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domingo, 25 de julho de 2010

A mentira do pastor político


Irmão vota em Irmão!

Baseados nessa frase, que para muitos parecia um versículo bíblico, crentes que se candidatavam a cargos no Executivo ou Legislativo chamavam seus irmãos a votarem neles. Visitavam igrejas à torto e a direito procurando apoio.

Isso acontecia e ainda acontece em todas as eleições. Ou seja, de dois em dois anos tem candidato crente tentando convencer seus irmãos crentes que ele é o enviado de Deus para o Governo (Municipal, Estadual ou Federal).


Lembro-me que em 2004, nas eleições municipais, certo candidato ao Legislativo foi falar com meu pastor na época (na Igreja Batista Regular de Canutama), pedindo a ele para ir na igreja, no púlpito, convencer os crentes. Pr. Paulo negou tal absurdo: o máximo que ele faria por tal irmão seria apresentar o irmão, presente no culto, e dizer que ele pedia nossas orações em seu caminho. Pr. Paulo disse PÚLPITO DE IGREJA NÃO É PALANQUE!

Nesses dias, certo bispo deputado chamou quem quisesse ir à um evento político (dentro de uma igreja) para apoiar certo candidato à Presidência.

A Igreja tem se vendido aos políticos. Todo mundo já sabe disso. Dia após dia, eleição após eleição, púlpitos viram palanques, pastores viram políticos, e membros viram curral eleitoral.

Sim, pois a ideia que me transmite esses eventos políticos dentro de igrejas é de que os pastores políticos estão mostrando seus currais, cheio de ovelhas votantes.
[Eu sempre quis saber: como é que alguém pode exercer um mandato (deputado, por exemplo) e liderar uma igreja com milhares de pessoas.]

A mentira aqui é que o pastor político sabe usar essa frase-quase-versículo quando o irmão envolvido é ele. Se for outra pessoa, esqueça a "união dos crentes", o que vale é quanto ele vai ganhar em apoiar alguém, não importa se esse alguém é evangélico, católico, umbandista ou ateu.

E vejo a mentira agindo nessa eleição. Uma candidata é membra de uma grande igreja evangélica, missionária da igreja, mas os seus irmãos e seus pastores-políticos (os mesmos que usam o "Irmão vota em irmão" em outros níveis), não a apoiam.
Quem tem dinheiro para patrocinar eventos evangélicos (como em Camboriú) é que é apoiado pelos evangélicos. Quem promete mais é quem é apoiado pelos crentes.

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Odeio o amor da Igreja pela política. Odeio que os pastores se vendam aos políticos. Odeio ver Igreja virar palanque.

Não me importa em quem você vota. Não me importa se você, crente, quer votar em um ateu. Não estou nem aí.

Mas, me revolta a mentira, a hipocrisia de certos pastores-políticos. Conheço um certo deputado evangélico. Não sei se ele usa a frase, mas sei que muitos que o seguem usam o "Irmão vota em irmão". Pois bem, pra votar nele "Irmão vota em irmão", mas para votar em Presidente, "Irmão não vota em irmão", pois ele apoia um outro candidato.

Tenho que sair agora. Não sei se você entendeu o que eu quis dizer. Espero que sim.

Vote consciente. Não vote em corruptos. Se quiser votar em irmão, vote. Mas não seja hipócrita como certos líderes que conhecemos.