser testadas (1 Ts 5.19-20); agora, afirma que até o filho da perdição pode realizar prodígios. Nas cartas aos tessalonicenses, ele relembra seus leitores a continuar com as coisas que ele ensinou antes (1Ts 2.11-12; 3.4; 2Ts 2.5,15; 3.4,6,10,14). Tendo em vista que essas cartas são provavelmente os mais antigos livros do Novo Testamento a serem escritos, indicam aí o desenvolvimento de um corpo de crenças cristãs definidas.

A Escritura apresenta tanto sinais e impulsos quanto descrições da volta do Senhor. Isso pode parecer contraditório, mas os cristãos devem observar os sinais e saber que o mistério da injustiça não é eterno. Eles evitam estabelecer datas, deixando o tempo e o momento propício nas mãos do Senhor da História. Entretanto, eles vivem na expectativa, sabendo que vivendo ou morrendo eles são do Senhor (Rm 14.8; 1Ts 5.10).

Os alertas de Paulo sobre a parousia, em vista do medo de sua iminência, lutam contra a tendência de ausentar-se da vida cotidiana. O apóstolo já havia admoestado para permanecerem calmos e cuidar dos negócios comuns da vida. Quantas vezes, cultos apocalípticos não fizeram isso? Contudo, não é o que as cartas apostólicas esperam dos que aguardam a gloriosa vinda de Jesus.
Igualmente, aqueles que esperam esse dia sem data marcada, não podem acreditar em quem estabelece uma data. Em 2.2, Paulo é claro: nem profecia, mensagem ou epístola em nome de um apóstolo. Os irmãos não podem se deixar enganar.

Como em outros lugares do NT, Deus é revelado como Pai (1.1; 2.16) a fonte de graça (1.12) e amor (3.5) e objeto de agradecimento (1.3; 2.13). Ele escolheu (2.13) aqueles em seu Reino (1.5) e os torna dignos de seu chamamento de salvação (1.11), mas também restituiu os malfeitores (1.6) e permite a ilusão àqueles que desprezam a verdade (2.11) e que não O conhecem (1.8). As igrejas são dEle (1.4), elas descansam nEle (1.1).

A co-igualdade de Cristo com Deus recebe atenção especial. Pai e Filho juntos são a fonte da graça e da paz (1.2,12; 3.16,18), consolo e estabilidade (2.16,17), amor e paciência (3.5). A localização geográfica da igreja era em Tessalônica, mas, sua posição espiritual encontra-se em “Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus” (1.1; 3.12). Como em 1Ts, o Senhor Jesus virá de novo (1.7,10; 2.1); e ele, com “o assopro de sua boca” (2.8), derrotará o homem do pecado no momento de sua volta (2.8) e tomará vingança daqueles que não conhecem a Deus (1.8).

Na única referência direta ao Espírito Santo, Paulo louva a Deus pelos tessalonicenses, cuja seleção para a salvação “desde o início”, descreve como “santificação do Espírito e fé da verdade” (2.13). A obra de santificação do Espírito pode ser vista como uma maneira de encarar a intenção de Deus de salvar seu Povo.
A declaração profética do Espírito, ou assim afirmada, sempre deve ser testada (1 Ts 5.20,21; 1Co 14.29). Isso serve pra lembrar que a profecia nas igrejas não era igual às profecias dos antigos profetas de Israel. A profecia deve ser estimulada, respeitada, pois o Espírito não deve ser extinguido, mas as cartas de Paulo atestam as diferenças entre os dois modelos de profecia.
Além disso, prodígios, inesperadamente, não são a base suficiente para a fé (Mt 7.21-23; Jo 2.23-25); eles podem ser imitados. Mas o amor duradouro de Deus, que é derramado nos corações dos crentes pelo Espírito Santo (Rm 5.5), continua na eternidade mesmo depois de os carismas terem passado (1Co 13.8-13). O amor, então, é a forma como os crentes experimentam a eternidade dentro do tempo.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova;
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.

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