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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Você conhece a Bíblia? - Filemon


A Epístola do Apóstolo Paulo a Filemon (Fm) é a décima terceira epístola paulina, sendo o décimo oitavo livro do Novo Testamento e o 57º livro da Bíblia.
Filemon possui apenas 25 versículos, sendo um dos menores livros da Bíblia. Apenas esta epístola e 3 João não contêm referências a eventos futuros ou outras nuanças proféticas. Também não tem citações do Antigo Testamento.

== Antecedentes ==

Filemon é uma das quatro epístolas de Paulo destinadas a um único indivíduo, em vez de uma igreja. A epístola revela como Paulo agia em estrito acordo com a lei, tanta judaica quanto romana, ao lidar com o escravo fugitivo, Onésimo. Retrata a cortesia, benignidade e tato do apóstolo, e cremos que ele alcançou seu objetivo. Também revela como a Igreja se reunia nas casas e praticava a verdadeira fraternidade cristã.

Esta carta é o apelo pessoal de Paulo a Filemon, um cristão rico e dono de escravos. Parece que Filemon, morador de Colossos, tinha se convertido durante o ministério de Paulo (v.10) durante a terceira viagem missionária, e a igreja colossense se reunião em sua casa (v.2). O relacionamento próximo de Paulo e Filemon é evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma hospitalidade de “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito caracterizavam a amizade deles (vs. 1, 14,21).
Onésimo, um dos escravos de Filemon, tinha fugido para Roma, aparentemente depois roubar seu mestre (vs. 11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o apóstolo prisioneiro, que o levou a Cristo (10); Onésimo também passou a ajudar Paulo e se tornou caro ao apóstolo. O escravo convertido desejou se reconciliar com seu antigo mestre, quer por sua própria vontade ou por sugestão de Paulo.
Paulo escreveu para a igreja em Colossos e incluiu esta carta a favor de Onésimo. Paulo pede que Filemon perdoe e receba Onésimo como um irmão em Cristo. Onésimo significa “útil” e Paulo usa um jogo de palavras (v. 10,11), dizendo que ele foi inútil antes, mas agora era útil por causa de sua conversão. Paulo, em momento que para de ditar e assina a carta, afirma que pagará as possíveis dívidas do escravo. Ele desejava uma verdadeira reconciliação, esperada pelo cristianismo, entre o proprietário de escravos lesado e o escravizado perdoado. Com delicadeza, mas com urgência, o apóstolo intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemon resultariam na restauração (5, 21).
Tíquico e Onésimo aparentemente entregaram as duas cartas (Cl 4.7-9; Fm 12). A carta também é endereçada à Áfia (possivelmente a esposa de Filemon), a Arquipo (Cl 4.17) e aos membros da igreja em Colossos (Fm 2). Vale recordar que Timóteo é mencionado por Paulo na introdução de ambas as cartas.

Filemon é conhecida como uma das Epístolas da Prisão (Ef 3.1; Fl 1.7; Cl 4.18; Fm 9), já que Paulo escreveu esta carta durante sua prisão domiciliar por volta de 60/61 d.C.
A preservação da carta de Filemon, entre as muitas escritas por Paulo às igrejas, líderes e irmãos, e sua permanência no cânon provavelmente deve-se ao teor íntimo que registra, do caráter de Paulo e da mensagem do Evangelho.

== Algo de Filemon ==

Mesmo sendo a mais curta das epístolas de Paulo, Filemon é uma profunda revelação de Jesus operando na vida do apóstolo e dos seus filhos na fé. Paulo escreve em tom de amizade, caloroso e pessoal, ao invés do uso firme de sua autoridade apostólica. A carta revela, através de Paulo, Filemon e Onésimo, o assunto central da vida cristã: o amor através do perdão. Com o exemplo do Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, do perdão através da cruz, os homens são capazes de superar as dores e erros e reconciliar-se com os irmãos e irmãs em Cristo.

A epístola é a expressão do que é esperado dos verdadeiros relacionamentos cristãos. Depois de agradecer a Filemon e seus companheiros crentes, Paulo expressa ação de graças por seu amor e fé em relação a Cristo e a seus companheiros crentes.
Segundo Paulo, o amor fraternal exige graça e misericórdia práticas. Ele explica a conversão de Onésimo e o novo valor do escravo no ministério e família de Jesus Cristo (12-16). A transformação de Onésimo, alinhada à profunda amizade de Paulo com os dois homens, é a base para um novo começo.
Paulo mostra que seu apelo não é superficial: ele preenche um “cheque em branco” em nome de Onésimo, mostrando mais uma vez que os temas tão caros à pregação cristã têm que ser vividos e não apenas falados (vs. 17-19). Ele sabe que o amor e caráter cristão de Filemon prevalecerão. Como ele conclui, as pessoas podem ver a unidade do Espírito entre todos os santos envolvidos.

