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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Você conhece a Bíblia? - I Timóteo


A Primeira Epístola do Apóstolo Paulo a Timóteo (1Tm) é a décima epístola paulina, sendo o décimo quinto livro do Novo Testamento e o 54º livro da Bíblia.
1Tm possui 6 capítulos e 115 versículos. Apenas duas profecias aparecem em cinco versículos, 4% da epístola, enquanto possui apenas duas citações do Antigo Testamento.

== Antecedentes ==

Durante a primeira viagem missionária, os apóstolos Paulo e Barnabé pregaram em Listra, cidade da Licaônia, onde, apesar das perseguições, alcançaram êxitos no seu ministério. Provavelmente, uma judia chamada Lóide, e sua filha Eunice, tenham se convertido nesse momento. Eunice era casada com um gentio, com quem teve Timóteo; não fica claro se foi seu único filho. Era evidente que Timóteo fora ensinado sobre a religião judaica, mas seu pai não permitiu que ele fosse circuncidado. Desde o início desenvolveu-se uma relação próxima entre Paulo e Timóteo.
Quando o apóstolo voltou a Listra, na segunda viagem missionária, ele encontrou Timóteo servindo na igreja local e altamente recomendado pelos líderes ali e em Icônio. Seguindo a direção do Espírito Santo, Paulo integrou Timóteo à sua equipe apostólica. Como eles iam ministrar entre os judeus, Paulo recomendou a circuncisão de Timóteo, para evitar ofender os judeus, uma vez que sua mãe era judia.

Paulo visitou Éfeso por volta de 63 d.C., após ser libertado da primeira prisão romana. Depois Paulo partiu para a Macedônia (1.3), mas esperava voltar logo (3.14), deixando Timóteo responsável pela igreja local. Já que talvez pudesse demorar, Paulo escreveu esta carta, para ajudar Timóteo em seu ministério (3.14,15). Ele provavelmente escreveu a carta em 64 d.C.

A epístola deixa claro ser Paulo seu autor, fato unanimemente reconhecido pela tradição, bem como as próximas Epístolas Pastorais. Entretanto, três argumentos são comuns nos questionamentos a seu respeito. Primeiro, a inclusão de palavras que não aparecem em outras cartas de Paulo. Em segundo, o registro de acontecimentos que não se harmonizam com as viagens relatadas de Atos, como a missão em Creta (Tt 1.5), o inverno em Nicópolis (Tt 3.12), visita a Éfeso (1tm 1.3), Mileto (2Tm 4.20) e Trôade (2Tm 4.13). Terceiro, a organização eclesiástica seria muito avançada para a época paulina.
Quanto a esses problemas, existem respostas. Ao primeiro, os assuntos das Epístolas Pastorais são diferentes das outras cartas, então necessariamente Paulo usaria algumas palavras que não usara antes. Sendo um erudito, seu vocabulário não era limitado. Além disso, eram escritas íntimas, para amigos próximos, "verdadeiros filhos na fé".
Em relação às viagens, Paulo foi libertado da prisão romana depois de Atos 28 e continuou seu ministério por mais anos, como também afirmado por primeiros líderes cristãos. Foi durante esse período que Paulo escreveu 1Timóteo e Tito, e, por fim, 2Timóteo.
Para o terceiro ponto, as epístolas não sugerem um episcopado monárquico, como o que surgiria nos séculos seguintes. Desde Atos, anciãos, bispos e diáconos são parte da estrutura eclesiástica, como na nomeação de anciãos em At 14.23, e o cumprimento aos bispos e diáconos em Fp. Além disso, ele usa os termos bispo e ancião de forma intercambiável (Tt 1.5-7).

== Algo de I Timóteo ==

O objetivo principal é estimular o jovem líder Timóteo a lidar com os erros doutrinários e problemas práticos na Igreja de Éfeso, além de instruir sobre as responsabilidades pastorais e qualificações e deveres da liderança.

Timóteo fora comissionado por Paulo para uma missão extremamente difícil, e ele achou necessário escrever uma carta de instrução ao jovem emissário que enfrentava problemas. Na carta, ele ensinou Timóteo como combater os falsos mestres, como ordenar o culto, como escolher os líderes e como lidar com as diferentes classes na igreja. Timóteo deveria ensinar a fé apostólica e levar uma vida exemplar o tempo todo.

