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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mexendo com Fogo - Podemos Julgar ou Não?

[[ATENÇÃO]]


Só leia este artigo, se você acredita mesmo que a Bíblia é infalível, fiel e verdadeira.


A Igreja brasileira, apesar de viver dizendo que está em avivamento, passa por momentos de completa apostasia. Temos amado muito este mundo e as coisas dele, e não temos amado ao Autor e Consumador da nossa fé.

A Igreja, principalmente por causa de seus pregadores e cantores, tem amado o dinheiro, as bençãos, a vitória. Tem valorizado o “ter”. Acham que ter prosperidade é sinal de que Deus está feliz com eles, e por isso os está abençoando, em um típico argumento de amigo de.


Prova maior disso é a nefasta e demoníaca Teologia da Prosperidade, uma maldição importada e constantemente desenvolvida por líderes dos Estados Unidos. É ela que ensina que o crente deve ser próspero, ser abençoado, que não pode ser pobre, não pode ser perseguido, que não deve ficar doente, não deve tomar remédio ou ir no médico, pois isso é sinal de falta de fé (apesar de grandes profetas da prosperidade e familiares seus terem sido operados ou morrido por doenças). Aliás, o que ela mais valoriza é essa fé, uma fé deturpada, em que Deus é obrigado a abençoar seus filhos mimados.

Vivem atrás da benção, pois são cabeça e não cauda, por isso precisam da arruda, do sal grosso, da rosa e do sabonete ungido, da Sessão do Descarrego, da Mesa Branca, do Clamor na Boca do Peixe, da Troca de Anjo da Guarda, da Campanha da Vitória, da Unção dos Milionários, da Chave da Vitória, da água consagrada, do Benção de 900 reais, e tantas outras maluquices heréticas.

E ai de quem falar do ser que inventou isso. Ai dele, pois tocou no ungido. Ai dele, pois não podemos julgar.
Jamais deveremos dizer que o pastor, o missionário, o bispo, o apóstolo, estão enganados, pois são "ungidos de Deus", e estamos “mexendo com fogo”. Nestes ninguém fala, mas até Davi foi repreendido pelo profeta Natã, e Pedro por Paulo, mas estes “escolhidos” não podem ser repreendidos por algum erro ou heresia. É proibido pensar, é proibido julgar!

Quem disse que não podemos julgar, apontando os erros e heresias?

A Bíblia? Não, a Bíblia não diz isso.

“Não julgueis, para que não sejais julgados.” Mateus 7.1

Esse é o primeiro e o principal argumento de quem defende um falso profeta, pois não se importam em entender o que Jesus está falando nesse texto. Como sempre, só se importam em ler um versículo, para usá-lo em alguma coisa, e pronto! Não leem o contexto, para saber do que se trata, nem comparam-no com outros textos. Acaso não sabem que é assim que surgem as seitas e heresias?

Sim, é óbvio, Jesus proíbe o julgamento. Mas se importaria em entender que tipo de julgamento é este? Pois se não, poderíamos usá-lo pra acabar com os tribunais...

Amados, Jesus está contra o julgamento hipócrita. Leiam o texto:

“Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” Mt 7:2-5

Jesus diz aos judeus no v. 1 que eles não devem julgar. No v. 2, Ele dá a razão pela qual eles não devem julgar: o padrão que eles usam para julgar os outros será o mesmo padrão que será usado para julgá-los. Eles não devem ignorar seus próprios pecados, enquanto condenam os mesmos pecados nos outros. Fazer isto é julgar com um “padrão duplo”, ou seja, julgar hipocritamente.

Não é hipócrita condenar o irmão por uma pequena falta, ou mesmo tentar ajudá-lo a sobrepujá-la, quando você mesmo é culpado de uma falta maior? Este é o ponto.
É hipocrisia alguém cujo pecado é maior condenar alguém cujo pecado é menor, sendo em ambos os casos o mesmo tipo de pecado (v. 5).
Como um político pode culpar alguém por roubar uma galinha, enquanto rouba milhões dos cofres públicos? Isso é hipocrisia.

