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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os Apóstolos e as Eleições 2010

Por César Aquino Bezerra

Valnice Milhomens, Marina Silva, Claúdia Castellanos
e Sinomar Fernandes na Convenção G12
Posso dizer que, em todos os sentidos, as Eleições deste ano foram diferentes. A começar pelo fato de duas mulheres terem concorrido à Presidência da República, e uma, a que nunca concorreu a nenhum cargo no Legislativo ou Executivo antes, foi eleita por causa do apoio de seu padrinho político.

Ela também foi diferente para mim. Nascido no governo de Fernando Collor de Mello, já passei por várias eleições. A primeira em que pude escolher quem deveriam ser meus representantes foi em 2006, quando não votei na continuidade do governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Lembro-me só um pouco das Eleições de 2002. Eu tinha acabado de fazer 12 anos, e fiquei preocupado com a eleição do operário para a Presidência. Em 2006, participei, mesmo sem dar muita importância.


Neste ano, mais uma vez, fui oposicionista. Quando, ano passado, começaram as especulações sobre a candidatura da Senadora Marina Silva à Presidência, já decidi que seria ela minha candidata. E assim foi. Ela saiu candidata pelo Partido Verde, e conseguiu mostrar o novo jeito de fazer política neste corrupto país. Marina, mesmo com pouco tempo na mídia, sem o apoio de grandes partidos, e até mesmo sem muito apoio de seu próprio partido, conseguiu com que quase 20 milhões de brasileiros acreditassem em suas propostas.

Aqui em Canutama eu me espantei com o nível de burrice das pessoas. Muitas, muitas pessoas apoiaram a candidata da situação unicamente pelo fato das pesquisas indicarem sua vitória ainda em 1º Turno. Fiquei extremamente revoltado com isso. Que apóiem quem quiserem, eu dizia, mas porque acreditam neles, não porque os outros dizem que essa pessoa vai ganhar. (E esta eleição foi marcante pra mim porque me envolvi mesmo com a minha causa. Conversei com algumas pessoas, discuti muito e consegui convencer uns a acreditarem em Marina. Esse envolvimento me provocou uma paixão pela política que nunca tive.)

Um ponto recorrente em minhas conversas com evangélicos era (é) a hipocrisia dos líderes evangélicos. Veja como é engraçado: para eleger alguém para a Câmara dos Vereadores, para a Assembléia Legislativa ou para a Câmara dos Deputados, vote no irmão da igreja, porque “irmão vota em irmão”, e temos que eleger “homens e mulheres de Deus para fazer a diferença na política”. E é assim de dois em dois anos, em cada eleição. Mas, quando aparece uma pessoa evangélica, salva, batizada, membra da maior denominação do país, candidata ao maior cargo da nação, os evangélicos, em troca de alguma coisa, apóiam os outros candidatos.
E olhe que, há anos, os crentes oram para Deus por um presidente evangélico. E quando aparece um, que não é corrupto, não merece seu apoio.
Fique aqui registrado que não acho que esse deve ser o motivo pra votar ou deixar de votar em alguém. Alguém ser crente não quer dizer que será um bom governante. Muito pelo contrário. Quantos políticos crentes já não se envolveram em crimes políticos? Lembra do Mensalão do DEM de Brasília? Um dos envolvidos é filho de um influente apóstolo.
E por ser ímpio não quer dizer que alguém será um mau governante (lembre de Ciro, ungido do Senhor). Eu e meus amigos reconhecemos isso, e por falarmos da hipocrisia, não quer dizer, reitero mais uma vez, que apoiamos a velha “irmão vota em irmão”.

Pois é, viu como é engraçado? Quando é pro Legislativo, vote no irmão. Quando é pro Executivo, vote em quem prometer dar mais coisas pra igreja.
Um dos motivos pelos quais mais admirei Marina, foi ela não usar a igreja como moeda de troca. Ela não comprou o apoio de nenhum pastor/apóstolo para ela. Quem a apoiou, apoiou por confiar nela.
Sua própria igreja não a apoiou pelo mesmo motivo. Ou será que foi por que ela não tinha “chance” de ganhar? Pra mim dá no mesmo.
Quem dá mais? Quem dá mais pelo curral eleitoral evangélico?