Esta carta não orientou apenas Timóteo como líder de uma igreja local, mas também serviu de guia para ministros durante toda a história da Igreja. Paulo é claro em ensinar que o ministro deve ser bem treinado, profundamente devoto e altamente consagrado. Os ministros devem viver com Deus, em oração e estudo das Escrituras (2.1-8, 4.6,12-16). O pastor deve alimentar sua alma com as palavras de fé e boa doutrina (4.6), e depois ensinar as pessoas (4.11), além de cuidar dos diversos grupos que formam a comunidade cristã. Ao viver a fé, uma conduta de devoção, o ministro poderá fazer que a congregação faça o mesmo (4.16).

O apóstolo mais velho é certeiro: o testemunho de uma vida realmente santa é necessário a todos os ministros, independente do grau de sua responsabilidade, e disso também depende o futuro da obra, que só continuará se permanecer o nível de dedicação, e da nova geração, que será alcançada.
Além de serem fiéis em administrar o que foi dado, os ministros devem encontrar outros para transmitir o mesmo depósito sagrado. A sucessão apostólica não é apenas receber o “dom” pelas mãos dos que vieram antes, mas também preservar a mensagem e transmitir o ensino. Os que forem alcançados e vierem a Jesus, precisam corresponder ao que Ele pede aos Seus, vivendo na graça e na prática das boas obras. A fé pode se corromper e perder, por isso precisa ser mantida diante não apenas de Deus, mas também dos homens. Os homens só poderão ser alcançados se a fé for operada em amor e boa vontade.

Não apenas 1 Timóteo, mas as duas próximas epístolas, dão evidências do culto congregacional com ordem, como nas referências à leitura da Palavra de Deus, da exortação e do ensino (1Tm 4.13), das súplicas, orações, intercessões, ações de graças (1Tm 2.1), além de indícios de hinos, de fragmentos de credo e de liturgia, de doxologias (1Tm 3.16; 6.13-16; 2Tm 1.9-10; 2.8,11,13; 4.1; Tt 2.11-14; Tt 3.4-7). O apóstolo orienta sobre a designação de pessoas que sirvam na superintendência e no ministério, no cuidado pastoral e na exposição da Palavra; é clara a advertência ao perigo das nomeações apressadas e imprudentes. Cada congregação local/igreja é reconhecida como família de Deus, destinada por Deus para ser guardiã e testemunha da verdade. Todavia, sublinhando toda essa orientação detalhada e expressa, o que mais importa não é o sistema, e sim o homem; a ênfase principal não é aos ofícios ou às formas, mas ao caráter cristão e à conduta coerente.

A função de supervisionar a igreja de Deus ou de cuidar dela é uma tarefa digna, que requer uma pessoa de caráter inculpável, puro, disciplinado e generoso, que dirija bem sua própria casa; e particularmente não neófita, mas alguém cuja boa conduta, já firmada, como cristão, tenha boa reputação, para não dar ocasião facilmente ao diabo de acusá-lo ou enredá-lo, seja por seu próprio orgulho, seja pelas censuras dos de fora.
Bispo (episkopos) e ancião (presbyteros) eram, nos tempos do Novo Testamento, sinônimos de um só ofício (Tt 1.5-7; At 20.17-28); o primeiro indicava função ou dever; o segundo dignidade ou condição.
O vocábulo Diáconos designa, de forma geral, ministro. Obviamente, tornou-se termo especial para auxiliares dos bispos (Fp 1.1). Semelhantemente ao que é exigido dos primeiros, os que vão servir como diáconos devem ter sido aprovados por seu comportamento cristão coerente e consciencioso, novamente com destaque à autodisciplina e direção do próprio lar. 1 Tm 3.11 reconhece as mulheres, diaconisas (como Febe de Rm 16.1), com qualificações paralelas às exigidas dos homens.

