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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Você conhece a Bíblia? - Tito


A Epístola do Apóstolo Paulo a Tito (Tt) é a décima segunda epístola paulina, sendo o décimo sétimo livro do Novo Testamento e o 56º livro da Bíblia.
Tito possui 3 capítulos e 46 versículos. Apenas 2.13, ou 2%, é realmente profético, sobre a “bem-aventurada esperança” do retorno do Senhor. Não há nenhuma citação do Antigo Testamento.

== Antecedentes ==

Tito provavelmente era um gentio da Macedônia (Gl 2.3), convertido através do ministério de Paulo (1.4). Esteve com o apóstolo em Jerusalém (Gl 2.1), quando alguns judaizantes queriam obrigá-lo a se circuncidar, mas Paulo não permitiu. Isso também indica que ele não foi criado no judaísmo, nem foi um prosélito.
Um importante companheiro da equipe apostólica de Paulo, Tito é mencionado treze vezes nas epístolas paulinas, mas não em Atos. II Coríntios e Gálatas, por exemplo, indicam a importância de Tito para Paulo e seu ministério, bem como o jovem ter sido conhecido por muitas igrejas e regiões.

Embora o Novo Testamento não descreva um ministério de Paulo em Creta, Tt 1.5 indica que ele e Tito conduziram uma missão lá, provavelmente em alguns momentos durante 63-64 d.C., após a libertação de Paulo da primeira prisão romana. Atos 2.11 indica uma população judaica substancial na ilha, e a repreensão de Paulo em Tt 1.14 supõe a influência negativa de alguns judeus. Como tinha pouco tempo, Paulo deixou Tito em Creta, como seu representante e líder das igrejas na ilha do mar Egeu: o jovem ministro deveria cuidar das novas igrejas, pondo em ordem as coisas que fossem necessárias, além de constituir líderes em cada cidade (1.5). Então o apóstolo partiu para outras áreas. Ele escreveu para Tito em algum momento a caminho de Nicópolis (“cidade da vitória”), no oeste da Grécia (3.12), e para onde pede que o jovem viaje ao seu encontro, se possível. Paulo tinha muita estima por Tito e se inquietava com as poucas notícias. Zenas e Apolo possivelmente foram os mensageiros da epístola. A carta dá indicações de ter sido escrita durante o outono, provavelmente por volta de 64 d.C. (3.12).
Posteriormente, Paulo enviou Tito à Dalmácia, na atual península dos Balcãs (2 Tm 4.10).

A epístola, a terceira conhecida como das Pastorais, afirma claramente ser Paulo seu autor, fato reconhecido pela tradição, unanimemente. Entretanto, três argumentos são comuns nos questionamentos a respeito da autoria paulina. Primeiro, a inclusão de palavras que não aparecem em outras cartas de Paulo. Em segundo, o registro de acontecimentos que não se harmonizam com as viagens relatadas de Atos, como a missão em Creta (Tt 1.5) e o inverno em Nicópolis (Tt 3.12). Terceiro, a organização eclesiástica seria muito avançada para a época paulina.
Quanto a esses problemas, existem respostas. Ao primeiro, os assuntos das Epístolas Pastorais são diferentes das outras cartas, então necessariamente Paulo usaria algumas palavras que não usara antes. Sendo um erudito, seu vocabulário não era limitado. Além disso, eram escritas íntimas, para amigos próximos, verdadeiros filhos na fé.
Em relação às viagens, Paulo foi libertado da prisão romana depois de Atos 28 e continuou seu ministério por mais anos, como também afirmado por primeiros líderes cristãos. Foi durante esse período que Paulo escreveu 1Timóteo e Tito, e, por fim, 2Timóteo.
Para o terceiro ponto, as epístolas não sugerem um episcopado monárquico, como o que se desenvolveria nos séculos seguintes. Desde Atos, anciãos, bispos e diáconos são parte da estrutura eclesiástica, como na nomeação de anciãos em At 14.23, e o cumprimento aos bispos e diáconos em Filipenses. Além disso, ele usa os termos bispo e ancião de forma intercambiável (Tt 1.5-7).