Mateus 7.1, de acordo com o seu contexto, não proíbe todo julgamento e intolerância, mas somente o julgamento e intolerância hipócrita. De fato, ele requer de nós que, após nos arrependermos dos nossos próprios pecados, condenemos o pecado do irmão como pecado, e ajudemo-lo a se voltar dele. “Tira primeiro a trave do teu olho”, diz Jesus, “e então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão”. Mt 7:5

“Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas.” Salmo 105.15

Este é o segundo principal defensor dos “perseguidos” ungidos do século XXI.
Afinal, ai daquele que tocar nos ungidos do Senhor.

Mas, se se importassem mesmo com a Bíblia, saberiam que, pelo contexto, esse capítulo se refere à parte da história de Israel. O versículo em destaque, aos patriarcas, especialmente Abraão e Isaque, pois Deus repreendeu reis por amor a eles, quando eles não tiveram fé em Deus e negaram serem Sara e Rebeca, respectivamente, suas esposas.

Portanto, não tem nada a ver conosco. E mesmo se tivesse...
Diferente do Antigo Testamento, todos nós agora temos o Espírito Santo, todos somos ungidos.
Diferente do Antigo Testamento, todos fomos ungidos na Nova Aliança: "Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento (...). Quanto a vocês, a unção que receberam Dele permanece em vocês (...)" I Jo. 2.20,27

Não é só o seu querido pregador ou cantor que é ungido não. Eu também sou. Você também é. Todos nós que somos salvos, batizados, somos ungidos com o Espírito Santo, temos a unção que vem do Alto, Dele.

Portanto, deixe de ser besta.


Além do mais, lembrem-se que Jesus disse que surgiriam muitos falsos cristos nos últimos dias. Vocês acham que ele tava falando do Inri Cristo, José Luís de Jesús Miranda, e outros loucos desse tipo?
Não! Entenda que cristo e messias querem dizer a mesma coisa: ungido. Não foi apenas Jesus, o Messias, que foi chamado assim. Até Ciro o Grande foi chamado de messias, “ungido”, pelo próprio SENHOR (Is 45.1).
Então, o que Jesus está falando é sobre o aparecimento de falsos ungidos, que enganarão a muitos. Eles não surgirão em outro lugar senão nas igrejas.


Muitos advogam tais pessoas lembrando que elas operam milagres, falam em línguas, curam, profetizam, expulsam demônios, etc. Acham que tais sinais as justificam, mesmo que ensinem coisas contrárias à Bíblia.
Se esquecem que ainda em Mateus 7, Jesus disse que muitos, que fazem tais coisas, não entrarão no Reino de Deus, pois suas vidas não pertenciam verdadeiramente a Jesus.
Então, não se deixe enganar!


A Bíblia nos ordena julgar:

“Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça”. João 7.24

Ela se encontra no contexto da discussão de Jesus com os judeus que questionaram Sua doutrina, e tinham-no acusado de ter um demônio (Jo 7.20) e de quebrar o dia do Sábado curando um homem (Jo 5.1-16). A eles Jesus diz: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça”. Ao dizer “não julgueis”, Jesus não pretende proibir o julgamento como tal, mas proibir certo tipo de julgamento, como a parte positiva deste versículo deixa claro. Podemos julgar, mas quando o fizermos, devemos julgar justamente.

O julgamento exterior e superficial – isto é, julgar simplesmente sobre base do que parece ser o caso, sem conhecer todos os fatos – é um julgamento imprudente, injusto e sem discernimento, que é contrário ao nono mandamento da lei de Deus. Deus odeia tal julgamento. O julgamento justo é feito usando a lei de Deus como o padrão pelo qual discernimos se o que parece ser é o caso é realmente o caso.

 “... não deveis vós julgar os que são de dentro?” 1 Co 5.12

O apóstolo Paulo, no v. 3, declara que ele tinha julgado um membro da igreja em Corinto que estava vivendo no pecado da fornicação. Seu julgamento foi “seja entregue [tal pessoa] a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”. Este é um julgamento ousado da sua parte.

Nos vs. 9-13, Paulo lembra aos santos do seu dever de julgar as pessoas que estão dentro da igreja, quanto ao fato destes estarem, ou não, obedecendo a lei de Deus.

Aqueles que alegam ser cristãos e são membros da igreja, mas que são julgados como sendo impenitentemente desobedientes a qualquer mandamento da lei de Deus (vs. 9-10), devem ser excluídos da comunhão da Igreja. Paulo, sob a inspiração do Espírito, diz para a igreja não tolerar pecadores impertinentes!