Paulo evidencia a divindade de Jesus, pois o iguala a Deus, o Pai (1.1-2; 3.16) e proclama sua soberania universal e natureza eterna (6.15-16). Jesus é a fonte da graça, misericórdia e paz (1.12,14), que comandou o apostolado de Paulo (1.1) e o capacitou para o ministério (1.12). Cristo é tanto Senhor (1.2,12,14; 5.21; 6.3,14,15) quando Salvador (1.1,15), que “se deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (2.6). Em virtude de seu trabalho de redenção, Ele é o único “mediador entre Deus e os homens” (2.5), a maneira de acessar a Deus. Ele, que se fez carne, ascendeu ao céu (3.16). Por enquanto, Ele é nossa esperança (1.1), e a promessa de sua volta é um incentivo à fidelidade no ministério e à pureza na vida (6.14).
Uma sequência doutrinária principal se encontra no mistério da piedade (3.16), ensinando a encarnação de Cristo e resumindo o ministério do Senhor na terra. Porções desse versículo parecem ter sido um hino nos tempos apostólicos.

O Espírito Santo estava operando desde o começo da igreja em Éfeso (At 19.1-7). As “intercessões” (2.1) são orações que envolvem a assistência do Espírito Santo (Rm 8.26,27). A declaração “o Espírito expressamente diz” (4.1) ressalta a atividade contínua do Espírito e a sensibilidade de Paulo a suas sugestões. Em 4.14, Paulo relembra Timóteo do “dom” que lhe foi dado através da “profecia”, uma capacidade especial de ministrar concedida como um carisma do Espírito quando impuseram as mãos nele. Essa impartição, palavra não muito usada no Brasil, indica que o reconhecimento de um ministro vai muito além de um ritual religioso. É possível que os outros ministros recebam direção do Espírito para ministrar algo a mais sobre o novo obreiro, bem como devem também estar atentos para fazer o mesmo sobre qualquer pessoa que precise de um toque do Espírito na congregação. Além disso, um “bom testemunho” (3.7) também incluiria o líder ser “cheio do Espírito Santo”, tal como exigido na nomeação de líderes (At 6.3).

O reconhecimento de um líder não é uma tarefa leviana: Paulo alerta, em 5.22, que Timóteo não deve "impor as mãos precipitadamente". A observação de seu caráter e conduta, dentro e fora da congregação; de sua maturidade, para que não seja um neófito (uma planta nova); a percepção profética de qual o ministério adequado. Em tempos de milhares de líderes (com os mais diversos títulos), o cuidado ainda é necessário.
Um líder, qual seja, não está acima dos irmãos: ele também pode e deve ser corrigido (5.20). A posição, ainda moderna, onde líderes são tratados como isentos de erros, e "não podem ser julgados", não é neotestamentária. Até membros da equipe apostólica de Paulo caíram em erro, e é bem possível que muitos dos falsos mestres que o apóstolo combateu tenham começado firmes na doutrina apostólica. Por isso, além do cuidado pessoal, de cada ministro, consigo mesmo, os outros líderes e a congregação não podem se eximir do cuidado com a doutrina e testemunho cristão.

Uma das angústias de Paulo, presente em suas cartas para pastores e igrejas, era o surgimento de falsos mestres. Estes, seriam um problema nos “últimos tempos”, mas também nos dias de Paulo, já que confronta os falsos ensinamentos dominantes (4.1-3), o que nos recorda que a imagem de uma igreja neotestamentária “pura” e exemplo em tudo, não condiz com a realidade de Atos em diante. E tal como no primeiro século da Igreja, desvios “da fé” permaneceram, e conceitos errôneos tem-se intensificado ao longo dos séculos.
Além de sua permanência, é igualmente forte sua influência. Os falsos mestres e seus ensinos podem alcançar até mesmo grandes multidões e se tornar o credo dominante, pois é fácil ser arrastado por eles. Por isso, é necessária bastante atenção do ministro, tanto para poder enxergar e ensinar, quanto para não ser mais um reprodutor, por inocência ou interesses. Os que substituem a Palavra e o propósito de Deus pelas fantasias e mandamentos de homens, podem ter iniciado como ministros dedicados.

É preciso reconhecer também que a superação dos problemas de falsas doutrinas e desvios só são possíveis pela direção do Espírito Santo. Mesmo uma exposição real das Escrituras, feitas apenas pelo poder humano, não terá efeito. Ainda mais se quem o fizer, não se comportar de acordo com os requisitos nomeados em 1Tm 3. No decorrer da história da Igreja, grupos que eram chamados de desviantes, foram muitas vezes tratados com ferro e fogo. Certamente, ainda que Paulo diga que deve-se afastar deles quando não há mudança, não podemos legitimar ações de repressão como vontade de Jesus, nem como operação eficaz do Espírito para conversão.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova;
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP.

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