Bem, chega de introdução... o ponto aqui é a participação dos apóstolos do século XXI nesta eleição.

Relembrando, há pouco mais 20 anos, os apóstolos começaram a aparecer pelo Brasil afora. É claro que desde o início desse apostolado moderno, eles se envolveram na política, apoiando este candidato e dizendo pra não votar naquele outro. Lembramos que eles começaram a pipocar mesmo de 2001 pra cá. E os últimos quatro anos foram de proliferação exagerada de apóstolos.

Em 2002, na eleição presidencial, um evangélico apareceu candidato pelo PSB. Anthony Garotinho foi o terceiro mais votado, e mereceu muitas profecias apostólicas. Já me informaram que dois dos principais líderes das igrejas em células no Brasil, Apóstola Valnice Milhomens e Apóstolo Renê Terra Nova, ambos ungidos em 2001, e, na época, discípulos de Cesar Castellanos, apoiaram Garotinho.

Naquele tempo eu nem imaginava que hoje existisse o falar em línguas, quanto mais que apóstolos ainda andassem sobre a face da terra.
E em todos esses anos, apóstolos aparecem para declarar seu apoio, seu desagrado, ou para pedir seu voto.

O Amparo Apostólico nas Eleição Presidencial

Bispo Manoel Ferreira, presidente da Assembléia de Deus
de Madureira, e Dilma Rousseff
Neste ano, todos reconhecem que o apoio dos evangélicos foi importante pra todos os candidatos à Presidência. Bispo Manoel Ferreira, Bispo Edir Macedo, Bispo Robson Rodovalho (Dilma13), Pr. Silas Malafaia, Apóstolo Valdemiro Santiago (Serra45), Apóstola Valnice Milhomens, Rev. Caio Fábio (Marina43), são alguns exemplos do engajamento evangélico na corrida presidencial.
Todos os veículos de imprensa reconhecem que a religião teve importância imensurável nesta eleição. Questões religiosas, éticas e sociais foram discutidas em uma guerra santa de católicos/protestantes X políticos.

Primeiro Turno – Iniciadas as campanhas, líderes evangélicos se posicionam de um ou outro lado, invariavelmente procurando benefícios de seu apoio. Pastores são procurados, e em troca de alguma “benção” futura, oferecem seu rebanho como curral eleitoral.
Protestantes Históricos, Pentecostais, Renovados, Neopentecostais e Igrejas em Células saíram em defesa deste ou daquele presidenciável.
Mesmo tendo cada um sua importância, o que nos interessa neste artigo são os líderes de igrejas que aceitam a Nova Reforma Apostólica (mesmo sem ter nenhum laço com C. Peter Wagner), igrejas que acreditam na atualidade do dom apostólico, e que mantém apóstolos em seus quadros de obreiros, e que, nesta eleição, apoiaram um ou outro candidato.

Ana Marita, Renê Terra Nova, Marina Silva e Valnice
no MIR
A Apóstola Valnice Milhomens Coelho, fundadora e presidente da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, declarou não apenas seu apoio à candidata do Partido Verde, a Senadora Marina Silva, mas tornou-se sua cabo eleitoral [1]. Valnice, que reside em Brasília, é intercessora pessoal da Senadora desde 2002. Envolvida, no que chama, de Projeto de Redenção da Nação, há anos ora por um presidente evangélico; lançou a Rede Cristã Pró Marina, que envolveu mais de 1.027 apóstolos, bispos e pastores, e 5.000 pastores das Assembléia de Deus filiadas à CGADB, inclusive presidentes de Convenções Estaduais [2].
Valnice foi, inclusive, uma das pessoas convidadas por Marina a estar (e votar) na Convenção que definiu a neutralidade do PV no Segundo Turno. (Sóstenes Apolos, pastor da Assembleia de Deus do Novo Dia, onde Marina é missionária, também esteve na Convenção.)