A carta a Filemon, então, apresenta dois temas:
1. Perdão. Paulo implora que Filemon aceite seu antigo escravo inútil assim como aceitou o próprio Paulo, e o perdoe da mesma forma que ele mesmo, Filemon, foi perdoado por Deus. Essa reconciliação é mais importante até que o desejo de Paulo de manter Onésimo consigo.
2. Igualdade em Cristo. Paulo não desafia a escravidão, mas também não a santifica nem a considera parte da vontade de Deus. Na verdade, a conversão transforma os relacionamentos dos seres humanos, não apenas horizontal, mas também verticalmente. Os princípios de Cristo, se fossem seguidos, derrubariam os fundamentos de toda injustiça.

A epístola a Filemon aplica poderosamente a mensagem do Evangelho. Onésimo não é mais um escravo inútil, agora também é um querido irmão em Cristo (v.16). Filemon é desafiado a mostrar o mesmo perdão incondicional que ele recebeu através da graça e amor de Jesus. A oferta de Paulo em pagar uma dívida que não era sua em nome de um escravo arrependido é um quadro claro da obra do Calvário. A intercessão de Paulo é, além disso, um paralelo da intercessão contínua de Cristo junto ao Pai.

Mesmo não mencionado especificamente, o Espírito Santo foi definitivamente ativo no ministério de Paulo e na vida da Igreja. É o Espírito Santo que batiza todos os crentes, seja escravo ou livre, no corpo de Cristo; e Paulo aplica essa verdade à vida de Filemon e de Onésimo. O fruto do Espírito envolve toda a carta.

A escravidão era uma realidade aceita em todo o mundo romano. Muitos eram escravizados por vários meios e razões. Dívidas não saldadas poderiam levar a essa condição, bem como muitos escravos eram produto das conquistas, quando os vencidos eram aprisionados e vendidos para longe de sua terra natal. Ainda haviam os escravizados produtos de raptos, prática comum dos antigos piratas, e os filhos de escravos, que já nasciam escravos. A escravidão não era então baseada em raça, prática que se tornou comum apenas na Idade Moderna.
Cerca de um terço da população do Império Romano era formada por escravizados. O sofrimento dos escravos também variava consideravelmente. Não sabemos exatamente a posição de Onésimo no serviço a Filemon, mas provavelmente era um escravo doméstico, experimentando assim uma vida menos difícil, já que não parece também que Filemon tenha sido um senhor cruel. Contudo, obviamente, por melhor que fosse a vida de Onésimo em comparação a de outros escravos de Colossos e de todo o mundo romano, a vida de escravizado não era fácil, por isso as resistências; seja em que lugar ou tempo for, os escravos utilizar-se-ão de táticas, pequenas ou grandes, passiva ou ativa, para resistir. Fugas como a de Onésimo e rebeliões não eram incomuns. Um escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos (v. 14). A lei romana prescrevia que os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos, até com a morte.
O Novo Testamento, principalmente levando em conta que os apóstolos não queriam se indispor com o Império, não condena a escravidão nem exige que os senhores cristãos emancipem seus escravos. No entanto, talvez a pressão de Paulo sobre Filemon levasse a liberdade de Onésimo. Antes, o apóstolo já incentivara os escravos cristãos a tentar, se possível, a alforria (ICo 7.21). Vale recordar o que já dizia a própria lei mosaica (Dt 23.15), e que Paulo não mandaria Onésimo de volta se Filemon fosse um senhor pagão e cruel.
Mas, principalmente, Paulo não pode ser usado como base da escravidão, que firma-se na ideia do “outro”, onde os escravos não são seres humanos “como a gente”, argumento usado por cristãos durante séculos; o apóstolo declara que em Cristo não há distinção entre escravo e livre (Gl 3.28; ver também Ef 6.5-9).

Como nota final, talvez é curioso lembrar a tradição que afirma Onésimo ter sido liberto e sido escolhido bispo de Bizâncio, ou ainda de Éfeso, e falecido como mártir. Igual trajetória seria a de Filemon e Arquipo.

Fontes:
– Bíblia de Estudo Plenitude, editor-geral Jack Hayford, Sociedade Bíblica do Brasil;
– Bíblia de Estudo Profética de Tim LaHaye, Editora Hagnos;
– O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Editora Vida Nova;
– Introdução ao Novo Testamento, Broadus David Hale, JUERP;
– Bíblia de Estudo Arqueológica NVI, Editora Vida.
Esse pretenso estudo é apenas um resumo a partir de textos lidos, e, às vezes, algumas considerações minhas. Contudo, apesar de apresentar algumas ideias comuns a muitas correntes, vale lembrar que representa apenas uma pequena parte do grande universo de estudos bíblicos, com suas diversas interpretações do que concebemos como revelação e da diversidade de correntes cristãs.
Ainda reitero que em algum momento esse pequeno texto será revisado, e alterado, a depender do meu tempo e vontade.

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