== Algo de Tito ==

Paulo deu a Tito, um jovem ministro, a difícil tarefa de supervisionar a Igreja em Creta, ao sul da Grécia continental, uma das maiores ilhas mediterrâneas e província romana. Paulo escreveu esta carta para dar a Tito instruções mais detalhadas sobre a realização de seus deveres pastorais.
Paulo considerava os cretenses um povo difícil de trabalhar, citando até mesmo um autor cretense, Epimênides, em seu juízo (1.12). A decadência moral da vida em Creta influenciava os convertidos, imaturos na fé e carentes de instruções básicas a respeito da moralidade e da conduta cristã. Além disso, falsos mestres de vários tipos estavam atrapalhando as igrejas cretenses (1.10-16).
Paulo descreve as características dos bispos e presbíteros (1.5-9). Os líderes devem ser modelos para os crentes, deter a maré de erro e falsa doutrina (1.10-16). Duas vezes fala de “sã doutrina” (1.9, 2.1); duas vezes, “sãos na fé” (1.13, 2.2); uma vez fala de “linguagem sã” (2.8). A passagem de 3.4-8 é um resumo doutrinário importante, falando sobre a misericórdia divina, a salvação, a regeneração, a justificação e as boas obras.

A carta a Tito apresenta afinidades com 1 Timóteo. Ambas as epístolas são endereçadas a jovens que Paulo designou liderança sobre determinadas igrejas durante a ausência do apóstolo mais velho. Ambas as epístolas indicam as qualificações daqueles que devem liderar e ensinar as igrejas. A carta a Tito tem três grandes temas – a organização da igreja, a doutrina correta e a vida santa. Tito tinha de ordenar os presbíteros em cada cidade onde existia o núcleo de uma congregação. Eles deviam ser homens de alto caráter moral, e deveriam ser inflexíveis em questões de princípio, mantendo a verdadeira doutrina apostólica e sendo capazes de reprovar os opositores.

A epístola a Tito, tal como 1Timóteo e 2Timóteo, apresenta evidências do culto congregacional com ordem, como nas referências à leitura da Palavra de Deus, da exortação e do ensino (1Tm 4.13), das súplicas, orações, intercessões, ações de graças (1Tm 2.1), além de indícios de hinos, de fragmentos de credo e de liturgia, de doxologias (1Tm 3.16; 6.13-16; 2Tm 1.9-10, 2.8,11,13, 4.1; Tt 2.11-14; Tt 3.4-7).
O apóstolo orienta sobre a designação de pessoas que sirvam na superintendência, no ministério, no cuidado pastoral e no ensino da Palavra; é clara a advertência ao perigo das nomeações apressadas e imprudentes. Cada congregação local é reconhecida como família de Deus, destinada a ser guardiã e testemunha da verdade. Todavia, o que mais importa não é o sistema, e sim o indivíduo; a ênfase principal não é aos ofícios ou às formas, mas ao caráter cristão e à conduta coerente. A vida pessoal e familiar do candidato ao ministério é indispensável na escolha, que depende do caráter e da reputação.

As dificuldades na igreja aparecem quando há problemas com a liderança. A carta ensina que o principal intuito da administração da igreja é preservar a verdade revelada e garantir uma vida ética. Quantos líderes modernos atenderiam, de verdade, as exigências de 1.7-9? Portanto, os líderes da igreja devem ser exemplares em estilo de vida e íntegros na doutrina. Esta carta também ressalta a estreita relação entre a doutrina pura e a moral. A verdade sempre tem a intenção de determinar a vida e promover a santidade.

Quanto aos falsos mestres, tema presente nas Pastorais, e em praticamente todas as epístolas do NT, nos recordamos de perceber como a Igreja do Novo Testamento, fundada pelos apóstolos, não era tão perfeita como pensamos. Em Tito, Paulo os caracteriza como desordenados (1.10), que falam muito e enganam com suas palavras, capazes de desviar as mentes dos homens e ávidos por lucro. Como em outros lugares, também propagam ensinos tirados do judaísmo (1.14). Tito e os crentes cretenses não podem ser enganados por estes que, ainda que confessem conhecer a Deus, propagam o erro.