Outras passagens também indicam que é nossa responsabilidade julgar. Jesus pergunta às pessoas em Lucas 12.57: “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”. Jesus repreende os escribas e fariseus em Mateus 23.23 e Lucas 11.23, dizendo: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém fazer essas coisas e não omitir aquelas”. Era o dever deles, de acordo com a lei, julgar – mas eles tinham falhado neste dever. Paulo orou para que o amor dos irmãos filipenses “aumentasse mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção”. (Fl 1.9). Ele diz aos cristãos de Corinto: "Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo”. (1 Co 1.15).

Os cristãos são solicitados a examinar tudo e reter o bem (1 Ts 5.21). Eles também são obrigados a provar se os espíritos são de Deus: "Irmãos, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas tem saído pelo mundo afora." (1 Jo 4.1)

Mesmo nas reuniões cristãs eles devem "julgar" o que ouvem: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem." (1 Co 14.29).

Os irmãos de Corinto receberam ordens para julgar imediatamente a imoralidade existente entre os seus membros (1 Co 5.1-8). Mesmo o estrangeiro de passagem não deve ser hospedado se for verificado que não se trata de uma pessoa alicerçada na verdadeira fé (2 Jo 10,11). E um anátema (maldição) deve ser proferido contra aqueles que apresentarem um tipo diferente de evangelho (Gl 1.9).

Então, o proibido não é realmente o julgamento em si, mas sim um tipo errôneo de julgamento. Deus odeia o julgamento hipócrita! Mas Deus ama o julgamento justo da parte dos seus filhos.


É dever de todo Cristão julgar!

Em Atos 17, no percurso de uma das viagens missionárias do apóstolo Paulo, vemos que ele pregou na cidade de Beréia, e a resposta dos bereanos à Palavra de Deus no v. 11: “Ora, os bereanos eram de caráter mais nobre do que os de Tessalônica, pois receberam a mensagem com grande avidez, e examinavam todos os dias as Escrituras, para ver se o que Paulo dizia era verdade”.
A Bíblia elogia os bereanos. Note que eles receberam a palavra com avidez e a examinaram. Viram na Bíblia se tudo o que Paulo estava dizendo, apesar de ser uma mensagem poderosa, era mesmo verdade, se fazia mesmo sentido, se era mesmo como ele dizia.

Seja bíblico!

Portanto, não estou “mexendo com fogo”, não estou tocando em nenhum ungido, porque eu também sou ungido. Não vou ficar leproso, não vou me dar mal por causa disso. Não estou tocando em vespeiro. Não estou com medo de ser queimado. Não estou com inveja desses falsos ungidos.

Esses vendilhões, falsos profetas, falsos pastores, falsos apóstolos, falsos mestres, que enchem as igrejas, enganando o povo de Deus, travestindo suas heresias com “sabedoria”, dizendo terem a revelação de Deus, fazendo o Corpo de Cristo como meio de lucro, ficando ricos “pregando o Evangelho” (I Tm 6.3-10), esses é que tevem ter medo de ser queimados, pois o nosso Deus é Fogo Consumidor, e Ele não se deixa escarnecer (Hb 12.29, Gl 6.7). Por acaso acham que podem fazer tropeçar os pequeninos e ficar impunes diante do Cabeça?
Esquecem-se de que aqueles que ensinam, serão julgados com maior rigor (Tg 3.1)?

O pior de tudo isso é que esse aviso não adiantará, mesmo usando a Bíblia, que os evangélicos dizem ser sua fonte de fé e prática. Afinal, não compreendem que não estamos julgando as pessoas, o caráter delas (tem suas exceções), mas sim o que dizem e fazem em nome do Senhor, que não vem do Senhor.

Por quê? Porque muitos preferem crer no que dizem seus pastores e líderes do que ouvir o que diz o SENHOR.

Que Deus tenha misericórdia de Sua Igreja! Que dê a ela entendimento, pois julgam ter nas Escrituras a vida eterna, mas é ela que testifica contra nós (Jo 5.39).
Maranata! Ora vem Senhor Jesus!


Inspirado em "É pecado julgar?", de L. Rogério e "Podemos julgar?", de Ruy Marinho.