Oração por Marina no Congresso
em Porto Seguro
Da mesma forma, o Apóstolo e Patriarca Renê de Araújo Terra Nova, fundador e presidente da Primeira Igreja Batista da Restauração de Manaus (mais conhecida como Ministério Internacional da Restauração), apoiou e pediu votos para Marina Silva. Todos os apóstolos, pastores, líderes e discípulos do Modelo dos Doze se empenharam na candidatura verde. Renê convocou uma reunião em Brasília com todos os apóstolos da Visão Celular no Modelo dos Doze, “Generais de Guerra”, para trabalharem na divulgação de Marina.[3]
Lembrando que Renê dá sustentabilidade ao Projeto Governo do Justo, que pretende levar evangélicos a ocupar cargos políticos. O Governo do Justo, com seus representantes por todo o território nacional, não apenas lançou candidatos próprios, mas também apoiou a Senadora.

Outra coisa a ser lembrada: uma profecia de Renê. Renê promove, desde 2000, os Congressos de Resgate da Nação em Porto Seguro. Em um deles uma profecia foi dada, que proclamava: “Em 2008, o Brasil será outro. Em 2010, o Brasil aos Teus pés.” Essa profecia, extremamente alardeada pelo M12, foi propagada por todos os cantos. E, neste ano, Renê e seus discípulos viram em Marina uma faceta dessa profecia. Uma evangélica seria eleita para a Presidência.
Como deu pra perceber, estes dois, líderes do G12 e do M12 respectivamente, empenharam-se ferozmente na campanha de Marina, envolvendo todos os discípulos dos dois movimentos.
Ah, já ia me esquecendo. Marina participou de vários congressos celulares neste ano: esteve na I Convenção Internacional da INSEJEC em Brasília, em janeiro; no 11º Congresso de Resgate da Nação em Porto Seguro, em abril; esteve na XII Convenção Nacional G12, em Goiânia, em julho; na I Convenção Internacional de Mulheres no MIR em agosto.

O Apóstolo Jesher Cardoso, fundador e líder da Missão Evangélica Shekinah, líder da Rede Apostólica da Aliança e membro do Conselho Apostólico Brasileiro, recrutou Gideões para apoiar e conseguir ajuda para Marina.



Apóstolo Léo Oliveira, do Ministério O Libertador de Israel, em seu site de campanha, pedia votos para si e para Marina.

O Apóstolo Ezequiel Teixeira, do Projeto Vida Nova, ao contrário do seu amigo Silas Malafaia, também saiu em apoio à Marina Silva. O Apóstolo Rinaldo Seixas, o Rina, da Bola de Neve Church, divulgou uma Carta Aberta onde defendia o voto em Marina.

Exemplos de apoio apostólico à Marina é o que não falta... Dezenas de apóstolos, bispos e pastores assinaram um documento apoiando Marina Silva. Pelo menos nesse ponto, alguns dos apóstolos do século XXI mostraram não ser hipócritas, quando dizem para votar em irmãos. Já os outros...

Marina, Valnice, César Castellanos, Sinomar Fernandes
e Claúdia Castellanos na Convenção G12 Brasil

Segundo Turno — Com Marina Silva fora, o eleitorado decidiu entre Dilma Roussef e José Serra, quem seria o novo Presidente da República.

Renê Terra Nova, que apoiou a Senadora Marina Silva no 1º Turno, no 2º saiu em defesa de José Serra.
Mais uma vez, ele instrui os seus apóstolos a votarem e a buscar votos para Serra. Em uma reunião com eles, os instruiu como falar de Serra no púlpito. (Pedir votos dentro da Igreja é crime. Um lembrete para certos líderes.)[4]

Valdemiro Santiago, apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, o mais conhecido dentre todos os apóstolos brasileiros pode-se dizer, não apenas apoiou José Serra, mas também apareceu no Horário Político pedindo que quem acreditasse nele, votasse em Serra.

O Apóstolo César Augusto, presidente da Igreja Apostólica Fonte da Vida, pai de um deputado tucano, apoiou Dilma Rousseff para a Presidência.

Apóstolos candidatos

Também neste ano vários apóstolos se candidataram a cargos políticos. Não é a primeira vez que isso acontece.
Por exemplo, em 2008, nas eleições municipais, o Apóstolo Ebenézer Nunes, da Igreja Apostólica Batista Viva, se candidatou a Vereador em Recife/PE. Jonelildo Correa dos Santoss, da Igreja Apostólica Koinonia, de Aracaju/SE, também candidatou-se a Vereador. Manoel Cunha Filho, do Ministério Apostólico Rio para as Nações, em Itapevi/SP, foi outro candidato. Nenhum dos três foi eleito. (Não estou dizendo que essa foi a primeira vez que apóstolos se candidataram. Em 2006 alguns apóstolos se candidataram ao Legislativo. Por exemplo, Arles Conde Marques, apóstolo da Comunhão Cristã Igreja Apostólica e membro do Conselho Apostólico Brasileiro, foi candidato a Deputado Estadual pelo PT de São Paulo.)

