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domingo, 22 de março de 2020

Você conhece a Bíblia? - II Timóteo


A Segunda Epístola do Apóstolo Paulo a Timóteo (2Tm) é a décima primeira epístola paulina, sendo o décimo sexto livro do Novo Testamento e o 55º livro da Bíblia.
2Tm possui 4 capítulos e 83 versículos. Dezessete versículos envolvem pensamentos proféticos, ou 20% da epístola. Não há citações do Antigo Testamento.

== Antecedentes ==

Paulo escreveu esta segunda epístola a Timóteo do cárcere (II Tim 1.8, 16,17; 2.9), pouco antes de ser martirizado em Roma. São as últimas palavras reconhecidas do apóstolo preservados.
Aceita-se que Paulo foi inocentado após Atos e continuou suas viagens missionárias. Antes de 2Timóteo, ele foi preso novamente, dada a perseguição iniciada pelo imperador Nero. A prisão pode ter sido em Éfeso ou Corinto, cidades conhecidas pelo zelo no culto ao imperador; ou ainda, em Trôade (4.13). Paulo apelou para Roma outra vez, tendo assegurado um primeiro julgamento (4.11,16, 21). Encarcerado na Prisão Mamertina, ele estava aguardando outro, mas sem esperança de ser solto (4.6). Durante esse intervalo Paulo escreveu II Timóteo. Somente Lucas ainda estava com ele (4.11), Tito tendo sido enviado à Dalmácia (4.10) e Tíquico a Éfeso (4.12); Demas havia abandonado Paulo e retornara a Tessalônica (4.10).

Essa segunda prisão é bastante diferente de seu primeiro encarceramento. Anteriormente, ele estava em sua própria casa alugada e podia receber visitantes livremente, mas agora estava em uma masmorra e os amigos quase não conseguiam vê-lo. Antes, ele esperava ser solto, mas agora aguardava a morte (4.6-8).

A carta originou-se com a preocupação de Paulo e as necessidades de Timóteo e do próprio apóstolo. Ele lembrou Timóteo de suas responsabilidades e o convocou a se entregar totalmente à sua tarefa. Em relação a si mesmo, Paulo necessitava de algumas coisas pessoais (4.13) e, em sua solidão, desejava ver Timóteo e Marcos (4.9-11). Uma tradição antiga afirma que Paulo morreu no ano do incêndio de Roma. Isto poderia significar, e provavelmente significa que ocorreu dentro do espaço de um ano. A tradição também afirma que Paulo foi decapitado fora de Roma, na Via Ostiense, onde hoje é a Basílica de São Paulo Extramuros, sendo provável também que sua execução seja antes da morte de Nero em 68 d.C. 29 de junho, data da festa de São Pedro e São Paulo, poderia ser a data do martírio. A morte pela espada se explicaria por causa da cidadania romana do apóstolo, não sendo tão degradante como a de Pedro. Então, a data da carta varia entre 65 a 67 d.C.

== Algo de II Timóteo ==

O objetivo principal do apóstolo Paulo é apelar para que Timóteo viesse até ele (4.9,11,13,21). Mas, sua preocupação principal é o bem-estar da igreja, e ele instrui o discípulo a aperfeiçoar sua organização e garantir o Evangelho. Ao perceber a iminência de sua morte e que talvez Timóteo não chegasse a tempo, Paulo deixou na carta seus últimos aconselhamentos. Sua preocupação era com o Evangelho, e ele expressou a necessidade de o jovem ministro transmiti-lo fielmente após a morte do velho ministro. Timóteo precisa ser fiel diante das dificuldades, deserções e erros.

Embora Paulo seja conciso e direto, ele também é meigo, caloroso e carinhoso. 2Timóteo revela emoções de Paulo mais do que seu intelecto, pois seu coração estava falando. Dessa forma, a carta não é uma produção literária ordenada bem planejada, mas sim uma nota pessoal contendo a última vontade e o testamento do apóstolo.

A epístola é um manual para ministros do Evangelho, especialmente os mais novos. A Igreja precisa de mais Timóteos que sejam determinados a proteger o Evangelho como um tesouro sagrado confiado a eles, e que sejam fiéis em sua proclamação, que estejam prontos a sofrer por ele, e transmiti-lo para discípulos fiéis.