Paulo não esquece da vida em comunidade. Ainda que determinados grupos tenham responsabilidades especiais dentro da Igreja, cada membro é responsável por viver uma vida de domínio próprio, integridade e graça. Paulo, adapta suas exortações aos diferentes grupos, conforme a idade, e envia direções para homens mais velhos (2.2); mulheres mais velhas, que também ensinavam as mulheres mais jovens (2.3-5); homens jovens (2.6); e escravos (2.9,10). A verdadeira vida piedosa torna o evangelho atraente.
Assim, segundo o apóstolo Paulo, o evangelho da salvação de Deus é evidenciado pelas boas obras. Em outras palavras, o comportamento cristão adequado daqueles que creem, que tem mais a ver com vida interior do que com palavras. Essa seção e a seguinte, indicam que uma vida de boas obras é propósito de Deus, e todos os que receberam Sua graça devem viver essa vida.
O filho na fé de Paulo é responsável por proclamar a graça de Deus, além de exortar, e até mesmo censurar, todos os que professam crer no evangelho, para dar atenção à vida de boas obras. Questões e assuntos tolos que só produzem conflito e divisão devem ser evitados; são inúteis. Quantas mortes foram causadas no decorrer dos séculos da Igreja cristã por que esse conselho não foi seguido? Aquele que diz seguir ao evangelho, mas se recusa a deixar essas discussões tolas, depois de exortado, deve ser evitado (3.10).

As exortações de Paulo também revelam seu respeito às leis do Império. Ele não opõe-se diretamente à prática romana da escravidão, mas, pede aos escravizados que se dediquem aos seus donos, para assim testemunharem do evangelho. Pode ser preciso lembrar que os escravizados, que compunham um terço da população do Império, fizeram parte dos grupos que mais se converteram ao cristianismo desde seu início. Em 3.1-2, ao detalhar a conduta cristã neste mundo, ele considera tanto as autoridades civis como os concidadãos. O crente, segundo Paulo, deve aceitar e assumir as suas responsabilidades cívicas.
É igualmente de valor verificar que essa conduta aceitável, aos olhos de Deus e dos homens, firma-se em duas verdades: primeiramente, a lembrança de que os próprios cristãos foram, um dia, odiosos e odiadores; e em segundo, Deus nos tratou com bondade e deu salvação (3.3-4). Não podemos esquecer disso ao nos envolver em relações com o mundo.

Fundamentando as instruções de Paulo está o tema de que Cristo está construindo sua Igreja, escolhendo cuidadosamente as pedras que formam essa habitação para Deus. Paulo enfatiza Cristo como nosso redentor (2.14; 3.4-7), a graça de Deus que se manifestou trazendo salvação, não apenas aos judeus, mas a todos os homens. Ou seja, foi uma ação divina, por sua iniciativa, bondade e amor; não por merecimento, mas por misericórdia. Os vocábulos "não", "nós" e "Sua" são enfáticos. Também apresenta a bendita esperança da manifestação de Jesus como um incentivo à vida santa (2.12,13).

O ministério do Espírito Santo é compreendido por toda a epístola. Os cretenses, ou qualquer cristão, não podem mudar a si mesmo; só pode ser obra do Espírito Santo (3.5). A salvação é nossa através da vivificação interior feita pelo Espírito. O dom do Espírito, que nos vivifica e habita em nós, nos foi concedido por Deus, através do Cristo e Sua obra salvadora. Em uma referência à lavagem do batismo, recebemos dois benefícios: a regeneração proporciona um novo estado de aceitação com Deus; a renovação proporciona a bênção da nova vida gerada pelo Espírito.
A pessoa que experimenta um novo nascimento recebe o Espírito a fim de manter um estilo de vida vitorioso seguindo os moldes do de Cristo (3.6-8).

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova;
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP;
– Bíblia de Estudo Arqueológica NVI, Editora Vida.
Esse pretenso estudo é apenas um resumo a partir de textos lidos, e, às vezes, algumas considerações minhas. Contudo, apesar de apresentar algumas ideias comuns a muitas correntes, vale lembrar que representa apenas uma pequena parte do grande universo de estudos bíblicos, com suas diversas interpretações do que concebemos como revelação e da diversidade de correntes cristãs.
Ainda reitero que em algum momento esse pequeno texto será revisado, e alterado, a depender do meu tempo e vontade.

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