Mas, no mesmo ano, Marcel Alexandre da Silva foi eleito Vereador em Manaus, um dos mais votados. Marcel é Apóstolo do Ministério Internacional da Restauração, chamado de “o discípulo mais frutífero de Renê Terra Nova”, de quem é o braço direito e um dos 12. Ele também é o coordenador do Projeto Governo do Justo. Neste ano se candidatou a Deputado Federal do Amazonas pelo PMDB. Ficou em 13º lugar e não foi eleito.*
E olhe, que mesmo que eu não tenha votado nele (perdão aí, meu apóstolo!), eu já o contava como eleito. Não só eu, vários pesquisadores e blogueiros amazonenses também o cotavam como um dos eleitos.

Outros apóstolos se candidataram a Deputado Estadual, impulsionados pelo Projeto Governo do Justo. O Apóstolo Eurípides Souza, do Ministério Internacional da Restauração, um dos 12 de Renê e coordenador do M12 em São Paulo e no Paraná, foi candidato em São Paulo pelo PSC. Alexandre Monteiro, Apóstolo da Igreja Apostólica Ágape em Curitiba, foi candidato pelo PSB no Paraná. Samuel Vieira Souza, do Ministério Internacional Semear de Amaralina, em Salvador, foi candidato pelo PSC na Bahia. Sílvio Antônio Guimarães Machado, da Igreja Batista Nacional Shalom, em São Luís/MA, foi candidato pelo PTdoB. Alessandro Fabrício Clemente Paiva, da Igreja Internacional da Reconciliação, em Brasília, foi candidato pelo PTN. Nenhum deles foi eleito Deputado Estadual.
Isso só os que eu descobri. Provavelmente outros apóstolos se candidataram pelo Governo do Justo. Muitos outros cristãos se candidataram, apoiados pelo Governo do Justo, mas lembre-se que este artigo é apenas sobre os apóstolos.

O Apóstolo Leonildio (Léo) Lima de Oliveira, do Ministério O Libertador de Israel, em Suzano, foi candidato a Deputado Federal pelo PSL em São Paulo, mas não foi eleito.

Mas, temos um exemplo de apóstolo candidato a cargo majoritário. No Acre, um apóstolo foi candidato à Vice-Governador.
José Ildson Viana Barbosa, Apóstolo da Comunidade Apostólica, em Rio Branco, membro do PPS, era vice de Tião Bocalom, candidato do PSDB. Por pouco não foram pro segundo turno, mas foram derrotados pelo candidato do governo, o Senador Tião Viana, do PT.

É, não foi dessa vez. Nenhum apóstolo (que eu conheça) foi eleito nestas Eleições. Mas, pode esperar... em 2012 e 2014 muitos serão candidatos, e com certeza, eleitos!

Conclusão

Harold Caballeros, ex-membro da International Coalition of Apostles (ICA), fundador do Ministério El Shaddai, na Guatemala, deixou o pastorado para se dedicar a política. Fundou um partido político, e já foi duas vezes candidato à Presidente da Guatemala. Em 2012 o presidente eleito o nomeou Ministro das Relações Exteriores. Eddie Villanueva, membro da ICA, fundador da Jesus is Lord Church, nas Filipinas, também já foi candidato duas vezes à Presidência, tendo ficado em quinto lugar nas eleições de 2010.

Um dia ainda veremos um Apóstolo candidato a Presidência da República Federativa do Brasil.

[P.S.Sim, eu sei que muitos evangélicos, incluindo pastores e bispos, concorreram (e alguns venceram). Até mesmo protegidos de alguns apóstolos ganharam. Mas, eles não interessam ao blog, pois nossa série é sobre os apóstolos brasileiros.]

*O Amazonas tem oito deputados na Câmara Federal.


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