Paulo, ainda que em condições adversas, exorta a perseverança. Tal qual Paulo exercitou a coragem, permanecendo no ministério apesar de todos os problemas que enfrentou, e Timóteo conhecia todos, e mesmo com seus próprios problemas ao longo do ministério, o apóstolo encoraja o jovem ministro: é preciso continuar a missão. Paulo é um modelo para que Timóteo o imite (1.8,13; 2.3; 3.10,11; 4.6-8). Permanecer no Caminho é o desafio para todo ministro e para todo cristão; guardar a fé até o fim (4.7).
A curta epístola também defende a autoridade das Escrituras. Timóteo foi ensinado nas Escrituras desde a infância, e elas o guiaram à verdade de Jesus Cristo. Não basta conhecer versículos e passagens: o apóstolo enfatiza que é necessário manjar corretamente as Escrituras (2.15). Ele afirma sua inspiração (“toda”) e seu objetivo (“ensino, repreensão, correção e instrução”), bases para sua autoridade (3.16) e sua importância no desenvolvimento de discípulos.
Notar que quando Paulo fala em Escrituras, nesse contexto da carta, tanto as que Timóteo estudou quanto as que ensinava, ele referia-se aquilo que chamamos de Antigo Testamento. O Novo Testamento estava sendo escrito naquelas décadas, pelos apóstolos, e não sabemos até onde os textos alcançavam já na década de 60 do século I. Mas, 2Pe 3.16 demonstra que os escritos de Paulo já eram conhecidos como autorizados.
No tema bastante presente nas epístolas pastorais, Paulo alerta ao cuidado com os falsos mestres. As Pastorais revelam não ser uma tarefa tão fácil identificá-los, resisti-los ou superá-los. Contudo, Timóteo deve fugir das controvérsias sem sentido (2.23) e dos mal-intencionados (3.6). Os servos do Senhor devem abraçar a sã doutrina e evitar discussões improdutivas. Mas, não apenas isso: ao contrário do que foi feito na maior parte da história da Igreja, os fiéis devem ser mansos e ensinar com paciência os oponentes na verdade, em vez de subjugá-los (2.24-26).
Destaca-se novamente que nem mesmo a proximidade com Paulo (ou algum outro apóstolo) evitou que alguns líderes da igreja do século I tornassem-se “falsos mestres”. Paulo cita algumas pessoas (Fígelo, Hermógenes, Himeneu e Fileto), ainda que não esclareça o erro deles. Qual ministério exerciam antes esses homens? O quanto andaram com Paulo? O que os levou a se desviar da doutrina pregada pelo apóstolo? Qual alcance de seus ensinos?

Como 1 Timóteo e em Tito, as epístolas conhecidas como “pastorais”, dão evidências do culto congregacional com ordem, como nas referências à leitura da Palavra de Deus, da exortação e do ensino (1Tm 4.13), das súplicas, orações, intercessões, ações de graças (1Tm 2.1), além de indícios de hinos, de fragmentos de credo e de liturgia, de doxologias (1Tm 3.16; 6.13-16; 2Tm 1.9-10; 2.8,11,13; 4.1; Tt 2.11-14; 3.4-7). O apóstolo orienta sobre a designação de pessoas que sirvam na superintendência e no ministério, no cuidado pastoral e na exposição da Palavra; é clara a advertência ao perigo das nomeações apressadas e imprudentes. Cada congregação local/igreja é reconhecida como família de Deus, destinada por Deus para ser guardiã e testemunha da verdade. Todavia, sublinhando toda essa orientação detalhada e expressa, o que mais importa não é o sistema, e sim o homem; a ênfase principal não é aos ofícios ou às formas, mas ao caráter cristão e à conduta coerente.

Há oito tipos proféticos: 1) o dia da recompensa, consumação e glória (1.2,18; 4.8); 2) reinar com Cristo (2.12); 3) ressurreição e juízo futuro (2.18); 4) tempos perigosos nos últimos dias (3.1-9); 5) Cristo como juiz (4.1); 6) o aparecimento de Cristo (4.1); 7) o reinado de Cristo (4.1); 8) a era da falsa doutrina (4.3.4);

Para Paulo, o Evangelho contém mais do que declarações e proposições: é Cristo (1.8). As bênçãos espirituais, como a graça, a misericórdia, a paz e mesmo a vida em si, residem nEle e derivam dEle (1.1-2,9-10,13,16,18; 2.1). Jesus veio para a terra como homem (2.8) para ser nosso Salvador (1.10; 2.10; 3.15) e foi ressuscitado (2.8) logo após sua morte. Ele é fiel àqueles que o seguem (1.12; 2.11-12; 4.17-18,22) e coerente com seu propósito (2.12,13). Ele também concede a compreensão espiritual (2.7). Cristo aparecerá em sua segunda vinda como o juiz justo (4.1,8; 4.14,16).

O Espírito Santo deu a Timóteo um dom e Paulo o exortou a usá-lo ativamente (1.6). Além disso, o Espírito concede poder, amor e moderação (1.7). O Espírito Santo que em nós habita nos permite ser fiéis ao evangelho confiado a nós e garantir sua pureza (1.13,14).

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova;
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP;
– Bíblia de Estudo Arqueológica NVI, Editora Vida.
Esse pretenso estudo é apenas um resumo a partir de textos lidos, e, às vezes, algumas considerações minhas. Contudo, apesar de apresentar algumas ideias comuns a muitas correntes, vale lembrar que representa apenas uma pequena parte do grande universo de estudos bíblicos, com suas diversas interpretações do que concebemos como revelação e da diversidade de correntes cristãs.
Ainda reitero que em algum momento esse pequeno texto será revisado, e alterado, a depender do meu tempo e vontade.

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